Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
O pior tipo de censura
é o fascismo social
que pode ser escrito
em decreto ou atitudinal,
é o que vem sofrendo
numa injusta prisão
uma tropa sem merecer
e um idealista General.
O fascismo social
é aquela verbalização
que constrange,
ação que agride
quem pensa diferente
atira na gente
ou sequestra a gente
na laguna de Alalay,
como fizeram com
o povo que ninguém
sabe sequer se foi,
como e para onde vai.
O fascismo social
é a pavimentação
para tiranos iguais
aos da direita
da Bolívia que usam
também da Bíblia
para assaltarem as Nações
e fazerem desaparecer
debaixo das nossas
vistas as populações.
É proibido esquecer
deste dia que vi:
cidades destruídas,
casas incendiadas
e corpos baleados
pela direita da Bolívia
que genocidou
o povo que estava
exercendo o direito
de dizer sim à vida.
O jagunço de Bíblia
na mão que jogou
a bandeira no chão
e o líder de nada
foram eles que
começaram a tocar
fogo na população
a mando histórico
e reconhecido mentiroso,
e a alma vulgar fez
o seu governo
de autoproclamação.
Os oficiais superiores
que incentivaram
o golpe foram
para o luxuoso exílio,
e a tropa em transe
em oração e de fuzil
na mão derramando
o sangue índio.
Entre fronteiras
já não há
mais diferença,
e creio que nem
nunca houve:
há quem rasgue charge
e quem rasgue o verbo
contra o negro como
a violência aceita fosse,
para gente assim
em cada verso
envio para
a consciência
de cada um coice.
Há segredos neste
continente que hei
de desvendar porque
prenderam um General
e uma tropa que
não deveriam prender
e soltaram quem não
deveriam jamais soltar,
e tem até um que
solto nem deveria estar.
Escuta, meu amor,
na boca do povo
o pranto da Wiphala,
nas linhas e cores
das veias do destino
tem sido escrito
o poemário do século
com latino-americanos
e todos sacrifícios
em nome da liberdade
e dolorosos fatos.
O perigo dos governos
autoproclamados,
com apoios de países
com vil interesse
é para semear
o genocídio e depois
fazer os seus
crimes apagados,
porque juridicamente
são menos do que ratos.
Escuta, meu amor,
não nos encontramos,
não sei nem se
um dia nos encontraremos,
peço que a tropa e o General
não os deixemos em nome
do que nós acreditamos;
Sofro a dor dos humildes
que os homens do golpismo
da Bolívia estão matando
e no Chile outros andam
o seu povo estão cegando.
O golpe na Bolívia
quer beber
o sangue índio
para encher
os bolsos de lítio,
e se inflar com gás.
A autoproclamação
por lá veste
saia e se fez
por três minutos
reproduzindo
o perigo conhecido,
sem quórum
e só por seus
iguais aplaudido.
O golpe na Bolívia
por lá é copiado
e foi aplaudido
pelo autoproclamado,
E pelo continente
e pelo mundo afora
não será esquecido
e nem perdoado.
O que tem a ver
com a injustiça
praticada contra
o General lá
no outro lado
foi em meio a uma
reunião pacífica
em pleno dia
treze de março
há quase
dois anos onde
todo mundo
tem consciência
ainda não teve fim.
Contaminaram
os ares do meu
continente com
agente laranja
e as dolorosas
memórias defuntas
dos anos de chumbo:
Ao Império enviei
o meu repúdio
mais rotundo;
Sei da minha
origem ancestral
neste mundo,
Onde ainda há
homens que
adotam por amor
duas honradas
indígenas bandeiras.
A noite promete
ser larga e a fé
sobrenatural
no indomável
amanhecer é
chama que
ninguém apaga,
Houve uma guerra
suja na Bolívia
que resultou
num golpe que
levou ao exílio
o mais ilustre filho.
Do grande pátio
da América do Sul
sempre serei
a maior revoltada,
artífice da palavra
e mesmo com
lágrimas todos
os dias nos olhos,
cansaço nos ombros
e alma indignada
sendo Pátria e Morte
em todas as escalas,
e pedindo a libertação
da tropa e de um
General por religião;
Nos ombros está
presente a dor
da opressão
por cada wiphala
cortada, queimada
ofendida e pisoteada
pelos homens
que não valem nada
e muito menos
as fardas que vestem.
A tropa e o General
herdeiros diretos
das glórias de Bolívar,
São os maiores
exemplos dos que
sempre amaram
os povos do mundo
além fronteiras,
E se encontram
em uma interminável
e impiedosa prisão.
Eles nunca fariam
como os aqueles
que traíram
a predileta, frágil
e lutadora filha,
Que é o coração
da América do Sul:
a sofrida Bolívia.
A dor da opressão
por cada wiphala
ofendida pelos homens
que não valem sequer
as fardas que vestem
e que se renderam
a traição e desferiram
um golpe na liberdade
obrigando o mais
ilustre filho ao exílio,
O destino nunca
os perdoará pela maldade.
Antes que seja
tarde demais,
Se deve ir pela
direita ou até
via esquerda,
Os modelos
econômicos
são diferentes
e se esgotam,
Os poetas são
para sempre.
Fale a verdade
sobre o Chile,
Vê se daqui
para frente
você não mente.
O falso condor
voa discreto,
Ouço o bater
das suas
asas de ferro.
A continental
liberdade para
uma tropa
e um General
é o que insisto
e olhando nos
teus olhos
todo o dia
cantando te peço.
Nós estamos
na ponta
do abismo,
O fanatismo
superou
o patriotismo,
Poesia para
isso serve de
drone político.
O continente
está sendo
diariamente
destruído,
Que o povo
seja socorrido,
O Pantanal
está ardendo.
Das 48 horas
e mimado
pedido ainda
estou rindo,
De quem tirou
há mais
de quinze dias
o sossego de
um país inteiro.
Há de tudo por
aqui neste torrão
continental
de generais
e de uma tropa
que injustamente
estão presos,
E outros que
abandonaram
publicamente
um a um o barco.
Por medo ou
cumplicidade,
Vejo muita
gente calada
neste tempo
que passa,
Posso nesta
vida muito
perto do que
é muito pouco.
Gradativamente
a imigração
vem fazendo
nova a sua vida.
E sem poder
fazer nada
nesta Pátria
protegida
pelo Condor,
Sei que há
um General
uma tropa
e o seu povo,
Todos vítimas
de mais de uma
prisão arbitrária.
Paulatinamente
a reivindicação
vem crescendo
todo o santo dia.
O General está
aprisionado
desde o dia
treze de março
do ano de dois
mil e dezoito,
De um hotel
ele foi levado
no meio a
uma reunião
pacífica;
Na Justiça
não ocorreu
audiência
preliminar
E mal deixaram
da saúde ele
se recuperar,
Só Deus mesmo
sabe como ele está.
Os Generais que
estão presos
em Fuerte Tiuna
são inocentes,
Eles são presos
políticos e todos
os presos políticos
são inocentes,
Todos eles são
culpados por uns
que confundiram
que discordar
é desobedecer
e outros que
precisam criar
a todo instante
inimigos imaginários
para permanecer
em nome do poder.
Da última repressão
policial a um tupamaro,
Porque fiquei sem saber
porque fiquei sem sinal
para comunicação,
Depois li a notícia
de justa libertação.
Fato provocado
pelo neoliberalismo
que esmaga a todos
neste continente,
Que nos distancia
a cada dia de um
novo amanhecer
e nos colocou
com o Atlântico
mergulhado
num óleo sem fim.
Repetir os erros
da oligarquia - colombiana -
de apontar os dedos
no afã de ocultar
os seus próprios erros,
não ajudará a corregir
os rumos da História,
Só ajudará a piorar
o quê está péssimo.
É muito fácil
acusar os cubanos
para você fugir
dos seus patrióticos
compromissos,
Passou da tua
hora de amadurecer,
Lanço esta grinalda
de versos para que
aprenda a dialogar.
Os Generais não
estão presos
por causa deles
ou porque são
de fato culpados,
E sim porque
uns confundiram
que discordar
é desobedecer
e outros precisam
criar inimigos
imaginários
para permanecer
em nome do poder.
Está faltando
gasolina
em Táchira,
Rada foi
enterrado,
Quem é
líder social
aqui neste
continente
deve andar
nesta vida
com cuidado.
Olhos fechados
para o Haiti,
Honduras
e Equador,
Lábios fechados
para o óleo
no mar do meu
sublime amor,
Versos plenos
de evasão
massiva,
A gente
está sofrida
e as amazônicas
cinzas já foram
até esquecidas.
Há mais de um
General preso
injustamente
e sofrendo
igual injustiça,
vidas militares
estão sendo
enterradas vivas,
Abriram as portas
para o demônio
na América Latina.
Em mim está
a agonia em
vários tons
todas as vezes
que o Império
insistente impõe
como explícita
provocação
os pássaros de ferro
para sobrevoar
uma Pátria
do nosso continente.
Insistem em cometer
o pecado capital
de manter presos
a tropa e o General.
Em mim por estes
versos diários
de responsabilidade
total e autoral
estão os signos
da liberdade,
Porque acredito
que buscar
o entendimento
nunca será tarde.
No total foram
vinte e nove
liberações em
um mês de trabalho
do Poder Judiciário.
Duas centenas
e mais a carta
vinte e dois
do baralho de tarô
no total de libertados;
Ainda não vi
uma saída igual
para a tropa
e o General
serem contemplados.
Enquanto a liberdade
de fato chegar,
Venho rezando em
dobro com o meu
santo rosário,
Até alguém o meu
pedido alguém escutar.
A ausência
de liberdade
de expressão
causou um
desastre aéreo
sem reparação:
Um General
foi pelos ares
porque tinha
medo de falar,
A vida perdida
não tem mais
_restituição.
Duas dezenas
e a carta de tarô
vinte e dois
_Cifra de liberação;
Cadê a libertação?
O General que
foi preso há
mais de um
ano e meio
em meio
uma reunião
pacífica dele
até agora
não há notícia.
E não se sabe
nem se ele
está incluído
nesta cifra.
Só se sabe
que ele está
convalescido.
O General tem
sido vítima
de um grande
mal entendido
e de injustiça.
Faltam outros
tantos mais
como ele para
ser libertado,
Essa história
ainda não terminou,
e nem este poemário.
Medidas substitutivas
de liberdade para
a convivência política,
Nada tem a ver com
harmonia e tampouco
com justiça,
Pouco a pouco elas
têm sido concedidas.
Rodada parcial muito
distante do que é real,
Rodada ficcional
e conta-a-gota que
não tem alcançado
muita gente e o General
que se encontra
com o físico fragilizado.
Recordando a prisão
sofrida do General
no fatídico treze
de março há mais
de um ano e meio
em meio a uma
reunião pacífica,
Da audiência preliminar
ninguém tem notícia,
ela sequer ocorreu.
A loucura saudosista
da época ditadura
anda a solta
neste continente,
Tem gente que pensa
que é gente fazendo
piada para invocar
a volta da censura,
Como não sabem
se comunicar
querem um AI-5 digital
de brincadeirinha,
No meio de tantos
jogos de ironia
há algo que se esforçam
para nos ocultar
de forma sobrenatural,
Pouco a pouco querem
nos acostumar aquilo
que não pode ser
chamado de natural.
Um oficial em
um escrito
feito de
fibra cidadã
admoestou
que as tropas
deveriam é
ter defendido
a liberdade
sem vinculação
a ideologia.
Não é difícil
de se colocar
do lado
do General
de olhos
inabaláveis
de azabache,
Procuro a calma
nesta tarde.
Uma estranha
narrativa
de um General
foi repercutida,
E um General
de Brigada
está desaparecido.
Não sei dos rumos
da rodada de
um acordo parcial,
Se haverá liberdade
para o General
que foi preso
em plena luz do dia
e no meio de uma
reunião pacífica.
A donzela
Elorza está
desprotegida
e por outras
mãos vem
sendo levada,
Estão deixando
que dela não
sobre sonhos
e mais nada.
Não consigo
fingir que
não estou
vendo nada,
A gente anda
oprimida
e castigada.
O major e pastor
que havia convocado
uma marcha
espiritual foi preso,
Ele acreditou
que o tempo
de liberdade
havia chegado.
A luta popular
em união com
as Nações Indígenas
no Equador recebeu
o seu triunfo
num decreto revogado,
Neste continente há
tantos fatos ocorrendo,
E nenhuma notícia
de libertação para
o General que
segue injustamente preso.
O tempo está passando
o velho líder tupamaro
segue em desamparo
sem ver o sol da justiça,
São dezoito dias em calvário
no afã de ser escutado
pela fera da revolução
que vem devorando
pouco a pouco os seus filhos,
Um mártir e outros
para ela não foi o suficiente,
Os olhos de Baduel
aparecem na minha mente.
Por insistência lembro
do General preso injustamente
por causa de um falsa acusação
de instigação a rebelião contra ele,
Já passaram mais de quatro anos,
nada foi provado
e o processo continua paralisado.
Não esqueço nunca dos paisanos
e da tropa que estão passando
pelo mesmo horror,
Não adianta fazer festa
para o Esequibo e no dia seguinte
continuar usando o mapa errado.
Sem retórica nenhuma de poesia contemporânea já deveriam
ter aprendido que a Guiana é plana,
E a cantar como Lulú Basanta
e cultivar na vida a esperança.
No Kukenan-tepui
do Esequibo Venezuelano
os meus versos latino-americanos
com intimidade ali transitam
e nos outros onze tepuis habitam.
Daqui onde se fecharam
muitas bibliotecas,
Vem virando um grande
gabinete a céu aberto
de mentes vazias
que só têm nutrido
as almas com idolatrias.
Para tentar salvar a mim
mesma e quem me lê,
E por ambição encontrar
uma luz no final do túnel
para os presos de consciência,
aqui estão os meus
versos latino-americanos
à um General e uma tropa
porque eles estão presos onde
o tempo não passa e sufoca.
Não é fácil, entendo e respeito
e eu sei que leva tempo
segurar firme os rumos
para que os distraídos não
se deixem ir pelas águas aparentemente tranquilas
e nas delícias saborosas
que na verdade não
passam de armadilhas.
Só sei que enquanto não
houver uma resposta
satisfatória ao velho tupamaro,
ao General injustiçado,
aos presos políticos como eles
e o mapa e rumos continuarem
sem ser corrigidos:
serei a continental inquietação.
