Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa

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A dor é um idioma secreto, falado apenas dentro de nós. Não há tradução perfeita, não há ponte que permita ao outro atravessar e sentir exatamente o que sentimos. Ela é chama e sombra, é ferida e revelação. Surge como um sussurro no corpo, mas logo se torna grito na alma.
A ciência nos diz que a dor é um sinal, um circuito elétrico que percorre nervos e chega ao cérebro. Mas o que ela não explica é o silêncio que se instala depois, o vazio que se abre quando o sofrimento nos obriga a olhar para dentro. A dor não é apenas descarga neural: é memória, é emoção, é história.
E a filosofia nos lembra que a dor é inevitável, que ela nos acompanha como sombra fiel. Schopenhauer a via como essência da vida, Nietzsche como força que nos molda, Frankl como oportunidade de sentido. A dor é o peso que nos curva, mas também a pedra que afia nossa resistência.
No íntimo, a dor é paradoxal: ela nos isola, porque ninguém pode senti-la por nós, mas também nos aproxima, porque todos, em algum momento, conhecem sua presença. É universal e singular ao mesmo tempo.
E talvez seja justamente aí que reside sua intensidade: na impossibilidade de ser medida, comparada ou negada. A dor é verdade absoluta, uma chama que arde em cada ser humano de forma única. E, ao atravessá-la, descobrimos que não somos apenas frágeis — somos também capazes de transformar sofrimento em força, ausência em busca, ferida em poesia.


Tatianne Ernesto S. Passaes

“Há momentos que pedem silêncio, tempo e delicadeza.
Quando são atravessados, não é só a ordem que se perde, mas o direito de viver cada etapa no seu próprio ritmo.
Respeitar o tempo do outro também é uma forma de cuidado.”

“Há acontecimentos que carregam a delicadeza de um rito: não se anunciam, se revelam. São mais que fatos, são símbolos de vida. Antecipar-se a eles é roubar o instante de quem os vive, é quebrar o ritmo natural da experiência. O tempo de cada pessoa é um espaço inviolável, e respeitá-lo é reconhecer sua dignidade. Só quem sabe esperar entende que o florescer não se força — ele acontece quando a própria vida decide.”

“Há quem faça da inconveniência um estilo de vida. Não por descuido, mas por escolha. Delicia-se em aborrecer, como se o desconforto alheio fosse prova de poder. Mas o que parece ousadia é, na verdade, uma pobreza de delicadeza: a incapacidade de compreender que o tempo e o silêncio também são formas de respeito.”

Tocar ou não tocar? Sentir ou não sentir? Há que for capaz de entender.

Há situações que iremos enfrentar em que não adianta apenas jejuar ou orar para que elas não aconteçam — elas fazem parte do propósito de Deus. José foi parar na prisão acusado injustamente, e Daniel foi lançado na cova dos leões justamente por orar. Mas em cada uma dessas situações, Deus foi glorificado, pois “sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28)

Há um lugar em meio ao caus e a dor
Onde toda a tristeza, medo e solidão
Não pode entrar
Este lugar fica ali na esperança.

Há momentos que muitos de nós,
por medo, desprezo e a pressão do ódio,
desejamos deitar e não levantar mais.
E ao acordar no outro dia, vivos,
percebemos que não precisamos desejar morrer,
porque o mundo nos massacra.
Que só precisamos eliminar
do medo e do ódio,
o preconceito, a exclusão e a intolerância,
e todo o mal que nos faz querer morrer,
quando viver é um dom.

Mas me fala...
há quanto tempo
que cê não mete o pé na estrada?
mesmo que descalça


há quanto tempo
não para pra admirar o céu,
o pôr do sol
em pleno e total silêncio?


cê já parou para pensar
que talvez todo esse barulho
dentro seja apenas um grito de socorro
da sua alma implorando por liberdade?

Não há neutralidade na criação: ou estou alimentando o que quero, ou estou fortalecendo o que temo.

“Não há nada mais triste do que ser aplaudido por algo que você não é.”

Pragmático


Agilson Cerqueira


Não há em mim
momentos epifânicos,
Mas para toda estupidez,
O Silêncio!

Açaimei-me


Agilson Cerqueira


Não me acontecem epifanias.
Não há clarões, nem súbitas compreensões que reorganizem o mundo.
O que há é a permanência — sólida, repetida — da estupidez.
Ela se infiltra nas falas, nas certezas, nos gestos automáticos.
Diante disso, não argumento, não confronto, não elaboro.
Reduzo-me ao essencial: calo.
Não por sabedoria, mas por economia.
Não por virtude, mas por recusa.

Na democracia representativa, a vontade representada é do representante. Logo, não há representação e nem democracia.

O Brasil de hoje está muito dividido. Há os que querem mudar o Brasil via redes sociais e os que não querem que o Brasil mude e usam para isso as redes sociais. Duro embate!

Não é apenas o trabalho árduo que nos faz vencer; há riqueza também em cada passo do caminho.

Sem noite, não há dia produtivo.

Onde Não Há Interesse — Há Verdade


Há amizades que chegam como vento —
tocam, refrescam… e passam.
Mas a verdadeira não tem pressa:
ela escolhe ficar.
Não nasce do interesse —
nasce do encontro.
E, sem fazer alarde,
vai criando raiz onde quase ninguém vê.
Nela, não há necessidade de máscara —
o silêncio não constrange,
a palavra não precisa ser medida
como quem pisa em terreno frágil.
É presença que não cobra —
é ausência que não apaga.
O tempo não corrói o que foi feito
com verdade.
Amigo de verdade não disputa lugar —
celebra conquistas
como se fossem suas,
e segura a queda
sem anunciar que está ali.
E quando precisa falar duro, fala —
mas não para ferir,
fala como quem protege
o que não quer perder.
Não prende — acompanha.
Não exige — compreende.
Não usa — reconhece.
E assim, sem contrato, sem promessa dita,
permanece.
— Porque, no raro território da amizade verdadeira,
o outro nunca é caminho —
é destino.
— Paulo Tondella

O inimigo mortal do homem é a miséria. Não há pior discriminação do que a miséria. O estado de direito, consectário da igualdade, não pode conviver com o estado de miséria. Mais miserável do que os miseráveis é a sociedade que não acaba com a miséria.

Ulysses Guimarães

Nota: Trecho de discurso em 5 de outubro de 1988, durante a sessão de promulgação da nova Constituição brasileira.

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⁠Há algo de imaturo na incapacidade de perceber que existem questões para as quais não há solução.

Luiz Felipe Pondé
Na vida cotidiana real, tudo é mais ou menos e os tons de cinza imperam. Folha de S.Paulo, 19 mar. 2023.
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