Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
E era quando estavam juntos que todos desconfiavam que aquilo era mais do que amizade. Todo mundo via uma quĂmica explĂcita e absurda naqueles dois. No toque, nos gostos, no abraço, no olhar. Os dois sabiam que era amor, mas cansaram fĂĄcil de tentar entender o motivo de nĂŁo dar certo. Teve uma vez que, juntinhos e a sĂłs, um deles fechou os olhos, para depois abri-los devagarzinho, na esperança que houvesse um beijo doce. Mas nĂŁo tinha acontecido nada. Parecia que nunca iria acontecer. AlguĂ©m precisava urgentemente tomar atitude.
Preciso de alguém que me faça companhia no banco da praça ou no balcão gasto da cozinha para falarmos bobagens ensandecidas até o final do dia. Alguém que pouco se importe com meus deslizes e escute, engula e assimile todas as minhas verdades inventadas. Alguém que nem sequer tente solucionar o meu problema. Nunca pedi resolução de nada. Eu peço salvação, mas ninguém vem, ninguém ouve, ninguém acuda.
Mas, em todos esses lugares vocĂȘ vai comigo. VocĂȘ segura a minha mĂŁo na hora de atravessar a rua, eu vejo vocĂȘ deitar no meu colo quando eu menos espero. VocĂȘ me olha triste quando eu encaro o relĂłgio pela milĂ©sima vez. Sente orgulho de mim quando eu domino um assunto. Me admira quando eu solto uma gargalhada. Vira o rosto se alguĂ©m se interessa por mim. VocĂȘ me espera na porta do carro. Come devagar sĂł pra me fazer companhia. VocĂȘ aparece quando eu acordo e me presenteia com um lindo e sincero sorriso. Aparece em todos os filmes de romance, em trechos de livros tambĂ©m. Eu atĂ© acho graça disso tudo, porque, virou normal essa coisa de passar a sentir a sua presença mesmo quando estou sozinho. Meu coração se acalma quando ouve a simples menção do seu nome e os medos evaporam quando lembro de que ainda te tenho em algum lugar em mim. VocĂȘ nĂŁo sabe, mas eu vejo vocĂȘ o tempo todo.
Ela que se dizia esperta, cheia de planos e conceitos, na verdade sentia um vazio enorme dentro de si. Então se olhou no espelho e viu a criança boba com laço amarelo na cabeça que nada sabia da vida e tanto queria explorar. Ela era tão pura quanto os olhos amendoados. Olhou-se no espelho e enxergou exatamente o que queria ver: O começo. Ela queria ser aquela menina boba que desenhava balão no caderno da escola, que decalcava coração grande e o pintava de vermelho sem pensar nas cicatrizes.
Quando criança, gostava de admirar as coisas até os olhos brilharem de encantamento. Mal comia biscoito na hora do lanche do colégio, por exemplo, porque achava impressionante o formato de coração que tinha. Guardava os detalhes, era feliz por isso. Tão inocente, se apaixonava fåcil pelas coisas.
Não se lamentar pelo que não deu certo. Não ficar querendo voltar ao passado. Não viver só para o futuro. Enxergar o lado bom do presente, do agora. Não querer consertar o que sempre serå errado. Não se perder e se prender aos problemas. Nem sofrer por bobagem. Amém.
Fale de mim pro seu psicĂłlogo. Diga pra ele que eu incomodo, que eu te dou agonia. NĂŁo quero ter esse status de enlouquecer sozinho.
VocĂȘ foi por uma rua sem retorno, pisou em algum poço fundo e escuro. Correu na contramĂŁo, nĂŁo quis seguir placas. E eu me perdi em algum lugar no meio do caminho. Nos desencontramos.
A IlusĂŁo da Tristeza Ă© a carĂȘncia de si mesma
E a loucura que nasce do seu ventre,
SĂŁo bĂĄrbaros feitos de vidro.
Ele Ă© lindo de formas inexplicĂĄveis. Faz arrepiar num simples sorriso. E doĂdo, tĂŁo doĂdo. Tadinho. Vez em quando penso que ele precisa de amparo, sabe? Ă um homem feito, tem atĂ© barba. E mesmo assim vejo ele tĂŁo menino, tĂŁo sofrido.
Eu ficaria esperando se vocĂȘ ficasse tambĂ©m. E largaria tudo no mundo, diria o que vocĂȘ nĂŁo diz. Escreveria versos, seriam quase um protesto sĂł pra te ter aqui.
" Começamos a amar alguém, quando enxergamos seus defeitos porém não julgamos; admiramos suas qualidades e percebemos que aquilo que faltava em nós, estå na pessoa amada. "
Dei pra te imaginar nos lugares e fotografar o momento, foi a solução que encontrei pra diminuir esse caos dentro de mim.
Naquele barzinho, havia alguĂ©m comentando sobre algo que me levava atĂ© vocĂȘ. NĂŁo consigo especificar o que foi. SĂł existiam vozes eufĂłricas, risos altos e vocĂȘ passeava entre elas. SĂŁo rotineiras essas buscas inconscientes que te trazem quando menos espero.
Bem ali, na frente de todo mundo, me puxou para perto e me beijou. Foi tudo muito råpido. Ainda que parecesse em desordem e sem resposta, ainda que eu não entendesse nada, naquele momento, tão perto e aparentemente obsceno, eu não podia negar o fato de que tudo também parecia certo.
Queria voltar ao tempo e fazer direito, sem qualquer arrependimento, sem tanta cobrança, sem a dor.
Daà também eu preciso ficar um pouco só, me afastar de algumas pessoas. Preciso me renovar de alguma forma.
à triste, muito triste essa sensação de não ser nada, não pertencer a lugar nenhum e não ser de ninguém.
