Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
â COMO Ă BOM ESTAR AMADO
Eu vi uns belos versos que causaram
suspiros, de um coração apaixonado
e que, discursava emoção e cuidado
aonde os beijos de amor extasiaram
Eu vi que olhares nas trovas falaram
renderam a alma e deram o recado
e que, meu sentimento ficou lotado
e, assim, as rimas a paixĂŁo velaram
Eu vejo no verso encanto e sedução
que cresce na poética o que sente
e sente o doce cheiro perfumando
Eu vejo no poema a meiga sensação
fazendo a este trovar tĂŁo diferente
e, ao ledor, como Ă© bom estar amado.
© Luciano Spagnol â poeta do cerrado
14/10/2024, 18â26â â cerrado goiano
â Teologia Ă© conversar com Deus sobre Deus e pressupĂ”e a total e natural incapacidade humana de conhecĂȘ-lo, necessitando, portanto, de sua revelação.
â CARECENTE
Se eu peço ao verso para ter piedade
que nĂŁo seja hostil a uma trova dĂłcil
dizes que sou tĂŁo rude e um tanto vil
querendo um rimar com sensualidade
De onde vem tĂŁo pouca serenidade
se pouco o poetizar aparenta gentil
mais atento e amĂĄvel, terno e sutil
sem aquele tom com voracidade?
Meu suspirar dolente e tolo chora
nos versos que vem e vĂŁo e, assim,
embalados em tristura, vĂȘm afora
Parece entĂŁo que tudo Ă© apenas dor
pondo o versar triste diante de mim
carecente de apego, emoção e amor!
© Luciano Spagnol â poeta do cerrado
15/10/2024, 14â16â â cerrado goiano
Ă vazio e frio sem vocĂȘ... VocĂȘ jĂĄ nĂŁo mora mais aqui.
Fui eu quem te tirei daqui.
Sou grata por isso, porque, apesar de vocĂȘ esquentar meu coração; vocĂȘ o super aqueceu.
VocĂȘ fez com que se tornasse o inferno.
Fez com que minha mente se corroesse por completo.
Meu coração engoliu pedaços de si, para preencher o estrago que fizeste.
Eu fui engolida por uma onda e me afoguei, para nĂŁo lidar com vocĂȘ.
NĂŁo lidar com meus e seus sentimentos.
NĂŁo lidar com nossos âeusâ.
NĂŁo lidar com nossos corpos.
NĂŁo lidar com minha angĂșstia e confusĂŁo, que cresce a cada dia. Que aumenta como uma onda.
TĂŁo rasa, mas em segundos se transforma em um tsunami.
Eu me permiti afogar na onda, apesar de rasa.
Quando pude fechar os olhos e parar de tentar sobreviver;
Eu me senti livre.
Liberta.
Me prendia tanto a vocĂȘ e os sentimentos que isso me causava que nunca me permiti sentir.
Eu me livrei do peso do desespero que sua presença causa.
Me afogar foi melhor do que lidar contigo.
Me afogar me deu paz.
Me afogar me fez finalmente viver.
Me afogar foi melhor.â
â CosturaâŠ
Unir dois lados
Distintos ou semelhantes
Com a linha tĂȘnue da vida
Ou o fio perene da alma
Costura
Por vezes uma sutura
Pra conter as fissuras
Transformando os traumas
Em doce calmaâŠ
Costura
Remendos no peito
Antes que esfarrape
Antes que rasgue de vez e nĂŁo mais ame
Mesmo dilacerado
Pouco a pouco cerzindo
Até que se veja uma colcha de retalhos
Retalhos feitos de reminiscĂȘncias da vida
Amores, dores, perdas, fracasso e alegrias
Costura
NĂŁo antes sem o encaixe perfeito da linha na agulha
A cada ponto
A junção das partes ajusta o tecido
Alinhavo nĂŁo serve âŠ
Com o tempo esgarça
Tem de ser ponto cruzado
Para unir com solidez os lados
Costura
Sem pontas soltas
Tua vida na minha
De que serve a agulha sem linha?
Faz comigo o mais lindo traje
Com a seda mais pura
Arrematando com um laço de fita e ternura
Nosso encontro pra eternidade
â A certeza de que eu nunca vou te abandonar, nem te trair e sempre irei me dedicar a vocĂȘ deveria ser o maior motivador e nĂŁo um inibidor do seu cuidado.
â AlĂ©m do animal que teme a morte, existe um ser que deseja ser aceito, amado. O que acontece na vida sĂŁo apenas consequĂȘncias desses desejos.
â àŒ»NamoraràŒș
àŒșàŒ»
Namorar... o melhor de uma relação; entĂŁo porquĂȘ deixar de namorar ao avançar na relação?
Com intensidade se vive a paixĂŁo.
Com compreensĂŁo se vive o amor.
Com valorização de ambos sentimentos se vive eternamente a namorar...
Relacionamentos sem o factor namorar nĂŁo passam de uma mera paixoneta de noite ou verĂŁo quente.
àŒșàŒ»
Tc.15062019isab03
â O LOBO E A LUA
.
.
A Lua, de tĂŁo bela,
luminosa e clara,
entristece o lobo,
que por isso chora
seus uivos na madrugada.
.
Uiva a melancolia
que emana da consciĂȘncia
de se saber irremediavelmente distante
do resplandecente objeto amado.
.
Uiva porque sabe que a Lua Ă© inatingĂvel
e que seus clamores por ela
sequer serĂŁo ouvidos.
.
Uiva porque Ă© da natureza da Lua
ignorar o Lobo,
que, no entanto, a ama.
(e Ă© precisamente este amor
que lhe arde
como uma chama).
.
Até hoje não se explica
porque o Lobo entoa
tĂŁo solitĂĄrio e doloroso canto...
.
? Mas serĂĄ mesmo um canto
esse que, vertido em vento,
percorre a madrugada
sem nunca atingir destino,
â sem consumar momento â,
e que, profundamente triste,
nĂŁo se define, contudo, em pranto?
.
? SerĂĄ mesmo um canto
esta ponta de sabre branco
que, ao invadi-las por dentro,
corta as almas em dois instantes?
.
Ou quem sabe este uivo, que nos assombra,
serĂĄ mesmo um grito...
desses que, do alto de uma ponte,
e de dentro de um quadro
(sem precisar de som),
estende-se ao infinito?
.
? Mas como serĂĄ um grito
esse que todas as noites se repete
insistente como um rito?
.
? NĂŁo serĂĄ entĂŁo uma senha
oculta em Lobo,
para que todos saibam
do seu devotado amor
por tĂŁo irresistĂvel objeto
â por esta eterna fonte
luminosa de desencanto?
.
Canto, grito ou senha
(pranto, rito ou chama),
nĂŁo Ă© o Lobo que faz o uivo,
mas Ă© o uivo que faz o Lobo;
e quem faz o uivo Ă© a magia
que lhe revolve o oceano
(a mesma que, na maré que dentro mexe,
o coração lhe deixa insano).
.
Mas se o Lobo se transfigura
na dor, que Ă© seu prĂłprio canto,
a Lua permanece a mesma:
branca, perene, eterna
â amada em seu congelado encanto.
.
HĂĄ de pairar como um poema
sobre os mares que entĂŁo remexe,
sobre os amores que nĂŁo governa
â lado escuro do seu mistĂ©rio â,
sobre os lobos que lhe pressentem.
.
Enquanto isso os cientistas a observam;
os astronautas pousam nas suas montanhas.
Percorrem as suas crateras
â a Lua se faz notĂcia â.
Guardam amostras do seu branco:
invadem seu doce ventre,
conquistam-lhe as entranhas.
.
Depois se vĂŁo, saciados,
singrando os sete céus,
sem saber que sequer tocaram
sua alma de sete véus.
.
Somente o Lobo talvez entenda
seus mais Ăntimos segredos
e a natureza do seu branco.
Mas prossegue, noturno e triste,
sem que saibam por quem chama.
.
Aqui, do meu confortĂĄvel canto,
cresce a vontade de sair Ă floresta
para me solidarizar com o Lobo:
Amigo, eu o compreendo!
Também eu tenho a minha Lua
por quem sonho e por quem canto...
Também eu sei que nunca atingirei
seu tĂŁo precioso encanto.
.
E, no segredo deste instante,
eu e o Lobo somos irmĂŁos
de todos os que amam.
A mesma floresta, o mesmo oceano,
formam este amor que agora arde
e que nos corta como uma chama.
.
Eterna Amada,
de tĂŁo bela,
luminosa e clara,
vocĂȘ me entristece...
.
[BARROS, JosĂ© D'Assunção. Publicado em Letras Raras, vol.11, nÂȘ1, 2022]
â Todos que eu sei que amo e me fazem bem, entendem que sou alĂ©m da carne do mal do humano, que sou uma semente pronta a ser usada para fazĂȘ-los colher frutos de luz.
â Tu tens o gosto de todas as sensaçÔes boas da vida
Tu tens o cheiro de terra molhada
Som da chuva
De pizza quentinha saindo do forno
Isso tudo para dizer que te amo mas o * te amo* por si sĂł Ă© insuficiente para expressar o que realmente eu "te..."
Eu te vejo
Eu te sinto
Meus olhos te penetram
Teus beijos me embalam
E a tua alma... Ah !!!a tua alma..
â Saudades do aroma que preenche a atmosfera do ambiente, pela conexĂŁo dos corpos no balanço gostoso de fazer amor...
â Ela, um sonho distante, um raio de sol,
Que dança em meus olhos, mas nunca me aquece.
Um jardim florido, onde eu nĂŁo posso colher,
Um paraĂso perdido, onde o meu amor nĂŁo cresce.
â Aprende a amar, a amar com a força da pedra,
Sem medo de ser ferido, sem medo de sofrer.
Aprende a ser forte, a ser um gigante de pedra,
Protegido contra o amor, que tanto te pode machucar.
â A paixĂŁo Ă© como uma folha seca
que se incendeia num instante,
consumindo-nos com um fogo voraz,
capaz de inspirar loucuras jamais imaginadas.
Ela queima e fere,
como um parafuso cravado na madeira,
firme no inĂcio,
mas que aos poucos começa a se soltar.
Sabemos que faz mal,
mas quando estamos mergulhados nela,
Ă© como saborear um copo de bebida â
quanto mais provamos, mais desejamos.
Curioso como ansiamos
atravessar essa fase caĂłtica,
apenas para chegar ao porto seguro do amor.
â Lembro da sua doce voz,
dos detalhes no quarto,
e dos lençóis suaves que me cobriam.
Quando eu chorava, esperava
que vocĂȘ me pegasse no colo,
para eu mexer no seu cabelo.
Meus primeiros passos eram uma jornada,
como escalar montanhas atĂ© vocĂȘ,
sempre para estar perto do seu coração.
Os dias passavam,
vocĂȘ mudava e eu tambĂ©m.
Meus cabelos cresciam,
e os seus, aos poucos, se tingiam de novas cores,
que eu nĂŁo entendia,
mas amava.
Lembro de vocĂȘ me segurando,
sussurrando palavras engraçadas,
e eu ria, mesmo sem entender.
Hoje, estou aqui, cuidando de vocĂȘ.
Vejo seus lençóis, seu quarto,
cada objeto com sua histĂłria.
Agora sou eu quem te acolhe,
mas ainda carrego seu coração comigo.
Seus cabelos, assim como os meus,
tĂȘm fios brancos entrelaçados,
e eu te embalo com o mesmo amor.
No final de tudo,
voltamos ao inĂcio.
â
Ficamos quando mais ninguém quis ficar.
Tentamos quando todos tinham perdido as esperançasâŠ
Erramos em achar que ficar seria o melhor.
Sentimos que ficar nĂŁo seria o bastante.
Lamentamos saber que, mesmo nos amando, o bastante nunca chegaria.
E, por fim, o mais doloroso fim⊠nos separamos sabendo que talvez nĂŁo terĂamos volta.
Mas desistir seria tolice e nĂŁo faz parte do meu feitio.
Sei que o destino, o universo, os cĂłsmicos â ou qualquer crença que acredite â nĂŁo querem nos ver juntos. Me pergunto: qual o intuito, entĂŁo, se o amor nĂŁo acabou? O amor nĂŁo se alimenta sĂł de amor? Do que precisa mais? Do que precisa para que eu doei todo meu ser? Para que fique e nĂŁo tire de mim toda a força que coloquei em nĂłs?
Talvez nĂŁo estejamos prontos.
Talvez não estejamos maduros o suficiente para abraçar o que nos une.
Possivelmente, temos que esperar dias, meses, anos para que o amor ou o que falte nos encontre
E dizer que agora sim podemos viver a nossa histĂłria de amor.
Mas, talvez, o nunca mais pode ser o nosso para sempreâŠ
â A cada respiração que dou, sinto cada cĂ©lula tremendo. Sinto como se todo o meu corpo estivesse se rendendo a vocĂȘ.
