Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
a gente se esgota numa segunda-feira em plena manhĂŁ, quando levantamos para nos aprontar pro trabalho e o primeiro pensamento do dia nĂŁo Ă© mais de alguĂ©m, mas sobre nĂŁo se atrasar. apĂłs um pedido de desculpa que nĂŁo houve, numa palavra mal dita que nĂŁo coube e numa mensagem que nĂŁo houve. a gente se esgota quando o silĂȘncio jĂĄ nĂŁo mais incomoda e a nossa mĂșsica toca sem nos arrancar mais nenhuma emoção. quando o querer nĂŁo faz mais abrigo e o bem-querer a nĂłs mesmos Ă© tido como prioridade. a gente se esgota quando passamos a ficar cansados do tanto faz e o que nĂŁo fez. de tanto descaso e tantos "mas". quando estamos inteiros, sem ego, e a outra parte desfaz. quando percebemos que nĂŁo estĂŁo fazendo o mĂnimo esforço para manter uma conversa, andam armados atĂ© os dentes de joguinhos e indiferença, e nosso pensamento jĂĄ nĂŁo faz mais visita e o coração presença. quando enfim recebemos um sinal de fumaça, uma ligação remota e inesperada que nĂŁo consegue nos arrancar mais nenhum sentimento e percebemos que nĂŁo hĂĄ mais nada.
â A ESQUINA
sobre o vislumbre noturno, o anoitecer enobrece ao terno luar,
e as estrelas fazem um espetĂĄculo para atrair o teu encanto.
o pincel que corre sobre tuas curvas
perpetram tuas cores abrolhando de teu manto,
e na fortuita esquina que se descobrira,
o brilho era volvido apenas para que tua figura fosse ressalvada.
foi entĂŁo por teu imo minha coadjuvante,
esmero pela natureza, esta soturna melodia que lhe coubera
poderia ser ouvida até nos firmamentos.
esta beleza dissonante virou canção até para os desalentos ,
para cada olhar, uma penitĂȘncia, cada beijo, um desejo,
cada tato, um pecado.
umvoz que aprecio bem, nĂŁo porque era bela,
mas porque era tua.
diante daquele velho asfalto cinzento da rua que vivi,
logo passou a ser reluzir ,
porque quando chamava meu nome,
jĂĄ me pegava a sorrir,
nĂŁo porque era meu,
mas porque jĂĄ passou a ser teu .
Ă perfeitamente possĂvel odiar sem deixar de amar.
E Ă© tambĂ©m perfeitamente possĂvel amar sem deixar de odiar.
â a paixĂŁo Ă© feita de idealizaçÔes
nos apaixonamos pelo que projetamos no outro,
e nĂŁo exatamente por quem ele Ă©.
o amor é feito de aceitação.
amamos quando jĂĄ conhecemos suas falhas,
e mesmo assim, o aceitamos.
â OUTRO ALENTO ...
Encontrei-te em um desejo tĂŁo divino
E o destino das emoçÔes nos levaram
Pela mão da sensação, em um desatino
Que no peito afĂĄveis sentidos brotaram
Outra estrada, outro sonho, descortino
Os poemas descontentes se alegraram
Pirralho como menino e de novo a pino
Pois, as invocaçÔes ao amor positivaram
Antes, a poesia, sem ousadia e a esmo
Compartindo a tristura comigo mesmo
Via cada trova marcada com torpe pĂł
Agora, alentado por teus gentis cortejos
Teus beijos, tenho motivo, vivas e festejos
E jĂĄ nĂŁo amargo, atrofio e nem sorrio sĂł! ...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
26/01/2021, 05â45â â TriĂąngulo Mineiro
â Tudo na vida tem seu tempo,
Mas parado muitas vezes perdemos o tempo,
E por dizer nos que nĂŁo tem mais tempo,
Dormiu no tempo errado e perdeu o tempo,
Buscando acalento a tempos,
Esperando por tempos,
me perdi nĂŁo tendo mais tempo,
E dormi no acalento que o tempo me trouxe a tempos,
e eu nĂŁo tinha entendido a importĂąncia do tempo,
SĂł o entendi quando nĂŁo o tinha mais.
DISSE-ME O CAPITĂO DO BARCO
Disse-me o capitĂŁo do barco Que eu navegasse
Sem a afoiteza dos que amam Mais do que
Intensamente.
Disse-me o capitĂŁo do barco
Que na direção ajuizada
Eu chego ao MediterrĂąneo que tem ondas Que nĂŁo batem tĂŁo
Intensamente.
Disse-me o capitĂŁo do barco
Que no mar do JapĂŁo
NĂŁo existe a salinidade exacerbada
Tal qual a desilusĂŁo que, indigesta, queima tĂŁo Intensamente.
Disse-me o capitĂŁo do barco
Que na escuridĂŁo do oceano
O farol se torna invisĂvel
Aos que teimam em amar sozinhos e Intensamente
Disse-me o capitĂŁo do barco
Que a perda do amor eterno
Eterniza igualmente flutuada melancolia
Do marinheiro que embriagado hĂĄ de afogar-se
Intensamente
VOCĂ Ă MĂSICA
Nos dias em que vocĂȘ acorda rock vocĂȘ Ă© contestadora e demolidora de muralhas altas, que atĂ© entĂŁo julgavam-se intransponĂveis.
VocĂȘ Ă© caveira, que iguala, no final da vida, a todos os seres humanos do planeta.
Nos dias em que vocĂȘ acorda Jazz vocĂȘ Ă© puro improviso, a elegĂąncia de fraseados Ășnicos, e que jamais serĂŁo tocados da mesma maneira - jĂĄ que vocĂȘ prĂłpria Ă© Ășnica e inimitĂĄvel.
VocĂȘ cozinha Miles Davis com Chet Baker, e tempera tudo com as vozes da Sarah, da Ella e da Billie, e assim finalizando fabuloso prato.
Nos dias em que vocĂȘ acorda Blues vocĂȘ sente a melancolia em estado bruto, entremeada pelos seus cabelos, quase que etĂlica e desafiadora; vocĂȘ vira ĂĄcido rascante e dissolvente dos sentidos de qualquer incauto.
Nos dias em que vocĂȘ acorda ClĂĄssica vocĂȘ exala a erudição dos que ousaram inventar a mĂșsica tal como a conhecemos hoje, nĂŁo me permitindo com certeza discernir se vocĂȘ Ă© complexa ao extremo ou contraditoriamente simples.
VocĂȘ vira a mais harmĂŽnica sonata.
Nos dias em que vocĂȘ acorda Hip hop vocĂȘ traz dos guetos e dos morros de favelas suburbanos a voz revoltada daquele que nĂŁo chegou jamais a ter alguma voz atĂ© agora; vocĂȘ grita em desespero pela igualdade e pela equidade absolutas.
Nos dias em que vocĂȘ acorda EletrĂŽnica vocĂȘ eleva a sua agitação a um determinado nĂvel de insanidade - e atĂ© de ĂȘxtase - peculiar aos que desejam segurar cada segundo a mais do tempo; e, de vez em quando, eu sinceramente nĂŁo lhe aguento. Energia quĂąntica em demasia.
Nos dias em que vocĂȘ acorda Barroca vocĂȘ vive a dualidade entre o divino e o mundano. EspĂrito e carne.
VocĂȘ vive a mais pudica e a mais (deliciosa) depravada ao mesmo tempo. VocĂȘ estĂĄ na missa e no Beco do Mota simultaneamente, lĂĄ âprasâ bandas de Diamantina.
Nos dias em que vocĂȘ acorda Caipira vocĂȘ se esbalda nos acordeons e nas violas aquecidas na fogueira e no arrasta-pĂ© levantando poeira, que estende as madrugadas da fazenda, tomando cachaça de alambique.
Canta a alegria e a singeleza do homem do campo, tanto quanto a nostalgia e a saudade sertanejas dos que migram Ă s cidades grandes.
Nos dias em que vocĂȘ acorda Disco vocĂȘ brinda Ă vida mergulhada em um mar de espumante, com a dança mais frenĂ©tica e passos ensaiados ao longo de toda a sua existĂȘncia.
VocĂȘ sempre Ă© a Ășltima, descalça e transpirante, a ir embora dos bailes de casamento e de formatura.
Nos dias em que vocĂȘ acorda Samba vocĂȘ se transforma em cerveja bem gelada, feijoada e bate-papo alegre nas manhĂŁs de sĂĄbado naquele mercado antigo, quando a mesa de seu bar Ă© templo: um orĂĄculo indestrutĂvel no qual as principais questĂ”es da humanidade sĂŁo minuciosamente dissecadas e solucionadas com inconfundĂvel (e nĂŁo menos incontestĂĄvel) sabedoria dos que vivem de verdade a vida.
...
VocĂȘ faz com que os meus cinco sentidos sejam todos condensados em ondas sonoras, que me trazem o frescor de suas melodias, a limpidez de suas harmonias e a pujança de seus ritmos intensos e interminĂĄveis.
Eu diria que vocĂȘ Ă© mĂșsica.
â A inspiração começa na intenção. A intenção determina a materialização dos desejos, e das escolhas. O sentido de viver Ă© real. A vida tem sentido quando fazemos com que ela tenha.
Independente dos infortĂșnios e desconfortos, a vida Ă© algo incrĂvel!
O amor Ă© suficiente para tornar o impossĂvel possĂvel.
Ame a si, irradie amor!
â Realize seus sonhos!
Feche os olhos e sonhe, pois, tudo Ă© possĂvel!
Viver os melhores sonhos, sĂŁo aqueles que realizamos!
Em vez de cair nas asas da morte e morrer, viva!
Caia nas asas da luz, da felicidade, e do amor!
Os melhores, mais fantĂĄsticos e incrĂveis sonhos, sĂŁo aqueles que realizamos e vivemos com os olhos abertos!
Sonhe e viva seu sonho!
O QUE FAĂO COM ESSA MENINA?
O que faço com essa menina que se acha feia?
O que faço com essa menina que, timidamente, diz aos quatro ventos que se encontra acima de seu peso?
O que faço com essa menina que disfarça o próprio corpo vestindo camisas largas e calças folgadas?
O que faço com essa menina que esconde o rosto porque acha que estå demasiado flåcido?
Devo eu dizer a ela que o seu sorriso Ă© a maior das alegrias dessa minha vida?
Devo eu dizer a ela que apenas a sua sutil lembrança me aflige em desejo incontrolåvel?
Devo eu dizer a ela que a sua perspicåcia transforma o planeta em um lugar mais habitåvel, mais inteligente e mais esperançoso?
Devo eu dizer a ela que o seu humor nĂŁo apenas contagia a todos, mas vicia e entorpece o mais reticente dos humanos?
Como devo convencĂȘ-la de que Ă© perfeita?
Como devo convencĂȘ-la de que Ă© a cada dia mais apaixonante?
Como devo convencĂȘ-la de que hei de amar intensamente cada gesto e cada uma das palavras suas atĂ© o final dos tempos?
Como devo convencĂȘ-la de que morreria pleno e confiante ao seu lado?
Serå mesmo que essa moça notarå que jamais foi escrava de modismos de consumo e de estética?
Serå mesmo que essa moça notarå que ela é una e que intimida aqueles que se auto- denominam como audazes Casanovas?
Serå mesmo que essa moça notarå que tem o dom de arrebatar aquilo que deseja a todo tempo e a todo modo?
Serå mesmo que essa moça notarå que eu renegaria tudo para repousar silente e em calmaria, por entre as suas pernas?
Abra os olhos.
Eu lhe aguardo ansioso.
â " Eu adoro seus lĂĄbios o sabor, adoro beija-los e quando dizem "te amo meu coração se entorpece desse viciante amor "
QUANDO BUSCO AS CRIANĂAS NA ESCOLA
Quando busco as crianças na escola A curiosidade me consome por inteiro Porque lå existe um universo
De pessoas e de diferenças Aviltantes
Observo ao chegar mais cedo Tantas e tantas mulheres
Com as infinitas faces
E os seus arroubos tĂŁo distintos.
Noto a mĂŁe mais devotada
Cuja principal beleza é indisfarçåvel Por entre as roupas informais
E os cabelos presos
E que levam as imaginaçÔes ao infinito.
Hå também aquela executiva
Sempre muito bem vestida
E que se adorna de frieza altiva
Disfarçando que é só menina desejosa de amor sincero E de alguém que lhe proteja.
Vejo as mulheres participativas
Criadoras de debates e polĂȘmicas
Organizando o teatrinho do colégio
Para que olvidem rotinas melancĂłlicas
Amargadas como fel daquilo que em tese deveria ser um lar em harmonia.
NĂŁo existe como nĂŁo notar
A genitora que ao mesmo tempo em que recebe os filhotes e os beija com saudades e sorrisos (quase que em desespero)
Vive um dia-a-dia atropelado entre compromissos e maternidade
JĂĄ que tem um ex-marido cafajeste e descomprometido.
Sinto o perfume enjoativo
Da mulher que busca o filho
Com indiferença e mau-humor contagiosos Vez que não queria estar ali buscando o filho E ainda muito menos ter o tal do filho.
Eu tambĂ©m desvendo mĂŁes que foram jĂĄ colegas minhas Na infĂąncia ou na adolescĂȘncia
Algumas até me reconhecem
Outras reconhecem, mas me ignoram
E assim me questiono como se daria Se tivéssemos ficado juntos
Construindo vidas em unĂssono.
E divirto-me, no fim de tudo
Com alguns homens estĂșpidos
Que puxam as conversas mais estĂșpidas
A fim de seduzirem as mulheres - nada estĂșpidas - que estĂŁo ali na escola (Esses, com certeza, necessitam Ă© de muito mais maturidade)
Porque desconhecem o lirismo da conversa casual
E que inflama os nossos coraçÔes e almas Demonstrando que a vida nos reserva vårias surpresas
E, quiçå, famĂlias novinhas em folha
Esculpidas
E escritas
Entalhadas
Costuradas
Na escola das crianças.
NAMORO Ă DISTĂNCIA
Na quinta feira eu a busco na rodoviĂĄria
E a gente vai para casa
E não se acanha nem mesmo no elevador do prédio
E espalha as roupas e sapatos e mochilas pelo chĂŁo do apartamento E ali ficamos, em silĂȘncio de pequena morte.
Jå na sexta feira levantamos tarde Só que acordamos cedo Despertados pelo maior dos desejos Quando assim começa o dia
Entre gozos e gemidos
E com a cama antiga rangendo desesperada Cada vez mais alto.
SĂĄbado Ă© dia de receber amigos sempre tĂŁo queridos E eu fico orgulhoso de mĂŁos dadas
Quase que me exibindo aos convidados
Com a minha namorada tĂŁo maravilhosa
E que veio para estar no feriado
Ao meu lado
Fazendo o nosso almoço italiano
E encantando com o seu sorriso
A todos os ali presentes.
Domingo bem cedo andamos de bicicleta lĂĄ no parque da cidade Visitamos os meus pais idosos
Almoçamos uma barca de comida japonesa
Mas alguma coisa
(Eu jĂĄ sinto)
EstĂĄ severamente errada.
O dia transcorre
O meu enfado jĂĄ estĂĄ patente
A minha irritação fica notória
O mau-humor impera
E a minha namorada inaugura o pranto mais discreto
Disfarçado e silencioso
Sem saber o que de fato
EstĂĄ conosco acontecendo.
NĂŁo se culpe, namorada
Porque a distĂąncia Ă© que nĂŁo permite
Que entremos
Com recĂproca e com entrega
Na estranha liturgia de nossas rotinas
A centenas de quilĂŽmetros distantes
E assim eu sinto que sou invadido
Alcunhando-lhe covardemente como Invasiva
Estrangeira
Forasteira
E vocĂȘ, por consequĂȘncia
Sente medo e insegurança
Acionando a perigosa chave de ciĂșmes
Com as reaçÔes de defensiva clåssicas.
E Ă© quando, entĂŁo, a gente briga de verdade
E a gente chora junto
E eu deixo vocĂȘ na rodoviĂĄria no inĂcio da noite Em silĂȘncio de sepulcro
E dessa maneira o feriado acaba.
Eu preciso ter vocĂȘ mais perto
Eu preciso ter vocĂȘ no dia-a-dia
Eu preciso viajar mais vezes
Eu preciso que retorne muitas outras vezes
E que nos comprometamos com o fato de que somos a prioridade um do outro.
Eu preciso lhe pedir desculpas
E dizer mil vezes o quanto eu a cada dia mais
Te amo.
E dizer tambĂ©m que a sua mera existĂȘncia dĂĄ sentido Ă minha vida.
â Encarar as frustraçÔes como oportunidade de recomeçar, faz de mim resiliente e nĂŁo vĂtima dos desencontros.
