Hábito
A obstinação foi manual de carpintaria, com ela construí portas e janelas, agora habito espaços que projetei.
Fiz da ausência um hábito, depois um vício e, por fim, meu próprio nome. Já não sei quem eu seria se o vazio me deixasse.
Habito o hiato entre quem eu fui e quem eu nunca serei. É um espaço desconfortável, mas é o único lugar onde sou real.
Às vezes, o que as pessoas chamam de "cura" é apenas o hábito de carregar a dor sem mancar tanto, um jeito de esconder a deficiência da alma para não incomodar a estética alheia. Eu prefiro mancar abertamente, exibindo minha humanidade defeituosa como uma bandeira de resistência.
Às vezes, o que me sustenta não é esperança. É o hábito de continuar. É o corpo seguindo mesmo quando a alma hesita. É a persistência automática de quem caiu tantas vezes que aprendeu a levantar antes mesmo de acreditar.
Habito um labirinto estreito e obscuro, uma mente feita de escombros. Há um cheiro persistente de esquecimento no ar e o gosto áspero de ferrugem na boca. Um lugar maldito, confuso, que consome quem entra. Mas é sob o peso dessa escuridão que minhas epifanias sangram. Eu pertenço a essa ruína.
O hábito da leitura se tornou algo tão raro, que os praticantes são vistos como revolucionários, transgressores ou seres em extinção!
Nas minhas postagens, vez ou outro incentivo o hábito da leitura, para adquirirmos conhecimento, mas alguns buscam ler playboy e turma da Mônica!
... nós, homens,
temos por hábito - seja por
necessidade ou conveniência -
ceder ao inadmissível. Hábitos
para os quais oarrependimento,
sozinho, será incapazde ressarcir.
No entanto, a contachega,
e em porçõesdistintas...
Pondere a vida!
O Vazio Suspenso
De repente, o ar vira chumbo e os pensamentos se tornam avalanche.
Habito a fronteira exata entre o caos e a ausência.
A crise invade sem pedir licença: o peito colapsa, o mundo se complica em segundos e a mente vira vórtice.
É o passado que ressurge, desenterrando memórias sepultadas apenas para me assombrar.
Para sobreviver ao terror que ninguém vê, quando a pressão interna ameaça me desintegrar, eu fujo para dentro.
Arquitetei uma porta secreta na minha própria cabeça; furei uma fenda no meu consciente.
Cruzar essa brecha é o meu único refúgio.
Um cômodo de brancura estéril, um espaço de brancura absoluta e vazio suspenso.
Onde não há som, peso, tempo ou julgamento.
Flutuo no nada apenas para não ter que ruir do lado de fora.
Enfim imune à dor da minha própria existência neste terror infinito.
___ John Rabello de Carvalho
@j.rabello.c_888oficial
#jrabellodecarvalho
"Não é apenas escrever; é dar forma e nome ao caos interno. O hábito de registrar a emoção é a arte de organizar a alma, revelando as curas adormecidas por trás do que foi silenciado."
Substitua o hábito da maldade pelo exercício diário da benevolência; a mudança na sua vida será notável e profunda.
Acordar cedo não é um hábito, é quase um pacto silencioso que eu fiz com a vida. Enquanto o mundo ainda está naquele estágio meio zumbi, meio travesseiro, eu já estou de olhos abertos, tentando entender se sou corajosa ou só teimosa mesmo. Cinco e meia da manhã, às vezes cinco em ponto, e lá estou eu… firme, porém bocejando com elegância, porque dignidade é tudo, até na luta contra o sono.
Mas aí vem o motivo. O som. Ah, o som da natureza… aquilo não é barulho, é um tipo de conversa que não exige resposta, só presença. Os passarinhos começam como se estivessem fofocando da vida alheia, cada um com sua versão da história, e eu ali, ouvindo tudo, sem julgar ninguém, porque claramente não fui convidada para opinar. O vento passa devagar, como quem sabe que ainda é cedo demais para pressa. As folhas respondem, e de repente tudo parece uma orquestra que ensaiou a madrugada inteira só para aquele momento.
E eu fico ali, parada, meio acordando, meio existindo. Porque não é só ouvir, é sentir. É perceber que enquanto eu me preocupo com boleto, com futuro, com o que deu errado ontem, a natureza simplesmente… continua. Sem drama, sem reunião, sem crise existencial. O sol nasce todos os dias sem postar indireta, sem precisar de validação, sem perguntar se está bonito o suficiente. E está. Sempre está.
Tem uma paz meio debochada nisso tudo. Porque a vida lá fora acontece de um jeito tão simples, enquanto a gente complica tudo aqui dentro. Eu olho ao redor e penso que talvez eu esteja fazendo muita coisa errada… ou talvez só esteja fazendo demais. A natureza não tenta ser mais do que ela é. E eu, às vezes, acordo querendo ser tudo ao mesmo tempo, e acabo não sendo nada com calma.
Então, nesses momentos, eu respiro. Fundo. Como se pudesse puxar um pouco daquela tranquilidade pra dentro de mim. Como se desse pra armazenar paz igual a gente armazena foto na galeria. Spoiler: não dá. Mas a tentativa já melhora o humor, o que convenhamos, às cinco da manhã, é praticamente um milagre.
E assim eu começo meu dia. Sem pressa, sem plateia, só eu e esse espetáculo gratuito que ninguém valoriza o suficiente. Porque enquanto muita gente está brigando com o despertador, eu estou ali… fazendo amizade com o silêncio, que de silencioso não tem nada.
Agora me conta… você também já parou pra ouvir o mundo antes dele começar a gritar?
