Incomodar Alguém
A verdade incomoda; a força resolve. Por isso alguns preferem negar a primeira para exercer a segunda.
Estamos cheios de resíduos de coisas que nos incomodam por não terem mais validade, mas que teimam em se manifestar.
Sempre que houver divisionismo
o poeta pelo fato de existir,
alguns com ele irão se incomodar,
sem mesmo por eles procurar.
Ele é quem tem a ousadia de fechar
a porta quando alguém fizer
a cortesia para a guerra entrar,
e muita inspiração para encorajar.
Ciente que a poesia é feita de pausa,
para a cada novo momento respirar,
o poeta quando cala a poesia vira mar.
Com ou sem licença poética,
não receia por nada a palavra partilhar:
como as sementes dos ipês a se espalhar.
Com tantos incomodados com as flores que os mortos recebem, nota-se que a inveja não é pelo que se pode juntar — mas espalhar.
Talvez o que realmente doa em muitos que ainda respiram, de fato, não seja a homenagem tardia, mas a lembrança silenciosa de que algumas vidas, mesmo encerradas na terra, continuam semeando.
Há os que colecionam méritos, aplausos e conquistas como quem ergue as muralhas da vaidade; e há os que, sem sequer perceberem, deixam pétalas pelo caminho.
E é justamente aí que — quase sempre — nasce a inquietude: não na flor depositada sobre a ausência, mas na constatação de que há presenças que jamais se apagam.
Os vivos que não recebem flores — que lutem!
Ajuntem menos, espalhem mais!
Porque o verdadeiro legado não é aquilo que se acumula nos bolsos — é aquilo que, mesmo depois, insiste em perfumar o mundo.
O curioso não são soldados do exército pintando meio-fio, mas isso incomodar só os especialistas de uma guerra só:
a Palavrosa.
Porque há algo profundamente revelador no tipo de indignação que escolhemos cultivar.
Não é a fome que escandaliza.
Nem é o abandono.
E nem é a corrupção cotidiana que envelhece o país antes do tempo.
O que incomoda é a estética da simplicidade.
Um homem com enxada parece digno.
Um operário com uniforme parece digno.
Um gari varrendo rua parece digno.
Mas um soldado limpando praça ou pintando meio-fio vira símbolo de humilhação nacional para quem aprendeu a confundir utilidade com discurso.
Talvez porque a guerra palavrosa precise desesperadamente parecer mais importante do que é.
Existe uma elite emocional que vive da liturgia da crítica.
Não produz ponte, não recolhe lixo, não organiza fila, não constrói muro, não protege fronteira, não assenta tijolo — mas comenta tudo como se governasse o universo pela força do vocabulário rebuscado.
E, quando vê alguém executando uma tarefa simples, concreta e visível, reage com ironia, porque o concreto expõe a esterilidade do excesso de abstração.
Há gente que prefere um país perfeitamente teorizado e completamente abandonado a um país imperfeito, mas funcionando.
A tragédia moderna talvez esteja nisso: transformamos toda ação em símbolo, ideologia e todo símbolo em guerra moral.
Já não perguntamos se algo ajuda, organiza, melhora ou serve.
Perguntamos apenas se aquilo alimenta a narrativa que escolhemos.
E assim, pintar um meio-fio deixa de ser manutenção urbana e vira tese acadêmica improvisada.
Enquanto isso, o país real continua existindo longe dos debates performáticos.
Porque o país real pega ônibus cedo…
Troca de turno.
Limpa-chão.
Carrega peso.
Conserta rede elétrica.
Desentope outras.
Entrega comida.
Bate continência.
E, no fim do dia, entende uma verdade silenciosa que os sacerdotes da guerra palavrosa raramente suportam admitir:
Toda civilização depende muito mais de quem faz do que de quem só tenta diminuir quem fez.
Pare de pedir licença para existir.
Você já adiou muitos começos
tentando não incomodar.
Mas a sua vida não foi feita
para acontecer nas margens.
Você não nasceu para assistir de longe
à história que Deus escreveu para você.
Essa inquietação no peito,
esse desejo de mudar,
essa vontade de ser mais inteira...
talvez já seja o sinal que você tanto esperava.
Levante-se.
Escolha-se.
E vá viver a vida
que também está esperando por você.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
"Engraçado como o meu sonho incomoda quem vive no automático. Se a minha coragem te assusta, prefira o silêncio ao julgamento."
A música que diz: "Sentimento ilhado, morto e amordaçado, volta a incomodar". É uma realidade que ninguém está livre de tais sentimentos. Quando caímos na real e saímos dos devaneios, entendemos um pouco daquilo que somos. Por isso, o coração só encontra paz quando é colocado nas mãos de Deus e isso também, não é tão fácil, mas é possível!
Às vezes Deus usa nossa presença para incomodar o que precisa ser tratado.
Isso não te torna responsável, só obediente.
Você não é refúgio emocional de ninguém. miriamleal
Nem todo incômodo é rejeição.
Às vezes é convicção.
Às vezes é o Espírito tocando onde dói.
Às vezes é Deus dizendo: “Eu quero tratar isso”.
Por isso, não diminua sua luz para caber no desconforto alheio.
Permaneça manso, firme e cheio de graça.
Quem quiser cura, vai permitir. Quem não quiser, vai resistir, mas a semente foi lançada.
“Vós sois a luz do mundo” (Mateus5:14).
Luz não força… apenas brilha . miriamleal
