Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Não há como
não reclamar,
todo o dia surge
um novo fato
para deixar
o coração injuriado
e o espírito descontente
diante da vida indecente:
Que os governos
vem oferecendo para
a nossa gente
aqui neste continente;
Não eram cento e cinquenta,
mas quatrocentos
e oitenta bolivianos
que estavam
sem ser repatriados
pela criatura
reconhecida infeliz,
e a caminho de casa
devem ter voltado,...
Mas quem conhece
até de longe a criatura
sabe que a trilogia
de censura, repressão
e tortura não parou,
e ali na Bolívia
o autoritarismo é crescente;
Nos meus poemas de total
minha responsabilidade
venho contando o quê
se passa neste continente,
e dando conta que
passaram três semanas
que nada se sabe
como está o General
que está injustamente
preso e sobre ele e a tropa
o silêncio vem sendo total
Não há notícia de liberdade
para quem não deveria
ter sido aprisionado,
Nestes tempos
drásticos de uma
pandemia que
ninguém sabe até
agora como vão parar.
Tenho escrito poemas
todo o dia para uma
Pátria e uma tropa
que não são minhas,
Mas nas minhas
veias correm toda
a América Latina,
Não consigo este
sofrimento ignorar.
Onde estão presos
os cidadãos a tropa,
e o General
que ainda está
preso injustamente,
não corre ar,
há carência material
em todos os sentidos,
E nem se sabe
se há comida
suficiente para
todos se alimentar.
Peço perdão
pela insistência,
não consigo parar
de pedir pelos
presos consciência,
Devolvam
cada um deles
para o aconchego do lar.
O sobrevoo silencioso
do condor sobre
o nosso continente
anda mais forte,
Não há possibilidade
de ficar contente,
Com o massacre
Senkata e Sacaba
que matou tanta gente.
Eis-me a poética
pelos anônimos
que insiste em saber
como são os rostos
dos desaparecidos
e para onde
ele foram levados,
Não saber quem
são e como são
tem deixado o meu
coração aos pedaços.
A América do Sul
de ponta a ponta
está sequestrada
por controle remoto,
Buscando saber
o quê aconteceu
com a tropa castigada,
E com o General
que foi injustamente
preso no meio
de uma reunião pacífica
no dia treze de março
há quase dois anos,
Por todos eles
e o tempo todo
tenho escrito versos
latino-americanos
porque sem eles
não sei o quê será de nós;
Sem exagero sei
muito bem aquilo que falo.
Não entendo
como em cada
hospital não
há ao menos
um gerador,
Há quem
continua preso
e nem notícia
sobre não há,
Me explica
como em grito,
prosa e poesia
não se queixar?!
Mesmo
a Pátria
não sendo minha
eu deixei por
ela me afetar
pois sem luz,
água, remédio
e sem comida
não há quem
consiga aguentar.
O autoproclamado
perdeu a imunidade,
E tudo segue do jeito
que você bem sabe,
E pela liberdade
da tropa e do General
Não me canso de rogar,
pois nenhum deles
tem perigo a ofertar,
Devolvam eles vivos
cada um para o seu lar!...
Azovstal
Não há nada que dimensione
o sentimento sobrenatural
de entrega total a Pátria
vítima de uma invasão brutal.
Na batalha final ser um dos últimos
a resistir enquanto o socorro
não vem em Azovstal que cercada
da covardia da tropa inimiga
continua sem nenhuma guarida.
A Lei da Vida precede a Lei da Guerra,
resgatar uma tropa ferida
é uma máxima que sempre deveria
ser seguida em toda a Face da Terra.
Guaramirim
Não há como esquecer de você:
a tua História é Tupi e Jê.
Guaramirim flor do Norte
de Santa Catarina que fascina
e aos olhos de quem passa
na estrada sempre convida.
Não há como negar a História:
tua, nossa e brasileira originária.
Guaramirim jóia do Norte
de Santa Catarina és tu
parte do Caminho do Peabiru
que emociona e ilumina.
Não há como não louvar:
a fé por ti que cruzou o mar.
Guaramirim cidade valente
de gente imigrante que
se ergueu potente ontem,
continua firme hoje
e no futuro continuará fortemente.
Rodeio de Madrugada
Rodeio de madrugada
não ouve nenhum
carro passando na estrada,
Em mim há uma
grande movimentação
é o amor nascendo
aqui no meu coração.
Rodeio de madrugada
silenciosa do Médio Vale do Itajaí,
você sabe que amor viver aqui.
Rodeio de madrugada
suave nesta Santa Catarina,
Rodeio de Madrugada
sempre é poesia,
Viver aqui é renovação
da paz interior e da alegria.
No próximo mês já é Natal,
não há nenhuma notícia sobre
a liberdade da tropa e do General,
a esperança vem do diálogo
no México porque o cálice tem
sido incontestavelmente amargo.
O General está preso desde
o dia treze de março
do ano de dois mil e dezoito
por ter elevado a voz
contra todo o tipo de desgosto,
ele continua sem perspectiva
e sem ver brilhar o Sol da Justiça.
No próximo mês já é Natal,
menos para a tropa e o General
que optaram em ser presos
de consciência onde a Justiça
deles não tem sequer clemência
e seguem no calvário prolongado.
O relógio do tempo tem sido
implacável com todas as esperas,
nem o Esequibo tem escapado,
espero que a Corte restabeleça
a justiça e para a Venezuela
seja perpetuamente devolvido
para a Nação reencontrar o destino.
Os sinais da êxtase
mística provocados
pelo amor não há
mais como disfarçar
o andor dele ter
nos encontrado
e se tornado senhor.
Em transe máximo
dervixes rodopiantes
em trajes absolutos
das suas mortalhas
e lápides do que ego
anunciantes de
um capítulo inédito.
Sem saber quando
e onde o destino
porá por alto desígnio
um aos pés do outro
nos resguardando
no silêncio de ouro
à prova de desdouro.
Confiamos a paciência
com a mão direita
em direção ao céu,
a esquerda voltada
para a terra e teu peito
voltado para o meu
sem nenhuma reserva.
Percebi na avenida
que da minha poesia
já não há mais regresso,
Para o teu desejo não
há mais nenhum disfarce,
Soltos no Caboclinhos
estamos bem enredados
e doces de amor envolvidos.
Na roda do Maneiro-Pau
entoando a canção,
girando entusiasmados,
Não há quem não perceba
que já somos namorados,
Você na minha direção,
eu na sua sua direção,
Cada um alternando
com o par ao lado,
Daqui a pouco comigo
você estará casado.
Há quem não acredite
que Curupira vive,
O cabelo tem cor
de semente de Pau Brasil,
Os pés são virados
para trás e o andar
é ágil como você nunca viu
Curupira só vem para
quem o chama para
ser libertado do perigo,
Ele também costuma
pregar peças quando
cruza no caminho
com quem não presta.
O mal que a pessoa faz
as florestas, aos bichos
e aos povos originários
na hora recebe resposta
mesmo que não perceba
aconteça o quê aconteça.
Quando a resposta
não chega na hora,
Cedo ou na tarde,
um dia resposta chega,
mesmo que você não
perceba ela está ali
debaixo do seu nariz
Saiba que a ira de Curupira
arde, sempre irá atrás
e nunca deixará que
fez mal sem resposta,
mesmo que ninguém creia,
pode ter toda a certeza!
(Da ira de Curupira não existe
quem tenha conseguido
escapar nesta e na outra vida).
Saúdo a Cabaceira porque
sem ela não há cabaça
para o Samba de Cumbuca,
Sem Samba de Cumbuca
eu não escuto você cantar,
E ficar sem te ouvir cantar
é a mesma coisa que deixar
de ler poesias por todo o lugar.
A estação é a estação
poética de Tupã,
Se há alguém que se
sinta Jurupari na vida,
Não vou permitir
que nos atinja,
Fiz a nossa bebida
com os frutos
dos olhos de Cauê,
Agora só falta você
na minha vida,
e eu na sua
para a viver a delícia
que por dentro
pede que seja partilha.
Meu Uirapuru bonito
que com seu canto tem
feito o meu coração
todos os dias rendido,
Não há ninguém que
se compare contigo,
Por premonição
vejo você comigo.
Ovelha da Poesia
Com Rita eu sorria,
sem a nossa Rita
não há mais alegria;
Santa Rita rogai por
esta ovelha da poesia.
In Memoriam a genial Rita Lee.
Não há diferença entre
o coração e o cavalo,
ambos nasceram
precisando de muito
carinho e confiança;
e não há outro caminho.
O Açoita-Cavalo deste
poema nasceu mesmo
é para crescer no mato,
e não para continuar
do chicote sendo o cabo.
Quem na vida quer um
coração, quer um cavalo
ou ter os dois ao mesmo
tempo tem que ter tato.
O coração e o cavalo
só obedecem quando
são muito bem tratados.
Quem quer despreocupado
um coração, um cavalo
ou ter ao mesmo tempo ambos:
deve ser muito apaixonado.
O coração e o cavalo
só permanecem onde o amor
é generosamente ofertado.
A poesia é como o peixe
Limpa-fundo de aquário,
Com poesia nesta vida
não há sujeira que
permaneça na mente
e no coração por muito tempo,
É só você começar a ler
sem esmorecer que os efeitos
indesejados irão desaparecer.
Pavãozinho-do-Pará
companhia como
a tua igual não há,
Te ofereço um poema
para todo mundo
sabe que igual a você
ninguém há de encontrar.
