Ha mil Razoes para Nao Amar uma Pessoa
Aos que a mão
pesada não
conseguiu tocar
peço a Deus
que os proteja
sem parar
a toda hora,
nessas letras
faço também
o meu altar.
É também minha
a campesina causa
'en las orillas del
Río Portuguesa'.
Desalojar pessoas
para deixar
livre a exploração
madeireira,
só saber que
isso se passa me
mata de tristeza.
É também minha
a dor dos pais
que não têm
como comprar
material escolar.
Os que foram
convertidos
em heróis caídos
por obra
dos autoritários,
os nomes estão
escritos na história.
A tropa aprisionada
em sótãos e porões,
uns até em isolamento,
e o General na cela
em abafamento
preso injustamente
sem saber o dia e a hora
e se haverá julgamento.
Chega de pouca
vergonha de quem
diz que não
pode pedir
antecedentes
de quem
pede pedir
para tirar foto,
Quase acreditei
também nisso.
Não se faça
de desentendido:
O povo deve
ser respeitado,
E você sabe
muito bem disso.
As Mães de
Tumeremo
andam com
medo dele,
e não deve
ser à toa;
Uma cidade
está vem
sendo destruída:
deve ser
tudo farinha
do mesmo saco.
Estão levando
o quê há
de melhor para
sempre embora,
Alguém tem
que parar
com isso agora.
Há queixas que
ele anda
intimidando
e tirando o ouro
todos os dias,
A gente está
sofrendo todos
os despojos;
Há quem dê
ouvidos cegos
ao autoproclamado
e os seus
'Los Rastrojos'.
Uma tropa que
deveria estar
em liberdade
e contendo
tudo isso,
Ela segue
um calvário
crescente
e um lento martírio.
O nome do General
que dizem
que o acusaram
injustamente
de rebelião
está sendo usado
para causar
inferno político,
E ele não tem
nada a ver com isso.
Não ignorem
a juventude
e a infância
adoçadas
pela guerrilha
na fronteira,
se ninguém fizer
nada a tempo
em boa coisa
isso não vai dar,
os filhos do povo
não podem servir
de diversão
em parque eleno.
Tudo anda a cada
dia neste mundo
anda mais insólito
como o estranho
mistério de Anabel,
como deputado
fugindo de fininho
depois ter aceso
o pavio do bloqueio;
quem faz isso
cedo ou tarde
a História irá cobrar,
porque se ela
assim não fizer,
eu é que vou recordar.
Insisto que ele
e os outros salvem
a vida do General
que nem deveria
ter sido preso,
só de saber que ainda
segue desassistido
tem me causado
um confesso tormento.
Algo me diz que
os olhos de azabache
inabaláveis do General
observam cada
verso de insistência
que pedem
a reconciliação nacional.
Cai a chuva mansa,
e minha alma não
cansa de perguntar
quando irão libertar
a tropa e o General?
O General não deveria
ter sido aprisionado,
dizer que ele instigou
a rebelião é um absurdo!
Até agora não soube
mais se ele teve
os pedidos atendidos:
Bíblia, lápis e livros.
Quero saber da saúde
que sei não bem
depois de tanto mal
praticado contra ele,
Esta poesia bruxa
insiste que não deixe
ir longe esta loucura,
Abaixo esta e qualquer
tipo que seja de tortura.
A pergunta que
não quer calar:
onde está
o Hugo Marino?
Não era nem preciso
perguntar isso,
Pois já era para
ter sido respondido.
O tenente continua
largado nu
como um louco,
era tempo de ter
já parado de colocar
tanta gente em sufoco.
E assim vou contando
a história de
um povo sofrido,
de um General que
foi preso injustamente,
e que nem
sabe que eu existo.
Olha, meu bem,
só uma coisa te digo:
- Não se meta nunca
mais com o Esequibo!
A única guerra
entre a Colômbia
e a Venezuela
que deveria
ser permitida
é uma batalha
de joropo na fronteira
fazendo os cantores
vencerem um
ao outro na canseira.
Um jovem perdeu
a visão por
perdigonazos,
Tu não sabe
o quanto a mim
me dói a notícia
de cada filho
ferido ou tombado.
Responder a um
cumprimento,
a um pedido
ou pergunta
é sinal de respeito:
Onde está o General?
Os calabouços
do Inferno
de cinco letras
seguem longe
das vistas,
e em especial
para duas visitas
foram encerrados.
Por favor,
me responda
se o General
Rodríguez Torres
continua vivo!
Os calabouços
do Inferno
de cinco letras
receberão
uma manifestação
de autoria
do autoproclamado,
Mais uma
trapalhada
para a coleção.
Não faz sentido
tanto silêncio
envolvido...,
Da mesma
forma tanta
austeridade
que chega
dar enjoo,
Há outros oficiais
forçosamente
desaparecidos,
E sobre o General
e todos eles
nenhum pio,
Tudo isso
só causa
mesmo é arrepios.
Você bem
sabe que
sou tudo
aquilo
que você
não tem
coragem
de ser nesta
existência,
E que nada
é coincidência.
Nas paredes
dos calabouços,
Por cada grito
silenciado,
Em tudo e todo
o pedido de
socorro não
atendido
E nos corpos
dos torturados,
e muito
mais próxima
da tua
consciência:
Não me calo
e nem perco
a paciência.
O General
que foi preso
injustamente
não foi
encontrado,
ele está
desaparecido
E como
ele existem
outros
da mesma
maneira,
E por todos
eles não
me canso
de pedir
pela liberdade
e por consciência.
Com palavras
que não
são minhas,
Escrevendo
poemas
com páginas
de jornais
e com o clamor
de um povo
que vem
sentindo
o peso da mão
e da covardia
todo o santo dia.
Carniceiro
de Artemísia,
Não dá para
crer que
seja realidade,
Charco
de sangre,
Não consigo
crer em tanta
maldade:
um vale
de lágrimas.
Dizem que
los febreristas
estão divididos,
Enquanto
deveriam
estar unidos
para encontrar
o General,
e outros tantos
desaparecidos
que como
ele estão
até hoje
injustamente
detenidos.
(Os meus clamores não estão sendo ouvidos.)
Peço que não
te esqueças:
mataram
o Capitão-de-Corveta,
Lá no Inferno
de cinco letras.
Uma parte de mim
é a que fica
por ser indígena,
E a outra parte
é a que vai
por ser nômade.
Fico naquilo que
me interesso
e largo de mão
aquilo que maltrata
o meu coração,
Trajetória de
quem não
aceita retrocesso,
E não entra em
queda de braço
com ninguém.
Não te esqueças
para não eximir
de quem tem
o dever de
dar conta
dos paradeiros
do General preso
injustamente
e de outros prisioneiros.
(Reféns das circunstâncias)
O filho de
um outro
General não
reconheceu
a voz do Pai
numa gravação,
Não entendo
como
conseguem
conviver
o tempo
todo com
a ideia
de conspiração.
Pais correndo
contra
o tempo
querendo
saber
do filho
há mais
de 8 semanas,
E eu escrevendo
e escrevendo...,
Ainda estou
tentando crer
que cada
palavra
minha cairá
no ouvido certo.
Do General
injustamente
aprisionado,
nada mais
sabemos
como tem sido
há mais de
dois meses;
E hoje pelo jeito
será um
dia a mais
que nada
saberemos mesmo.
Não vejo a hora
de pararem com
a dança macabra,
Estou com o povo
para lembrar o quê
é mais dolorido;
Por mais que doa
não se esqueçam
do presos mais
antigos do Chavismo:
- Liberen a los polícias!
Pois deles nem
mais ouço falar,
Se ainda seguem
presos, me façam
o favor de soltar!
A espera da visita
da Alta Comissariada,
Já são 50 DIAS SEM
SABER DO PARADEIRO
DO GENERAL PRESO
INJUSTAMENTE,
Cantando canções
entre os dentes,
Distraindo-me
com versos
para outros fatos
latinoamericanos
E sofrendo junto
por gente que
nunca ouvi falar:
- Perdomo,
o Comissário 'fugiu'
pelas mãos
do autoproclamado;
e a conta sobrou
agora para você!
Na própria pele
o resultado
da prática de
um antigo ditado.
É coisa de cinema
põem a culpa
no mordomo,
Da mesma forma
que põem
no advogado;
Mãos violentas
dos coletivos
contra as minhas
irmãs venezuelanas
que se queixaram
do alto custo de vida
não vou perdoar;
Não deixem
apagar da memória
o sindicalista
da Ferrominera
que foi preso
porque exerceu
o direito
de se manifestar.
O povo está
farto de tanto
maltrato,
de pagar
por crimes
não cometidos,
E de gente
com poder
subindo
a cabeça neste
continente por
todos os lados.
As minhas veias
estão abertas
por tantas feridas,
Gentes e terras
muito sofridas.
O meu peito
está dorido,
O povo não
pode ser
mais penalizado
por guerras
de poder
e bloqueios infernais.
Erguidos estão
os meus braços
em clamor,
Por nossas mulheres,
infantes e soldados.
Pela Pátria
vizinha tenho
perdido o sono,
Porque ali
está preso
um General
sem culpa,
inocente
E incomunicável
em Fuerte Tiuna.
Não sei
do desfecho
da greve
de fome
dos petroleiros,
Mais dois
deputados
perderam
imunidade
parlamentar,
A sociedade
pela saúde
se colocou
a protestar,
A todos só
peço calma
para dialogar.
Após tanto
fazer
a mesma
pergunta,
eis a resposta:
o General está
preso em
Fuerte Tiuna,
Peço que
alguém diga
como ele está.
Ao menos
é o quê
a imprensa
conta,
Só não sei
como ele
está
ou se
vivo está,
Por ali nem
a defesa
Pode visitar,
e tampouco
a música
e a poesia
são influentes
o suficiente
para pedir
licença
para entrar.
No mesmo
lugar que
ele estão
presos mais
um que teve
a imunidade
parlamentar
ignorada;
É um festival
de absurdos
onde quase
não se sabe
de muita
coisa ou
de quase nada.
Não escrevo
para agradar
a ninguém,
Para o poeta
escrever já é
a tão almejada
vantagem,
Escrevo para
contar sobre
fatos sem
conexão com
o General,
Mas que fazem
parte do que
vem ocorrendo
na Nação dele;
Porque para ele
só peço mesmo
é a libertação.
Se o quê levou
o General
a prisão foi
uma única
mensagem
em questão,
Já deveriam
ter pedido
ajuda ao relator
da liberdade
de expressão;
A vida pede
de todos nós
desembaraço
e compaixão.
Faço-me eco
da voz da irmã
que nada sabe
do General
há um mês,
Só se sabe que
ele se encontra
incomunicado;
Por favor, mesmo
que as minhas
palavras para ti
nada representem,
Peço que me
ouça gentilmente
e colabore,
Não nos deixe
em dúvida se
ele se encontra
até mesmo
não mais vivo,
Porque mesmo
distante aqui
há um coração
que por ti sente.
O meu coração
está onde
o povo está,
Por isso te peço
contra o povo
não me estenda
mais a mão para
praticar qualquer
tipo de agressão,
Para a mulher
amada peço
só compreensão.
Acredite ou não,
as melhores
pessoas já
passaram
pela prisão
sendo na vida
militares ou não,
O Filho de Deus
já foi preso;
Tens motivos
de sobra para
não fazer
um calabouço
no teu coração.
Para que nunca
mais se repita
compartilho
essa trágica
recordação:
"2017: Centro
de Detención
Amazonas
39 presos
asesinados.
2018: PoliCarabobo
69 asesinados.
2019: Acarigua
30 asesinados."
Afaste com
sensibilidade
a possibilidade
desse tipo incidente,
Já deu para ver
Que não é pela
força que se obtém
a pacificação,
É preciso cuidar
do povo com
amor no coração.
Anteontem, mais
uma audiência
foi adiada
para o Coronel,
A rota do dia 23
de janeiro dividiu
o movimento,
Não critico,
Cada um siga
o seu caminho,
Cada tem o seu
entendimento.
O meu caminho
é o da poesia,
Para pedir
um pouco
de compaixão
onde está
fazendo falta;
Porque me
incomoda
saber que
para o General
não há nem
perspectiva
de justiça,
esperança
ou alguma fresta,
E só absurdo
que infelizmente resta:
ele se encontra preso
em Fuerte Tiuna
sem ter nenhuma culpa.
Não lamentem
o recente
investimento
nas tropas
diante
de tantas
emergências
do povo num
país cercado
por interesses
geopolíticos,
guerrilheiros,
paramilitares
e de grupos
irregulares,
faz sentido
fortalecer
os militares
para que protejam
as pessoas
de todo perigo,
Não se deixem
levar pelo
radicalismo.
O deputado está
desaparecido,
Não é possível
que até agora
este assunto
siga ignorado,
Da mesma
forma não
entendo gente
que trata
o bloqueio
como ele
merecesse
ser negado.
O ativista foi
aprisionado,
As amadas
no Inferno
de cinco letras,
Do início ao fim
por elas e por
quem precisar
de mim ofertarei
os meus poemas.
Nina, Ban Ban,
Thor, Arpa y Oso
cumprem um
castigo que não
lhes é devido,
Eles não têm boca
para reclamar,
E só porquê só
têm focinhos
uns decidiram
arrancá-los
dos seus destinos.
Não sei absolutamente
de mais nada
do General
dos meus poemas,
A única coisa que sei
que é em Fuerte Tiuna
que ele está cumprindo pena.
A bandeira é
visivelmente
monocromática,
Das crianças
o bloqueio
não tem tido
misericórdia,
E por elas
o poder não
tem dado conta
da prevenção,
Parece ironia:
três oficiais
leais a revolução
torturados
pela revolução,
Prova que não
há nenhum
visível diálogo,
e sim monólogo.
Não se sabe
mais notícias
das amadas
do inocente
General
e do Tenente
Coronel,
Só se sabe
que elas foram
aprisionadas.
Sei que é facil
criticar daqui,
O sol nascente
do Esequibo,
A Mãe anciã
impedida de
ver o filho,
E tem sido
só agonia:
As pessoas
se rendem
por covardia,
discutindo
o inútil entre
si ao invés
de se unirem.
Espero que
não seja
pedir demais:
quero ouvir
a canção
do vento
da liberdade,
Balançando
o samán
e o guayacán,
Para voltar
a descansar
com o meu
coração em paz.
Unida ao povo
na Marcha
do Silêncio,
Na fronteira
entre duas
décadas
por Montevideo
em memória
aos desaparecidos,
Já passaram
um pouco
mais de três,
E não se sabe
nem isso ao certo.
Nada mais sei
do triste destino
do General,
Sobre estes
versos nômades
que ele não
me pediu,
e sequer leu:
Sou responsável
por cada um
que venho neste
tempo escrito;
E vou contando
outras histórias
nas entrelinhas
para distrair
enquanto não
há nada esclarecido.
O ideal seria
se os filhos
da alta
hierarquia
não fossem
humilhados
pelos erros
dos pais,
Se a proposta
de fato é
viver em paz;
Não é justo
perseguir
os jovens
por aquilo que
nada fizeram,
É preciso
reeducar
o coração se
a intenção é
reerguer a Nação.
Se é verdade
ou mentira,
da poesia
sou o tempo ruim,
embarcação virada
e migrante
desaparecida
por vinte
e nove vezes.
E assim sou
a poética
que circula
livremente
por Fuerte Tiuna
conversando
sobre a tropa
e o povo
até obter
a liberdade
do General
injustamente
capturado,
sou o verbo
de amor saído
da sua boca.
Não sou gato
para ter
sete vidas,
mas sou
gente
para ter
vinte
e nove,
e não
me bastar
até cada
uma delas
serem
encontradas.
Na frente do Palácio
La Moneda
a Guarda Chilena
executou a canção
Alma Llanera,
Não houve como
não se emocionar,
Do General preso
inocente notícia
não consegui
mais escutar,
E estou a buscar.
Há gente no meio
dos escombros
querendo discutir
de uma maneira
que não adianta,
E se insistir
não vai de jeito
nenhum contribuir.
Não que me falte
vontade para
escrever a poesia
do encontro
e da convergência,
No mundo onde
os valores
estão em falência,
Antes disso é
preciso receber
uma demonstração
de coerência,
Enquanto isso
para não deixar
tudo a perder é
preciso ter paciência.
