Ignorância
Quase sempre, quem tenta ganhar uma discussão no grito, esconde a revolta muda da própria ignorância e do trato com o raciocínio lógico.
O uso correto da palavra pode levar opiniões divergentes a um denominador comum.
A gritaria só convence a todos que a presenciam que a ignorância fala mais alto, mas não tem força para garantir vitória.
Presos pelo medo , de se revoltar contra a sociedade injusta e ignorante , em que todas as pessoas tem que seguir um padrão insuportável e gastante , para no final de tudo acabar como mais uma pessoa enganada pelo tempo.
Para mim, todos aqueles que falam maldades do pai da psicanálise, além de serem irmãos da ignorância, afirmam algo sobre o qual não têm conhecimento.
As vezes me calo diante da estupidez, da ignorância, não por por não ter argumentos pra me defender, me calo para evitar contaminar a alma.
Receita para Felicidade
1kg de Ignorância
2 litros de Desapego
3 colheres Autoconhecimento
1 ramo de Otimismo
2 xicaras de Liberdade
500gr de Arrependimento
1 litro de Humildade
2 barras de Coragem
Recheio
2 Tabletes de Amizade
2 Latas de Amor
Modo de Preparo:
Misture a Ignorância com o Desapego em uma panela e reserve.
Bata o Autoconhecimento com Otimismo e a Coragem, depois espere por uns 20 minutos para massa crescer.
Rale a Humildade com Arrependimento peneire e reserve.
Unte uma forma com Liberdade, despeje a massa, misture a Humildade com a Ignorância e o Desapego. Recheie com os tabletes de Amizade e cubra com as latas de Amor.
Leve ao forno alto por 20 minutos. Retire depois sirva.
Dica de acompanhamento: Sofrimento e tristeza combinam muito bem com felicidade. Experimente!
Um conhecimento extremo pode levar um homem a loucura. Uma ignorância acariciada pode leva-lo a escravidão.
A ignorância pode ser algo belo, quando se aproxima ingenuidade, como pode ser algo monstruoso, quando se compara a intolerância.
A escravidão animal deveria ser enterrada juntamente com a ignorância humana no cemitério do passado”
O Poeta
Felizes os ignorantes que nada sabem,
Que não se questionam sobre o mundo,
Sobre a vida, sobre os problemas da civilização,
Sobre as guerras que tantas vidas ceifam
Sobre a nossa história claramente imperfeita.
A ignorância é o maior dom da humanidade.
Invejo um cérebro plenamente letárgico,
Uma mente inútil, fraca e impotente.
Aquilo que faz de nós poetas, o nosso sentimento,
Faz também de nós infelizes incuráveis.
Sinto uma refrescante sensação de caneta na mão.
O unir letras em versos quase arbitrários faz-me sonhar
No meio da subjectividade deste novo ambiente.
A tinta corre-me nas veias, pelo meu já velho coração
E dá-lhe a força de uma vida nova. A força da imaginação.
No final da minha alucinação extasiante, embriagante,
Posso rever vezes infindáveis este segundo maravilhoso
E por momentos voltar a cair numa ilusão quase perfeita.
Quase perfeita… Porque infelizmente a tinta não é eterna
E algum dia a folha teria de chegar, tristemente, ao fim.
