Igreja
A maioria das pessoas não abandona a igreja por causa da decepção. O mundo as decepciona desde o primeiro fôlego, fere seus afetos e quebra suas expectativas; ainda assim, elas continuam caminhando por ele. A decepção quase nunca é o fim da jornada. Ela apenas revela a direção para a qual o coração já vinha seguindo.
O maior perigo para a Igreja não é a perseguição do mundo, mas o aplauso dele. Quando o Evangelho deixa de confrontar, talvez já tenha começado a se conformar.
Feliz é a igreja que tem um pastor que não negocia a Palavra e vive a graça com integridade, abrace-o e o sustente com todo o seu afeto e orações. Na floresta de interesses e manipulações que infelizmente se tornou o cenário religioso, homens que carregam a coragem de pregar o evangelho sem medo ou barganha são pérolas raras.
Há uma religiosidade que vê só os defeitos da igreja; e há o Evangelho, que nos ensina a amá-la mesmo vendo todos eles.
A igreja moderna consulta currículos; a igreja apostólica olhava para a mesa de casa. O lar revelava quem o homem realmente era.
A tragédia do Éden é o escândalo da igreja moderna. Como Eva, a noiva de Cristo trocou a autoridade inabalável das Escrituras Sagradas pelo engano do próprio coração. Não queremos um Deus que nos governe, mas um 'deus' que justifique nossas emoções.
O Evangelho não se transmite apenas por dogmas ensinados na igreja aos domingos, mas pela cosmovisão respirada em casa. Quando os pais abrem mão de ser a referência primária de verdade e significado, o vazio é inevitavelmente preenchido pelos "deuses" e poderes da nossa época.
Olhem para o estado da igreja atual. Como podemos discernir o falso se não nos importamos em conhecer o verdadeiro? Se não há paixão pelas Escrituras, se não há temor ao estudar a teologia ortodoxa, e se desconhecemos o testemunho dos pais da igreja primitiva, nosso julgamento está corrompido. A nossa ignorância doutrinária é o solo fértil onde os falsos mestres prosperam sem serem contestados.
O abandono da ortodoxia cristã e a remoção dos marcos doutrinários da Igreja primitiva geram um vácuo teológico. Sem o referencial da Verdade, a presente geração sofre apostasia, tornando-se um alvo vulnerável para falsos profetas e falsos mestres.
Corremos o perigo de nos tornarmos uma igreja rica em emoção, mas órfã de profundidade; apaixonados por um Jesus que celebramos nos altares, mas que pouco conhecemos na intimidade de Sua Palavra.
O grande drama da igreja contemporânea não é a ausência de fervor, mas a profundidade de sua ignorância. Estamos erguendo uma geração de corações inflamados por uma paixão superficial, cujas mentes permanecem vazias da verdade bíblica. Eles professam um amor ardente por um Jesus que, na realidade, desconhecem, pois adoram um reflexo de suas próprias imaginações, e não o Cristo revelado nas Escrituras.
Ouça bem: O fim está decretado: Cristo volta para Sua igreja fiel. Quer o mundo creia, quer zombe, o trono dEle está estabelecido e o Seu povo será recolhido.
Uma igreja que celebra o talento acima do caráter confunde o palco com o altar. O verdadeiro poder da comunidade cristã não reside nas habilidades naturais que exibimos, mas na transformação sobrenatural do nosso coração.
Se encontrássemos uma igreja perfeita, sua própria perfeição nos excluiria imediatamente. A verdade bíblica é que a comunidade de fé não é um clube de elite para os moralmente bem-sucedidos, mas um hospital divino para os espiritualmente falidos. O evangelho não nos oferece um troféu pelo nosso desempenho; ele nos oferece o socorro gracioso de Deus para o homem caído.
A igreja moderna está cheia de animadores de auditório entretendo o povo com superficialidades; o que nos falta são homens para expor as nossas misérias e para nos fazer cair de joelhos, prostrados pela graça, em vez de nos levantar cheios de soberba e justiça própria.
No corpo de Cristo, que é a Igreja, os membros compartilham as cicatrizes uns dos outros. Sem compaixão pela dor alheia, ela perde o coração do Pai.
