Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
PARADOXAL
SilĂȘncio por favor!
VĂȘs como estou feliz?
Ăpio de teus jĂșbilos descasos
Trancafia-me nesta minha, tão conhecida tua, esperança
NĂŁo vĂȘs agora minha tristeza?
Ousas tirar de mim tal ilusĂŁo?
Como podes tirar a minha droga de esperança?
VĂcio que acaricia ao me me espancar
Como ousas nĂŁo me machucar?
Teu sadismo me acalente
Ao longe tu ris até de fratura exposta
Mostrando o cĂĄlcio que tu usas
Para erguer este império de mentiras.
Majestosa construção!
Ora Alice, quanto mais de propĂłsito
Me jogo neste seu paĂs de maravilhas,
Mais perto fico de sua distĂąncia
E quanto mais teimo em permanecer
Pior se torna a volta.
Sabes tanto quanto eu que tudo nĂŁo passa de fantasia, de finitude plena, mas a liberdade de sonhar estar contigo, me desanima da realidade, tĂŁo infinita e instintivamente tĂĄcita.
......em um suspiro,
Percebo que voltei, ouço o silĂȘncio e a incalculĂĄvel escuridĂŁo,
Ouves tais gritos?
Volto ao normal,
Retorno Ă minha ida...
Mas espere...
VĂȘs como estou feliz?
DUROS DIAS
Ă adorĂĄvel Dora Doralice
Diga-me, o que desejas?
Dois dias depois de alguns dias distraidos e distantes
DĂĄ a mim uma desagradĂĄvel dĂșvida
Desde a despedida, os dias dominam a degeneração do meu cotidiano
E a dinĂąmica de minha desilusĂŁo
Discute, e dispÔe-se a lhe dizer:
Duras tantos dias por desgosto?
Ou diz nĂŁo dizer, para nĂŁo deixar tĂŁo a Deus darĂĄ?
Durante o dia deprecio duas declives depressÔes
Da minha e da tua
Diria eu distintas
Mas nĂŁo dito, pois tu nĂŁo me disseste das suas demandas
Despercebido deserto de deplorĂĄvel desgosto
Desfaz-se destas ideias
Debelar-se é um demérito
Se diante de tais decepçÔes desesperar-se
Delata dos teus débeis desabafos
Duvido eu dispensar
Mas, se durante tal diĂĄlogo, dependĂȘncia de vocĂȘ eu demonstrar
Não só peço, desejo, demonstro,
Diversas
Desculpas.
O EU E O AMANHĂ
Finges nĂŁo me ouvir
Finges nĂŁo me ver
Ignora minha efĂȘmera existĂȘncia
A noite morro
Entrego ao sono meus resquĂcios de lembrança
Ă manhĂŁ
Um outro que nĂŁo eu
Ignora o meu velar
Com os restos do cadåver recompÔe as não suas idéias
OLHA A HORA
Falho ser novo
De novo se atrasa
E de tanto ser novo
Possui um velho pensar
MANEQUIM
Longos cabelos de plĂĄstico
Falsos olhos, armados de arame
Cheiro artificial, corpo em fogo
Flores mortas
QuĂmica pura
Amor prĂłprio, apenas por prĂłprio amor dos outros
Hipovascularização, hiper hipócrita, hipnotizante...
Uma vida em incontåveis divisÔes
Todos de tua, nenhuma para si
Aparentemente ilusĂłria altura
Impostora pele, cor mendaz, toque sintético
IntocĂĄvel boca
Vermelha, falsa, lilĂĄs
E no fim, nada,
Tudo a todos,
Em todos nada
Todos em tudo
A si nada, nem ninguém
DOĂARIA
Se tendes a ser doce comigo
Diabetes? Eu? NĂŁo.
Apenas tenho insuficiĂȘncia de insulina,
E alguns problemas com amigos.
InsuficiĂȘncia renal? Eu?
Sou suficientemente capaz de saber que um rei como o prĂłprio,
NĂŁo deixa de reinar por falta de um trono. Tolas pedras matemĂĄticas,
Somam-se de uma em uma
Falhas em copiar a dor que tu me trazes.
A tangente lhe proporciona a oportunidade de ser moça,
Um doce,
Bomba de lactose.
IntolerĂąncia? Em mim?
Sou tolerantemente tolerĂĄvel o bastante
Para tolerar qualquer tolice sua,
Se ao todo e por toda,
Sem sombra de dĂșvidas e sobretudo,
Fizeres por mim.
E o calor deste veste sobre meu corpo nu, Tanto quanto o seu,
JĂĄ me basta para dormir,
Sem nem ao menos precisar sonhar.
E SE...
O ato de ser, estar, pensar
Nos permite um mundo ilusĂłrio
Onde, como se em uma ficcional ilusĂŁo,
Voltar e refazer toda uma vida
Parece nĂŁo tĂŁo improvĂĄvel
Quanto a real impossibilidade.
TER E TENTAR
Estar com outro
NĂŁo Ă© estar
Sentir, consentir
Nada mais Ă© do que um lapso do que nĂŁo foi
O que poderia ser, imaginar,
Talvez em outra linha temporal
Uma chuva sem previsĂŁo, um baque, um pingar
Talvez no final, nĂŁo seja como nĂŁo Ă©,
NĂŁo seja o que vocĂȘ achou que seria, talvez,
O desejo, uma perspectiva de algum outro "e se?"
Nos escapa de um limite natural,
A dor de nĂŁo ter algo que de fato nĂŁo Ă© tudo que nĂŁo pude ter,
Ecoa, marca e demarca um decurso lacunar, Tira o gosto do estar,
Tira ao todo a função måxima de ser; viver.
CORAĂĂO PARTIDO
Quando a pessoa com quem vocĂȘ quer passar o resto da sua vida,
Quer passar o resto de sua vida,
Com outra vida, e outro resto de pessoa,
Com outros passados e memĂłrias,
Ă o momento em que os lapsos de vida,
De pessoas e de passados, se colapsam e entrelaçam-se,
Onde a rota do resto de perfeição encontra seu fim,
NĂŁo hĂĄ forma, nĂŁo hĂĄ resto, e nem hĂĄ possibilidade,
Para o resto de uma possĂvel forma de vida,
Duas escolhas distintas de pessoas passadas,
Que nĂŁo possuem um mesmo desejar,
Nem desejam ao menos passar seus desejos aos mesmos.
E ao amor, digo a ele, "chegou seu fim"
Que venha a dor somĂĄtica.
FALSA IDADE
Ela nĂŁo se transformou,
Ela se adaptou,
Pois a vida a dois no seu jogo de 21,
à a atual seleção social.
Talvez sem interesse por amor,
Lhe tenha um amor por interesse,
Uma lacuna na qual crianças um dia hão de preencher.
PorĂ©m nem os tumultos que movem o lar, Que quebram as coisas e os silĂȘncios, AfastarĂŁo o desconforto ao estranho que dorme ao lado,
E que de lado deseja; "dorme bem"
E sente; "eu te amo".
Inspirado em "Se te queres matar, porque nĂŁo te queres matar?" - Ălvaro de Campos (Fernando Pessoa)
O amor nĂŁo Ă© prĂłprio, o amor Ă© universal, um sentimento sentido por todos, nada exclusivo, nada novo. Se pensares que todos amam, qual o sentido de seguir um padrĂŁo existencial prĂ© definido pelo simples fato de existir? De ter todos os prĂ© requisitos biolĂłgicos que te fazem apto a nĂŁo ser nada alĂ©m de uma repetição natural com uma leve singularidade? NĂŁo tĂŁo singular aliĂĄs, nĂŁo tĂŁo singular quanto achas que pode ser autĂȘntico. Se paras pra pensar sĂł um pouco, verĂĄs que nem isso te faz outro, quantos estĂŁo parados a pensar? te fazendo ser um mero numeral dentre tantos outros? Se esperas buscar algo novo no mundo, creio que veio tarde de mais para tal deslumbre, e cedo de mais para poder voltar atrĂĄs e tentar ser ao menos mais vocĂȘ, ou ao menos algo que nĂŁo outro. NĂŁo a nada de excitante em viver, tudo que te faz, a outros fazem e jĂĄ lhes foram feito, tu nĂŁo Ă©s nada alĂ©m de mais um, e mais um estĂĄ fadado a ser. E se este Ă© o sentido da vida? Ătimo, nem sem ela, ou fora dela tu deixarĂĄs de ser nem ao menos tu mesmo.
PENSAMENTOS
Ontem te pensei apenas duas vezes, nada mais, te pensei em um momento irracional com conexĂ”es remotas de lembranças, e te pensei ao dormir, antes de imaginar-nos como seria. Hoje pela manhĂŁ, comecei te pensando, ao ouvir aquelas mĂșsicas, tantas mĂșsicas aquelas, estĂĄ lembrança sonora que te fazias pensar tambĂ©m; me fez pensar-te mais uma vez. Ao agora, levo como excessĂŁo, pois te penso ao te escrever. E pensar que a um tempo, o ato de nĂŁo te pensar era a grande excessĂŁo de meus pensamentos. Te deixo de pensar para poder perguntar-me; no tempo em que mais te pensavas, ao menos pensavas em mim? pois ao ver teu lĂquido de lembranças se esvair em meus dedos mentais ao menos tu devias ao seu eu imaginado em mim, nĂŁo digas que deixou-te morrer em lembranças, te tinhas como ser perfeito, tinhas obrigação com si mesma, de te salvar como pensamento, antes que eu nĂŁo pudesse mais te pensar. Hoje o que restou foi um abraço, um sorriso e um borrĂŁo em forma de silhueta, te decompuste sem querer ao nĂŁo te mais pensar, mas juros que tentei, cheguei ao ponto de te pensares tanto que nĂŁo sabia nĂŁo te pensar, porĂ©m este rabisco putrefado no chĂŁo, nada Ă© mais, do que pensamentos
NĂłs ainda nos veremos, tocaremos um no outro, veremos o sorriso um do outro, veremos os olhos um do outro lacrimejarem de felicidade, ou de tristeza.
Pode demorar uma semana, um mĂȘs, um ano, dez anos, nĂŁo importa quanto tempo leve, eu esperarei.
"Forte é aquele que resiste às tentaçÔes diårias sem questionar se existe ou não pessoas perfeitas, e procura ser cada dia melhor ao lado de quem o ama."
Existe um arco-Ăris
Que reflete na minha Ăris
Muda meu conceito
Sobre o preconceito
E hoje em dia sĂł se fala em polĂtica
PolĂtica e poder
Mas sĂł temos uma vida para viver
Que tal pararmos um pouquinho para compreender?
Que estĂĄ faltando
Faltando o Amor
Todos querem ser vencedores
Mas Ă© realmente importante vencer da maneira que for?
"Ignorar a riqueza de recursos herdados da força criadora da vida Ă© transgredir a lei do equilĂbrio entre o doar e o receber."
"Tudo o que fazemos ou deixamos de fazer hoje, Ă© reflexo do tipo de pessoa que nossa mente consciente ou inconsciente diz que somos."
Ame e o passado jå é lembrança.
Ame e o futuro jĂĄ sĂŁo sonhos.
Ame e o presente jĂĄ Ă© realidade.
O tempo nĂŁo conta quando se ama.
Ame jĂĄ Ă© amor.
