Homem Destroi Mundo
Nota-se o mundo melancólico onde vivemos, nação contra nação, enfermidades se alastrando, pessoas carente de atenção e a saúde espiritual contaminada pela incredulidade humana. Contudo, o Cristão anda na contra mão do mundo, em Romanos 12:2 lemos: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Não se conformar é não ter a mesma forma, em outras palavras é não estar na mesma direção. Deus requer de cada cristão que ande na contramão deste mundo. Amém!
Num mundo cada vez mais competitivo, quem para de aprender fica para trás. O sucesso duradouro não é de quem faz o básico, mas de quem faz do aprendizado um estilo de vida.
Leandro Melero
A POESIA FAZ O MUNDO GIRAR
A lua minguava no quarto,
No quarto minguante
E antes da luz da aurora
Minha estrofe dizia
Que a poesia faz o mundo girar
A poesia faz o mundo girar
A poesia faz o mundo girar
Respire fundo,
Pise firme,
Morda forte,
Amarre a estrofe,
A trova,
O verso e o reverso
O universo é tão pequeno,
Tão pequeno
Que peno ,
No eixo do mundo
Mal cabe uma estrofe...
A poesia faz o mundo girar,
Faz o mundo girar
O sol nasce todo dia
E a via láctea amamenta seus planetas
E na insolência da tarde
Ardem tezes mais claras
E minha poesia dizia
Que qualquer ausência
Arde mais que qualquer raio de sol
A poesia faz a terra girar
Faz as fases da lua
Só menstrua em anos bissextos
Produzindo mais tempo pra nossa existência...
Eva comeu a maçã,
Adão comeu Eva
A serpente comeu os dois
E desde então o mundo é assim
Desejamos sempre o fruto proibido...
No Rio todo mundo é poeta
E ninguém é ateu...
Diante de tanta beleza, é fácil ser romântico
E tudo é prova da existência de Deus
CAPITAL DO MUNDO
Quando olhei as escadarias da penha,
Nos meus delírios
O mundo lá de cima seria meu
Os lírios do campo e todos os lírios da minha rima
A contemplar o mundo como um deus
Meu Deus que povo feliz,
Que vê o mundo sempre de cima
Da Penha, dos olhos do Cristo,
Da Tijuca, do Pão de Açúcar
E todos os manjares que a gente degusta...
Por isso bahias, paraíbas, e pernambucos
Sejam brancos ou mamelucos
Falam como eles, se vestem como eles...
O Rio é a capital do mundo,
O mundo quer ser carioca
Esse povo relaxado e feliz
Que manga das dificuldades
Gargalha com as necessidades
E brinca de guerra nas favelas
Morre de balas perdidas
Ou se suicida mas vai pro céu...
O TIGRE E O SOL
Uma deusa pintou o mundo de amarelo e preto
pôs duas presas, muitas surpresas então surgiu o tigre
quando o sol se punha
a tigresa era o punhal no peito do pensador
seus beijos eram as unhas
que arranhavam o amor
e quando o sol se nivelava com a floresta
o tigre pulava pros trópicos em chamas
o tigre urge e o tempo ruge,
quem diz o contrário se engana.
Nas noites os olhos do tigre iluminava as savanas
predador sem igual ele caça o sol
ou o calor que emana no sangue
o tigre e o sol viram as florestas arderem em chamas
viram as árvores tombarem
ante a violência humana
e a solidão felina aderiu a noite como caminho,
a solidão como ninho
e o crepúsculo como o carinho da diva solar...
Depois do fim do mundo, quando ocorrerá o juízo final
Os santos habitarão Angra
E nunca mais agruras, saudades nunca mais;
Era o que propunha tanto deslumbramento
Naquele final de tarde,
Os seios peras de Janice pareciam sustentar o ocaso
Já era tarde demais
E dentro dos seus pesadelos
Pesava o pesar de pesar a dor
Ele comeu a namorada
A mãe da namorada, a irmã mais nova,
A vó andava muito carinhosa
E o seu sogro lhe olhava estranho...
Ele comeu a namorada,
A mãe da namorada,
A irmã mais nova
E a tia lhe dava selinhos...
Já era tarde demais
E sua cabeça fervilhava
E no final de tarde
Quando a tarde doura as nuvens
E pinta róseo o horizonte
Seus desejos de poeta suplanta a filosofia...
Hoje a tia... a tia tinha um ângulo bonito;
Um passado que adivinhava
Um busto encantador,
Uma beleza singular
Que ainda não perecera no tempo,
Seria um bom momento, um condimento...
O que mais se faria em Angra,
Vista paradisíaca, comida afrodisíaca...
Estavam todos tão felizes...
Ele comeu a namorada ,
A mãe da namorada, a cunhada caçula, a tia...
A avó era muito simpática, o sogro meio um ogro
Se bem que olhando direito...
MUNDO BONITO
Meu amor,
O mundo é tão bonito,
A natureza é sábia,
A sabiá declama seu encanto,
As estações têm suas cores singulares,
A lua tem seus loucos,
Seus lobos e suas fases
E o amor tem a beleza da vida,
Os mares têm suas ressacas
E os bêbados têm cirroses hepáticas
E as calçadas,
Têm angústias que embriagaram seus dias
Lembranças vadias a namorar nas praças
Em passados remotos
Quando não menos que tolos
E de paixão embevecidos
Achavam que o amor era belo
E o mundo bonito.
ENQUANTO HOUVER SONHOS
Ontem ela virou a esquina como se fosse dona do mundo, levou a lua e a estrelas com seu magnetismo, e eu fiquei ali com um copo e os meus fantasmas; éramos anjos do mesmo éden, ela seguiu com a luz e eu fiquei comigo mesmo e a noite; falavam de corrupção, insegurança, criminalidade; todas essas coisas que a gente vê diariamente na mídia, e particularmente eu tinha solução paratudo isso. para combater o tráfico e a fragilidade do sistema carcerário; estávamos todos ali diante de um jogo de dama e um dominó; de vez em quando uma o outra piada sobre as preferencias clubísticas de um ou de outro, sobre deslizes e infidelidades de alguma esposa e brincávamos com coisas seriíssimas, como se fossem banalidades; como se aquilo não abalasse nossas estruturas emocionais.
Tomei mais algumas doses e cantarolei alguns boleros, como se assim, ninguém percebesse como me abalou a sua altivez, a sua aura, sua indiferença. Ela passou como um cometa, como se fosse parte integrante do sistema planetário; como se sua presença fosse parte indispensável à harmonia etérea . fiquei ali doendo a minha insignificância, tolerando sorrisos fáceis e palavras levianas; um falatório gratuito sobre a essência corrupta e indolente do nosso povo; sem o idealismo nato por honra e dignidade; afinal era o que me restava; mudo fiquei com minha mágoa, jamais falaria dessa paixão, e então a vida continuaria insignificante... não, não; jamais a vida seria insignificante enquanto houvesse sonhos e paixões; mesmo aqueles estavam ali, ébrios e desesperados, amuados com suas crises e seus vícios; desesperançados, mas se houvesse sonhos e paixões... se houver sonho provavelmente há paixões. O sonho faz orvalhar em qualquer deserto; paixão e sonho frutifica em qualquer solo. Ontem ela virou a esquina como se fosse um sonho; orvalhou sobre a minha paixão... parecia indiferente, mas era só dissimulação, era um jogo; o jogo jogo que me trazia aquela ansiedade, o jogo irresistível e fascinante do amor.
A adolescência estacionava o olhar entre as varandas da rede onde o mundo tomava dimensões que o tecido bordava, a quietude das coisas embalava uma canção de ninar naquela insanidade de brisa e grilos e os ruídos que a natureza produz; sonhava um mundo sob os cachos dos cabelos e o milagre das coisas boas viria na voz grave da mãe, que cantava uma oração misturada ao cheiro de café matinal. A aranha tecia sua teia para as noites longas a catar aliens e objetos não identificados que se prendiam a seus fios pegajosos; entre as frestas das telhas entrava um facho de luz que não doía nada, mas diziam mísseis apontados pra Washington e Moscow. Os meus cachos protegiam a testa, o medo que pudesse transparecer da guerra fria se perdia no meu jovem entendimento e na minha gentil ignorância; o meu olhar atravessava o tecido da rede, a aranha atravessava a noite, os misseis atravessavam os pesadelos tornando real a profecia do apocalipse; Londres, Nova Iorque e Paris vaporizavam os gases de ogivas letais; "não concluir meu último poema" era um grande arrependimento; Priscila jogando peteca na calçada era uma grande preocupação; não morreremos de infarto era uma constatação. Esta ansiedade estressante ditava o ritmo do cotidiano, mas tia Matilde, a professora de história ainda mencionava tratado de Tordesilhas, a colônia, o trabalho escravo e tudo o que nos fora usurpado pela coroa portuguesa. No final da tarde Priscila cantarolava Jerry Adriani, os pescadores bebericavam, entre uma, e outra história fantástica de pescarias inimagináveis; a aranha devorava suas presas, os armadores rangiam os meus medos embalados na rede, protegidos pelas varandas e as fantasias da minha adolescência
A coisa mais bonita do mundo dá uma ansiedade,
Quando não acontece dá uma saudade
Então eu penso que o mundo dá tantas voltas...
E eu não mudo... já ficou tarde e eu ainda penso em você
Uma canção de longe quando amar não era brega
Me devolve momentos bonitos,
Agora eu fico aflito e tenho que obedecer regras
Mas nada impede que eu sonhe e acredite no verso
O amor é sem dúvida todo esse universo
Não posso imaginar que num mundo conturbado por drogas prostitução e violência alguém tenha paz de espírito.
À LUZ DE LAMPARINA
Tem uma mensagem expressa no neon do outdoor,
O mundo se acaba na Europa,
Horizontes em chamas também na Califórnia,
Eu tento, à luz de lamparina uma frase de amor...
Eu acho que pirei completo,
Não sou poeta muito menos arquiteto,
Talvez uma loucura me sustente;
Talvez o que sustenta esta loucura
O suave perfume das flores,
A brisa e acreditar que deus sou eu...
Ah, meu amor, os loucos bebem o orvalho da madrugada
E a minha sede é de sorrisos estampados,
O ódio se alimenta de carnificina
E a minha rima nasce santa
Porque até as cicatrizes indeléveis trazem ensinamentos.
Eu nunca fui sozinho assim, eu sempre fui solitário;
Mas meu amor, esta ternura de falar sozinho
Talvez seja influencia do meu signo sagitário,
Eu olho estrelas...
Constelações me deixam consternado;
Quantos mundos, quantos Raimundos e Edmundos, tantos otários
E a solidão universal dos nossos olhares
Dói muito menos que a inanição da África
Mas as insignificâncias nada significam,
As insignificâncias não significam nada
o mundo se acaba e o que teremos sido
uns sozinhos, muitos sós e outros solitários...
Era tão bela, um rosto meigo, cabelo que brinca no vento,
riso raro como se o mundo não lhe apresentasse muitos caminhos;
voz suave, quase um sussurro como se tudo fosse um segredo,
ou como se mexer no silencio fosse proibido
não é bem assim, cante suave ou assobie uma canção
e o mundo vai parecer mais bonito...
contanto que seja uma canção de amor
e se for só paixão não prenda tanto a respiração
e se for só mistério...mistério está no ar que nos sustenta
então respire fundo e beba o mistério da vida...
