Incomodar Alguém
Não há melhor momento que o outono para começar a esquecer as coisas que nos incomodam. Deixar que se soltem de nós como as folhas secas, pensar em voltar a dançar, aproveitar cada migalha de um sol que ainda esquenta.
Não me incomoda a quantidade de curtidas no Facebook. O que parece ser negativo é, na verdade, uma forma de identificar o desinteresse ou a falta de afinidade dos que são ativos nesta rede mas não me veem ou não me “like”.
Um dia a dor que sinto que hoje incomoda, será o motivo da minha glória.
As minhas palavras que causam coceiras nos ouvidos, serão tratados de sabedoria.
As minhas canções de ninar destonadas que enojam, serão como as cantadas por anjos.
Os meus sonhos que são insanos, serão os mais belos projetos de um homem.
Os meus beijos e abraços rápidos, medidos pra não causar abusos, serão desejados nos suspiros de saudades.
Atinar que se é melhor quando morrer, revela a fragilidade humana.
A ficção é a zona de conforto pincelada artificialmente por nós; a realidade é o incômodo criado livremente por Deus
o Espirito incomodado com o estado de desordem, antecedendo o pensamento e a materialização de uma ideia do Instante iluminador e criativo
NOVA FACE
Houve um tempo que este silêncio me incomodava,
O passado desfilava belo e elegante,
Diante de sintomas, que desfaleciam o meu presente,
Pensei que isso era ficar velho;
Pensei que este era o pensamento de quem envelhece.
Olho a lua tranqüila, entre nuvens que passam...
O silêncio hoje é meu aliado;
A noite tem segredos inconfessáveis
E o silencio conspira de uma forma misteriosa
Para esse momento lúdico e profícuo
Houve um tempo que, o silêncio gania como uma alcatéia
E eu me encolhia num momento qualquer da infância,
A procura do Batman e do Robin, para um tipo qualquer de defesa...
hoje o silêncio chega vertiginoso,
E eu me equilibro a mil metros de altura,
Numa espécie de slack line emocional,
Há um eclipse meu, comigo mesmo
Onde surge uma nova face,
calma e insensata, cúmplice de todos os silêncios...
