Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Os olhos fingem aurora,
mas por dentro é sempre outono.
Há folhas caindo em silêncio,
lembranças que o tempo não consola.
Há momentos em que toda companhia se ausenta, e resta apenas o silêncio entre você e o divino. Nesse espaço, aprende-se que a suficiência não vem da ausência de tudo, mas da presença do essencial.
Há um abismo entre consentimento e imposição.
Consentimento nasce da liberdade — é um “sim” que carrega dignidade, escolha e respeito mútuo. Já o que é obtido pela força pode até parecer vitória, mas é vazio: não constrói confiança, não cria vínculo, não deixa raízes.
Quem conquista pela força domina o momento.
Quem conquista com consentimento transforma a relação.
No fim, não é sobre conseguir — é sobre como se conseguiu.
**Quando o fardo pesa para o pastor**
Há momentos em que o pastor sobe ao púlpito com a Bíblia nas mãos, mas com o coração cansado. Ele olha para o rebanho que ama e, em vez de enxergar crescimento, vê feridas que não cicatrizam, conflitos que se repetem e ovelhas que insistem em caminhar para longe do aprisco. Nesses dias, o peso da responsabilidade parece maior que as próprias forças.
O pastor é chamado para cuidar, orientar e proteger, mas também é humano. Há noites em que suas orações são acompanhadas por lágrimas silenciosas. Ele se pergunta se suas palavras ainda alcançam os corações, se seus esforços estão produzindo frutos ou se está falhando na missão que Deus lhe confiou.
Contudo, é justamente nesses momentos que ele precisa lembrar de uma verdade fundamental: as ovelhas pertencem ao Senhor. O pastor cuida, mas quem transforma é Deus. O pastor semeia, mas quem dá o crescimento é o Espírito Santo. Quando os olhos enxergam apenas limitações, a fé precisa enxergar a mão de Deus trabalhando onde ainda não é possível ver resultados.
Moisés se cansou, Elias desanimou, Jeremias chorou e até os apóstolos enfrentaram momentos de profunda aflição. Nenhum deles sustentou a obra pela própria força. Todos aprenderam que a suficiência vem de Deus.
Se hoje o fardo está pesado e as saídas parecem escondidas, talvez o Senhor esteja convidando o pastor a descansar mais na graça do que nos resultados. Nem toda semente brota no dia em que é plantada. Nem toda oração é respondida no tempo que desejamos. Mas Deus continua cuidando do Seu povo e sustentando aqueles que foram chamados para servi-Lo.
Quando o pastor não vê saída ao olhar para as ovelhas, deve erguer os olhos para o Supremo Pastor. É dEle que vem a direção, o consolo e a força para continuar. O mesmo Deus que chamou é o Deus que sustenta. E aquele que começou a boa obra jamais abandonará aquilo que está em Suas mãos.
**"O peso do ministério nunca foi colocado sobre os ombros do pastor para que ele o carregasse sozinho, mas para que aprendesse diariamente a colocá-lo aos pés de Cristo."**
Bispo Ederson Dantas
"Há quem confunda relacionamento com conveniência. Enquanto precisa de você, chama de amizade; quando não precisa mais, chama de passado."
O Universo que Me Habita
Há quem passe pela vida colecionando encontros. Eu prefiro colecionar profundidades.
Nunca soube amar pela metade, conversar pela metade ou sentir pela metade. Talvez por isso o mundo, tantas vezes, pareça apressado demais para quem aprendeu que as coisas mais importantes não nascem da velocidade, mas da permanência.
Carrego valores que o tempo insiste em chamar de antigos. Eu os chamo de eternos.
Ainda acredito na palavra que vale mais que uma assinatura. Na presença que não precisa disputar espaço com distrações. No respeito que permanece mesmo quando ninguém está olhando. Na delicadeza que nunca perdeu a força. Na obediência a Deus, não por medo, mas porque descobri que Sua vontade sempre enxerga mais longe do que os meus desejos.
Sou romântica, mas não apenas no amor entre duas pessoas. Sou romântica diante da vida.
Vejo beleza no café servido com calma, nas cartas escritas à mão, no silêncio compartilhado, nas orações que ninguém ouviu, nos gestos que jamais serão fotografados e, justamente por isso, pertencem ao que há de mais verdadeiro.
Aprendi que caráter é aquilo que continua existindo quando desaparecem os aplausos. Que integridade é permanecer a mesma pessoa, ainda que ninguém reconheça o esforço. E que existem princípios que não foram feitos para serem negociados, porque, quando os vendemos, perdemos partes de nós.
Às vezes sinto que faço parte do universo. Outras vezes, tenho a impressão de que um universo inteiro vive dentro de mim.
Um oceano silencioso, profundo e quase inexplorado.
Nele existem perguntas que ainda não encontrei coragem para fazer. Sonhos que Deus conhece antes mesmo de eu lhes dar um nome. Memórias, esperanças e uma fé que insiste em florescer até nas estações mais secas da alma.
Não tenho pressa de chegar à superfície.
Algumas riquezas só existem nas grandes profundidades.
E talvez seja esse o meu jeito de existir: mergulhando.
Porque quem vive apenas na superfície conhece as ondas.
Mas quem aprende a descer encontra o silêncio, a verdade e Deus.
E é lá, onde poucos se aventuram, que a minha alma se sente em casa.
A Expansão de Dois Universos
Há pessoas que atravessam a vida umas das outras como quem visita um lugar. Eu não.
Sempre acreditei que existem pessoas extraordinárias. Pessoas que carregam dentro de si universos inteiros. Com constelações ainda sem nome, galáxias jamais exploradas, oceanos profundos e infinitos esperando alguém suficientemente curioso para permanecer.
Talvez seja por isso que nunca consegui amar pela superfície. Porque a superfície nunca foi capaz de sustentar aquilo que eu procurava. O extraordinário é raro. E, quando dois universos raros se encontram, o desejo deixa de ser apenas estar ao lado. Passa a ser descobrir.
Descobrir os continentes escondidos nas palavras não ditas, decifrar as estrelas por trás dos medos, encontrar vida onde ninguém antes teve paciência para procurar. E, enquanto isso, permitir que alguém também percorra o meu pequeno universo. Não apenas para me possuir, mas para me conhecer. Porque universos não se conquistam. Universos se desvendam.
Existe algo extraordinário quando duas imensidões deixam de apenas se observar e escolhem explorar uma à outra. Não para que uma complete a outra, mas para que ambas se expandam. Cada descoberta amplia a seguinte. Cada pergunta abre espaço para novas galáxias. Cada vulnerabilidade ilumina uma parte que ainda permanecia invisível.
É como se dois infinitos, ao se encontrarem, não diminuíssem um ao outro. Ao contrário. Expandissem. Porque conhecer profundamente alguém nunca reduz o mistério. Apenas revela que o infinito sempre foi maior do que imaginávamos.
Talvez seja esse o encontro que sempre procurei. Não alguém que apenas me olhasse, mas alguém disposto a passar uma vida inteira descobrindo os infinitos que habitam em mim, enquanto eu faria o mesmo pelos infinitos que habitam nele.
E talvez seja por isso que, um dia, escolhi entregar o meu universo. Não em partes. Não apenas o que era bonito ou fácil de compreender. Entreguei também os silêncios, as cicatrizes, as galáxias ainda sem nome e os lugares onde quase ninguém teve coragem de permanecer. Porque um universo só pode ser verdadeiramente entregue quando alguém confia ao outro até aquilo que ainda não foi completamente descoberto.
Talvez poucos compreendam o peso dessa entrega. Mas quem compreende sabe que receber um universo nunca foi um privilégio comum. Foi um convite para uma jornada sem fim.
Onde o toque acontece
Há quem confunda pele com presença.
Beijo com encontro.
Desejo com conexão.
Mas há um abismo entre encostar em alguém e realmente tocar alguém.
Porque o toque que importa não começa nas mãos.
Começa na atenção.
No olhar que permanece.
Na escuta que não tem pressa.
Na vontade de conhecer o outro antes de atravessá-lo.
Eu acredito no toque que encontra ritmo.
Que não invade, não exige, não toma.
Que percebe.
Que espera.
Que responde.
Porque quando existe verdade, dois corpos não apenas se tocam: eles se reconhecem.
E talvez seja isso que tanta gente não perceba.
Há pessoas que passam uma vida inteira roçando em outras sem jamais alcançá-las.
Beijam bocas, mas não encontram almas.
Abraçam corpos, mas permanecem distantes.
Trocam calor, mas não presença.
Eu não quero um toque que apenas percorra minha pele.
Quero aquele que saiba chegar até onde ninguém chega.
Que encontre em mim o que não se entrega a qualquer mão.
Que compreenda que meu corpo é território de confiança, e que só se abre verdadeiramente quando existe algo maior do que desejo: conexão.
Porque, para mim, tocar alguém é uma forma de dizer:
eu estou aqui.
eu vejo você.
eu sinto você.
e, por um instante, não existe distância entre nós.
Talvez seja por isso que eu ainda espere pelo toque certo.
Não porque tenha medo de ser tocada,
mas porque sei a diferença entre ser tocada
e ser alcançada.
Há portas em mim que se abrem sem jamais revelar a casa inteira.
Há silêncios meus que dizem muito, mas ainda assim não me explicam.
Olhares que permanecem um instante além do necessário, mas não me veem completamente.
Quanto mais alguém se aproxima, talvez mais perceba que ainda há alguma coisa por descobrir.
Por descobrir-me.
Nem tudo que me toca me faz entregar.
Nem tudo que desejo me faz correr em direção ao desejo.
Aprendi a deixar algumas coisas amadurecerem no silêncio, onde a vontade não se perde — apenas ganha profundidade.
Há partes minhas que não se oferecem à pressa.
Precisam de presença, de atenção, de um olhar capaz de permanecer quando já não há certezas.
E talvez seja aí que eu permaneça mais inteira:
nesse lugar entre o que deixo ver
e tudo aquilo que ainda não encontrei razão para revelar.
Porque posso deixar alguém chegar muito perto
sem jamais deixar de ser um território que ainda precisa ser descoberto.
Talvez você conheça o caminho até mim.
Mas não confunda caminho conhecido com destino desvendado.
Entre o Indizível e o Infinito.
Há dias em que me leio por dentro e me descubro escrita nas entrelinhas de Clarice.
Porque nela encontro esse espelho raro,
onde o íntimo não se esconde apenas pulsa.
E quando encosto meu silêncio no silêncio dela, entendo por que diz:
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
Talvez porque eu também deseje o indizível, o que não cabe no mundo, mas insiste em caber dentro de mim.
Vinícius, então, chega como quem abre uma janela para a alma respirar o que é essencial.
Ele afaga minhas dores,
desamarra minhas paixões, e relembra que o amor não precisa permanecer para ser eterno:
“Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.”
E é nesse infinito breve que encontro a beleza do que sou e do que sinto.
Sigo assim, entre Clarice e Vinícius, como quem caminha por um corredor de luz e sombra, observando meus próprios contornos, aceitando o que é brasa, acolhendo o que é vento.
Na elegância dos meus pensamentos soltos, me reinvento.
Na profundidade dos versos que me escolhem, me encontro.
E na vida, essa poesia que não se explica e continuo sendo rascunho e revelação.
Há verdadeiros amigos ainda nesse mundo meio desnorteado.Isso fica evidenciado quando sentimos no peito o aperto de uma saudade agonizante.O reencontro torna-se um momento onde esse sentimento é substituido pela alegria.
Devemos valorizar verdadeiros amigos,aqueles que correm nos pensamentos e em momentos tão incríveis da vida.
Entre a lei escrita e a vida concreta há um abismo onde a ética urbana deveria construir pontes — mas frequentemente apenas observa o vazio.
