Igreja

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Que a alta do café não vire pretexto para torrarmos a paciência dos outros!
Amém igreja?

O encardido está decorando o salão nas profundezas para celebrar as bodas da Igreja com o Estado.


Não será festa de amor, mas banquete de conveniências.


O altar se mistura ao palanque, e os votos são jurados não diante de Deus, mas diante do poder.


As taças não transbordam de vinho, mas de vaidade.


O coro não entoa cânticos de fé, mas hinos de domínio.


Os convidados não são santos, mas cúmplices.


E enquanto a celebração se desenrola nos porões da alma coletiva, o povo, aturdido, dança sem notar que a festa é de luto.


Porque toda vez que a Igreja se deita com o Estado, quem sai órfã é a Verdade.

⁠Um trisal tão nefasto entre a Igreja, o Estado e seu Braço Armado só poderia parir tamanha aberração.


Não há sutileza nessa união — ela sempre carrega consigo os germes do abuso e da manipulação.


Quando a fé se deita com a política, e ambos convidam o braço armado para o mesmo leito, o resultado buscado nunca é comunhão, mas o controle da nação.


A Igreja, que deveria consolar, torna-se cúmplice do silenciamento.


O Estado, que deveria servir, converte-se em senhor.


E o braço armado — que deveria nos proteger — se vê no direito de intimidar.


É nesse pacto que o sagrado se prostitui, o político se corrompe e a violência se legitima.


Não é difícil reconhecer os frutos dessa aberração: consciências domesticadas em nome da obediência, corpos disciplinados pelo medo e uma sociedade moldada não pelo diálogo, mas pela imposição.


O trisal nefasto não gera filhos livres, mas servos disfarçados de cidadãos.


E talvez o maior desafio não seja tão somente apontar os riscos sem precedentes dessa união, mas perceber como, vez ou outra, ela continua a ser desejada por aqueles que temem mais a liberdade do que as medonhas grades invisíveis da prisão.

⁠Sempre que a igreja se deitar com o Estado e seu braço armado, há que se esperar qualquer coisa, inclusive o trisal parir uma aberração.

⁠Se um terço dos cristãos pregasse mais Cristo que igreja, o caminho para a volta d'Ele certamente já estaria preparado.


Talvez, se assim fosse, o mundo reconhecesse com mais facilidade os sinais do Reino que já está entre nós.


Porque a Igreja, quando fiel à sua missão, não é fim — é caminho.


Não é vitrine — é serviço.


E nem é trono — é cruz.


O problema nunca foi a Igreja enquanto Corpo vivo, mas o risco constante de transformá-la em discurso, identidade social ou instrumento de pertencimento, quando sua razão de existir é apontar para Cristo.


Cristo não fundou uma instituição para ser adorada; fundou um povo para amar.


Não chamou seguidores para defender muros, mas para lavar pés.


Nem pediu marketing de fé, pediu testemunho.


E o testemunho mais eloquente continua sendo uma vida que se parece com a d’Ele.


Quando pregamos mais a Igreja do que Cristo, corremos o risco de anunciar um endereço e esquecer o Caminho.


Mas quando pregamos Cristo, a Igreja se cumpre: torna-se sinal, ponte, casa aberta — nunca obstáculo.


Preparar o caminho para a Sua volta não é fazer mais barulho religioso, mas produzir mais frutos do Espírito.


É menos disputa por razão e mais entrega por amor.


Menos bandeiras e mais cruz.


Muito menos autopreservação e mais conversão diária.


Talvez o mundo não esteja cansado de Cristo…


Mas talvez esteja apenas cansado de não vê-Lo refletido com clareza, sobretudo pelos evangelizadores mais preocupados em apontar o caminho da igreja do que d'Ele.

O mundo caminha pelo lado da tentação; a igreja, pelo lado da santificação.

A santificação do Senhor qualifica a igreja para fazer boas obras.

Se existem tantos livros excelentes sobre como promover o crescimento produtivo da igreja, porque a liderança não investe recursos e treinamento de novos membros?

A igreja que deseja ministérios sadios evita a exaltação de ovelhas privilegiadas.

No tabernáculo a santificação do povo era anual;
na vida da igreja ela é diária.

Existe uma diferença enorme entre uma igreja transformada
e uma igreja frequentada: a primeira opera pela fé na Palavra de Deus e a segunda, aguarda a sua transformação, buscando o mundo.

Quão difícil é para uma liderança de igreja permitir que seus próprios deslizes e pecados sejam corrigidos ou disciplinados por um membro sábio e experiente, quando pelo arrependimento pode gerar um rebanho mais forte, apto e confiável como um todo.

Líderes eclesiásticos que mantêm a liderança da igreja apenas pela postura física, pela expressão do dinheiro e pela sua falsa religiosidade, são verdadeiras pedras de tropeço para o restante do rebanho, porque adoram mandar, sem primeiro servir.

Se a igreja é uma benção deixe então que a benção tome conta da igreja; isto é, que ninguém impeça os dons do Espírito de agirem sobre ela.

Se ministérios espirituais podem ajudar no crescimento e na edificação da igreja, fale com com sua liderança para pôr em prática os dons do Espírito Santo.

Imitem o altruísmo de Jesus e convidem que outros ocupem o lugar de honra dentro da igreja: dons não podem ser ignorados e esquecidos para que ela cresça.

Os dons extraordinários, dados por Deus, devem edificar a igreja toda para o crescimento de seus ministérios.

Conceitos errôneos da liderança da igreja podem ser corrigidos, não necessariamente pelos líderes, senão pelos membros que adotam a sabedoria e o poder da Palavra de Deus.

A igreja de Cristo deve ser vista, amada e reconhecida por toda a sociedade em que vive, e não oculta por causa de membros envergonhados de suas ações, palavras e pensamentos.

Se a igreja se esfriar por dentro, o Diabo vem com o seu maçarico para esquentá-la do lado de fora.