Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Há dias como hoje que eu queria te tirar de meus sonhos para te abraçar.E eu te abraçaria forte, te abraçaria até o fim da vida, te abraçaria para não mais soltar, te abraçaria numa estação de trem com atmosfera noir. O abraçaria enfim com todo cuidado do mundo,temendo que no momento em que eu piscasse ,você desaparecesse para sempre.
Há dias em que parece que te esqueço, mas é só impressão. E há dias em que rezo mentalmente para chegar logo à aula e encontrar minhas amigas e os professores chatos que vão nos encher de matéria até a garganta. E parece estranho mas não me importo de ter que fazer um trabalho de vinte páginas, pois qualquer coisa que tire você da minha cabeça,mesmo que momentaneamente está valendo.
Há pouco a saudade veio me visitar e a voz de Toquinho ressoou- me aos ouvidos dizendo ” é, meu amigo ,só resta uma certeza; é preciso acabar com essa tristeza, é preciso inventar de novo o amor” mas não, não se inventa o amor. Digo isso porque já tentei, já me esforcei para ver mais as qualidades do que os defeitos de uma pessoa, para me encantar com olhos , gestos e sorrisos que não ma atraíam nenhum pouco. Desculpe Toquinho, mas não dá para inventar o amor, não dá para dizer ao coração para parar de sofrer por um amor e iniciar outro do nada, assim , do dia para noite sem nenhum peso, nenhuma cicatriz da experiência anterior, Não dá,o coração não é uma maquininha programada que segue suas ordens ao apertar um botão, é algo vivo, selvagem ,que tem vontade própria, que bate por conta própria sem você controlar, autônomo, livre, soberano, é simples, ou bate ou não bate.
Há muito tempo eu lhe disse que algumas coisas são difíceis de serem explicadas,que algumas coisas só precisam ser sentidas, como o sopro do vento no rosto. E nesse momento meu querido, eu sinto: sinto o carro correr em alta velocidade, sinto a melodia de Nenhum de nós tocando no rádio, sinto o vento, e principalmente, sinto a liberdade gritante por todos os meus poros,e de como a liberdade é uma coisa inteiramente minha, e é mais plena, e sempre será, sem você atrapalhando.
Que me perdoe o bom inglês, mas meu coração bate em português! Há momentos e lugares que devem ser admirados e sentidos, como o vento que vem do Pacífico e renova a alma, a geada que congela a grama nas manhãs de inverno, o rio que corre selvagem por baixo das montanhas e as luzes que brilham ao norte. "A beleza é fundamental" já dizia Vinícius de Moraes. Bem, que me perdoe o poeta, mas devo interferir na frase e dizer que "a beleza é frágil, efêmera e fundamental". Há tanta beleza no Canadá e tanta beleza no Brasil! Eu acho que não se trata de um lugar ser mais bonito que o outro, se trata apenas de ter aquele olhar estrangeiro, ter essa capacidade de olhar as coisas como se fosse a primeira vez que as vê, com os olhos limpos e a alma renovada. Acho que só assim é possível sermos mais humanos e menos máquinas, sé assim é possível sentir...
Há momentos, como no dia em que ficamos na chuva, em que eu odeio tudo e quero desesperadamente ir para casa, mas há outros dias como hoje em que as luzes brilham, as pessoas sorriem, uma música eletrônica toca e há uma sensação de liberdade inimaginável pairando no ar, Nesses momentos, as luzes e as pessoas rodopiam como num ringue de patinação e Vancouver brilha como se fosse uma enorme estrela cadente.
Então há poucos minutos eu larguei meu livro e me sentindo um tanto quanto sozinha, vim escrever em você, diário, pois toda vez que me sinto sozinha você consegue preencher essa solidão, ou eu mesma preencho minha solidão com palavras e algo de vazio em mim de repente torna-se cheio e não me sinto mais tão triste. Eu contive minha vontade de escrever ao Rick, também, pois toda vez que sinto a saudade apertar eu escrevo a ele, e isso faz com que eu me sinta melhor, mesmo que ele nunca vá ler essas cartas. No entanto, escrever a ele é amá-lo cada vez mais, é perpetuar esse amor em suas páginas, é me machucar profundamente e eu não quero mais isso. Basta! Tem que bastar de uma vez por todas! Agatha Christie menciona em “A Morte no Nilo” que: “ O que importa é o futuro, não o passado”. Eu sei que o passado faz parte de nós, que nos tornou quem somos hoje, mas o fato de ele ser importante não significa que devemos viver acorrentados a ele, não é mesmo? Eu estou acorrentada ao Rick por correntes invisíveis que eu mesma criei ao longo dos anos e isso não está certo, não é saudável para mim. (Anseios de uma jovem escritora)
A despeito da premissa aristotélica que a virtude está sempre no equilíbrio, há algumas boas excentricidades, como a do amor e da graça. Precisamos, aliás, vez por outra, romper com os paradigmas, com o cotidiano, com nossas cautelas e medos e sermos mais excêntricos.
A coragem pode vir do medo, a vitória, da derrota, o levantar, da queda. Há situações criadas em que nos recriamos para vencê-las.
Amamos conforme o que há em nosso coração: na amplitude da graça que há em nós e nos limites dos 'pré-conceitos'.
Nada há de errado em sentir-se especial, contanto que isto nunca leve à conclusão que o outro é inferior.
Existem livros que fazem você pensar. Há outros que ensinam como fazer você pensar. Evite aqueles de resposta pronta, que buscam pensar por você.
