Ilusão Imbecil
- Sweet ignorantia
Amor meu, dê-me um beijo e,
me leve novamente para a doce ignorância.
Pois o excesso de lucidez quer me engolir!
Preciso sonhar um pouco,
assim como os sonhadores o fazem.
Pois assim vivem todas as coisas;
até os confins do universo sabemos que,
por regra há de ter equilíbrio em tudo.
Precisamos da noite, e depois do dia.
Ansiamos o verão para logo depois,
esperar o inverno.
O caos só é caos pois existe a ordem.
Me deleito então em seus braços,
braços esses que busco com sede insaciável;
pois sei que meu âmago não suportaria,
uma vida em total lucidez. Necessito...
Necessito de ti amor meu! Me resgate!
Me embebede com as ilusões, faz-me crer que,
nesse mundo há segurança, há sentido, há amor..!
E viveremos eternamente: outrora nos puxando,
outrora nos empurrando.
Pois vê-se a ambivalência, hora lhe faço bem,
hora lhe faço mal. E num sonho vou me arrastando,
nessa doce ignorância. Sem consciência de que,
tão miserável e sem sentido qualquer: essa sou eu!
_ACASO DE UM AMOR_
Te plantei em mim, em loucura e lucidez
Dia a após dia
No anoitecer me cobrir em lágrimas, porém, amanhecer me fez sorrir
Te acariciava com o meu pensamento
Onde você sempre esteve presente
Mesmo no oculto da tua existência
Pois lhe preocurava sem ter noção do que seria
Mais a medida em que vida foi se movendo
O destino nos uniu
A mesma rota que te trouxe, afugentou me Esse amor se
transformou em desespero
A solidão tomou conta da aquilo que a felicidade deveria
tocar
Com o tempo me reconciliei com o equilíbrio
O amor voltou a ser simples, moldou em gratidão
Pulde vê com clareza, todo aquele sentimento foi medo de estar só
E hoje sei viver com ou sem você
porém não sem mim
Nós não somos a soma de tudo que vivemos ou herdamos; nós pensamos que somos, logo, é o que somos. O que realmente somos, não reconhecemos como ser, logo, somos a ilusão de ser, o que na verdade, não somos...
Preso num quadro louco e imundo
sou mais um abstrato vagabundo
feito pra enfeitar a tua sala de estar.
Fantasia insana e barata,
que te deixa mais alucinada.
Eles querem que você
se perca até esvaecer.
Abstinência de ilusão, você não se decide
se quer resistir.
Surgindo da escuridão, brutalidade no coração, acho que me fodi.
Tenho vivido em um mundo
onde tudo é fútil e inútil, acho que é melhor eu fugir daqui.
O ódio é maior que a esperança,
o homem destrói em abundância.
Acho que é melhor eu fugir daqui.
Faço parte desse mundo cão, eu não sei !?
Sou animal e vocês também.
Gosto de ver sangue jorrar pelo chão,
então não vem me chamar de irmão!
Eu achava que precisava de companhia, de dinheiro, de coisas... Mas essa sensação de vazio que pede para ser preenchida é apenas uma ilusão. Viver não exige porquês, e o propósito? Ele não está em encontrar, mas em ser.
As pessoas passam a vida esperando o dia do pagamento. O emprego ideal. O dia em que arrumarão alguém para casar. O dia em que tiverem filhos. O dia em que tiverem netos. Não percebem que a vida passa, enquanto esperam a felicidade. A felicidade é hoje, faça acontecer.
Qual a diferença entre otimismo e teimosia? O teimoso tenta esvaziar o oceano com um conta-gotas, iludindo-se de que, com mais conta-gotas, um dia vai dar certo. Já o otimista percebe a vastidão do mar, aprende a nadar e aproveita a imensidão. Viva a vida!
“Existem olhos que não se fecham somente ao dormir; um exemplo é a corda, cuja versatilidade depende das mãos que a manipulam.”
O medo tem o poder de distorcer nossa percepção, fazendo-nos enxergar como reais aquilo que não passa de ilusões.
Talvez o amor esteja escondido no abstrato da tua alma, ou talvez, tua alma esconde o amor da tua ilusão.
Flávia Abib
" Minha melhor versão é estar na solidão por opção, mas também pela necessidade de autorreflexão e compreensão da relações humana. E não por falta companhia, por entender que caminhar sozinho consigo ter mais percepção do ser humano que cada vez mais estão vivendo no mundo da ilusão."
Hora, hora, parece que temos aqui mais um verme desesperado, arrastando-se em busca da atenção de alguém que já o descartou como lixo após séculos de suposta 'amizade'.
Erga-se e enfrente a verdade, pois aquele ser era apenas um entre os inúmeros insignificantes que povoam o seu mundo.
Não se rebaixe a implorar por migalhas de afeto, pois há quem valha muito mais do que essa insignificância.
E quando finalmente despertar para essa realidade, esmague com sua soberba a cabeça daquele que te abandonou, fazendo-o sentir o peso avassalador do seu novo ego e orgulho.
Sinta-se imponente diante da sua própria arrogância, pois é isso que irá te definir como o melhor.
“Ele [o ego] é um traço sutil entre o corpo e a pura consciência. Ele é irreal. Se você observá-lo com muito cuidado, ele deixará de causar aborrecimentos, mas desde que você queira prendê-lo, a ilusão de sua existência estará sendo fortalecida.”
“O corpo, a mente, os sentidos, a personalidade, todos são atributos do ego. Aquele que se identifica com o corpo, pensando que o efêmero é real, fica preso pelo poder dos sentidos, porque é na falta de discernimento que se origina a ilusão. ”
VÍCIOS VAZIOS são duas palavras que sintetizam bem o momento atual, onde as pessoas estão presas em um enorme vício de vazio. Nada acontece por acaso; há um poder invisível preenchendo cada ilusão de vazio.
Num espaço dedicado ao cultivo do corpo e do espírito, surge um homem cuja alma anseia desvendar os mistérios do Karaté. Vestindo o cinto branco, emblema de pureza e iniciação, ele comparece aos treinos, embora o seu esforço seja tão efémero quanto a brisa fugaz.
Encantado não tanto pelo rigor do treino, mas pela camaradagem e pelas conversas pós-luta, regadas a cerveja, ele busca mais do que a maestria técnica: procura a camaradagem que tanto anseia, numa jornada onde o esforço parece ser um mero detalhe.
Entretanto, à medida que o tempo avança, ele percebe que o reconhecimento do mestre não lhe é concedido, não obstante a sua presença constante. Tal constatação desperta nele uma chama de insatisfação, alimentando a decisão de se desviar do caminho estabelecido.
Assim, unindo-se a outros de espírito semelhante, ele empreende a criação de um novo dojo, onde as promessas de ascensão rápida e a promiscuidade social são as novas moedas de troca. Adquirindo o cinto negro não pela via da dedicação, mas pelo poder monetário, ele ergue-se como o grande Sifu, iludindo-se com a miragem da autoridade.
Neste ambiente que ele próprio forjou, rodeado por almas cúmplices na sua ilusão, o fracasso torna-se motivo de celebração, enquanto a excelência real é eclipsada pela máscara do sucesso fabricado. Na encenação do poder e prestígio, refugiam-se, ávidos por uma validação que não encontram nas suas vidas para lá das paredes do dojo.
Os verdadeiros buscadores da arte, ao vislumbrarem a futilidade deste teatro de vaidades, logo se retiram, deixando para trás aqueles que preferem o simulacro do conhecimento à árdua jornada da aprendizagem genuína. E assim, o dojo prospera, não pela luz da verdade, mas pela sombra da ilusão, onde o ser e o parecer se entrelaçam numa dança sedutora.
