Ha Menina Apaixonada por Rosa
"Há quem use uma bijuteria como se fosse uma joia e há quem use uma joia como se fosse uma bijuteria."
ENTREGACIONISMO × CONTROLE
O confronto entre a entrega e a dominação do existir
Há duas forças que atravessam silenciosamente a experiência humana: o impulso de se entregar e a necessidade de controlar. Nenhuma delas é neutra. Nenhuma é inocente. Ambas disputam o centro da existência.
O Entregacionismo nasce como reação. O controle nasce como medo. Entre esses dois polos, o sujeito tenta sobreviver.
I — O CONTROLE: A PROMESSA DE SEGURANÇA
O controle surge como resposta ao caos. Ele organiza, delimita, estrutura. É o esforço humano de transformar o imprevisível em algo administrável. Através dele surgem normas, sistemas, crenças, rotinas, morais.
Controlar é tentar garantir continuidade.
O problema não está em sua origem, mas em sua ambição.
Quando o controle deixa de ser ferramenta e passa a ser finalidade, ele se torna tirânico.
O controle promete:
* segurança
* estabilidade
* previsibilidade
* proteção contra o erro
Mas cobra um preço alto:
a renúncia à experiência viva.
Sob o domínio do controle, o sujeito passa a existir como projeto. Mede-se, compara-se, vigia-se. O erro vira falha moral. O desejo vira ameaça. A dúvida vira pecado.
O controle não suporta o imprevisível — e a vida é, por natureza, imprevisível.
II — O ENTREGACIONISMO: A RECUSA DA DOMINAÇÃO
O Entregacionismo nasce quando o sujeito percebe que o controle não o salvou.
Não é um grito de revolta, mas uma lucidez tardia. A constatação de que nenhuma estrutura conseguiu conter o caos interno, nenhuma promessa garantiu sentido, nenhuma disciplina impediu a perda.
Entregar-se, aqui, não é desistir.
É abandonar a ilusão de domínio.
O entregacionista não rejeita a responsabilidade, mas recusa a tirania do planejamento absoluto. Ele entende que a vida não se deixa capturar por esquemas.
A entrega é um ato de coragem porque exige aceitar:
• a incerteza
• a impermanência
• a fragilidade
• a ausência de garantias
Enquanto o controle tenta congelar o mundo, o Entregacionismo aceita o fluxo.
Não há vergonha em ser sensível; o que é verdadeiramente humilhante é se esconder atrás dos próprios sentimentos. A vida é preciosa e cheia de esperança.🕊
Olhos que só veem
Em nosso amor há dias claros e turvos,
acertos que se perdem, erros que se amplificam.
Mas tu só vês minhas falhas,
como se as tuas fossem invisíveis.
Teu olhar acusa, tua voz corrige,
mas nunca percebe o peso que carregas.
Enquanto isso, eu aprendo, me esforço,
tentando ser inteiro em meio às tuas críticas.
Se o amor é caminho, caminhamos em lados opostos,
pois um vê só a pedra no outro,
e esquece que também tropeça.
E ainda assim, espero que um dia enxergues,
que o amor é mais que apontar defeitos,
é saber perdoar, crescer e reconhecer
que erramos juntos, e juntos devemos seguir.
Nem tudo que parece ruptura é revolução. Há quem saia da rota não para se libertar, mas porque ninguém ensinou a permanecer inteiro dentro dela.
— Maycon Oliveira
No peito há medo e coragem a pulsar,
uma mistura que não se pode negar.
O coração chama, quer se libertar,
a alma sussurra: “é hora de tentar”.
Buscar o novo não é jamais errado,
desejar horizontes é ato sagrado.
Amor é abrir portas, mesmo assustado,
mesmo com vento forte e caminho incerto traçado.
Você leva quem ama, cuidado e luz,
responsabilidade e esperança conduzem sua cruz.
Cada passo consciente, cada sonho que seduz,
amor que guia, que acalenta e reluz.
"Há quem prefira o calor da ilusão
ao frio da verdade.
Deixa-se enganar não por falta de visão,
mas por medo de enxergar demais.
Só que a mentira é chama frágil:
ilumina por instantes,
mas cedo ou tarde apaga,
e a escuridão cobra a conta."
"Há Flores em tudo que eu Vejo"
Até na pedra fria mora um ensejo.
O olhar que planta é o que colhe cor,
quem semeia dentro, floresce ao redor.
Há beleza na constância de quem permanece em si mesma,
e há poder em aceitar que algumas pessoas não nasceram para andar ao nosso lado,
mesmo que já tenham
compartilhado passos conosco.
"INTERVALO ENTRE O GRITO E O RISO"
Há dias em que o caos veste perfume
e passa por paz, só pra te confundir..
Você olha o céu, ele tá bonito demais
mas sabe que amanhã chove, e tudo bem.
porque no fim, o que salva não é o sossego,
é o intervalo entre o grito e o riso,
onde a alma respira, meio cansada,
meio viva, totalmente sua.
Gosto dos meus finais, do jeito que os traço, e gosto quando gosto disso!
há beleza no adeus quando sigo meu passo.
Deixo pro último dia, veneta que vem,
“deu na telha”, eu rio.. Loucura faz bem.
Louca?.. Talvez. Mas quem é são de verdade,
se conter o transbordar é negar liberdade?
Encerrar minha participação especial na vida de alguém
é arte que dói, mas que dá no que falar
porque até no adeus, eu sei me reinventar.
Às vezes é preciso se perder no ruído,
pra achar o sentido há tanto perdido.
Entre telas e vozes, distantes,
encontrei no silêncio, o que é importante.
Há vínculos que acabam antes do adeus.
Quando o respeito sai pela porta, o afeto já foi pela janela.
“Aqui o vento é mais frio.
O ar não traz cheiro.
Não recordo a infância há algum tempo.
O que antes era desespero por não estar aqui
agora é calmaria
sem memória.”
Há propósito em tudo,
até nas pequenas ações.
No ato de respirar fundo
quando algo aborrece tanto
que puxar o ar te realinha,
te devolve ao eixo,
e impede que o erro escape
pela boca.
Respirar, às vezes,
é escolher não ferir.
Nem o outro.
Nem a si mesma.
As pessoas passam quando veem flores.
Param quando há festa, riso fácil, promessas leves.
Mas desviam o olhar diante da cadeira, do silêncio,
do corpo que pede cuidado e não encanto.
Fico.
Não por vocação ao sacrifício,
mas porque amor não negocia presença.
Ser só eu e ela pesa,
não pelo caminho em si,
mas pela constatação de que poucos sabem caminhar
quando o chão exige firmeza.
Aprendi a ser suave sem ser frágil,
a seguir sem plateia,
a entender que quem vai embora
não falhou comigo,
apenas revelou seus limites.
E sigo.
Com menos mãos ao redor,
mas com a consciência limpa
de quem não trocou amor por facilidade.
Há situações que iremos enfrentar em que não adianta apenas jejuar ou orar para que elas não aconteçam — elas fazem parte do propósito de Deus. José foi parar na prisão acusado injustamente, e Daniel foi lançado na cova dos leões justamente por orar. Mas em cada uma dessas situações, Deus foi glorificado, pois “sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28)
O que sei e
o que conheço
é tão pouco...
ainda há muito
o que aprender,
mas continuo
confiando no processo...
A VIDA!
Para Onde Vai o Amor Quando Não Há Quem Amar?
Existe um amor que nasce antes do encontro.
Um amor sem rosto, sem nome, sem história
mas não sem peso.
Ele se acumula no peito como algo vivo, pulsante,
pedindo passagem, pedindo destino.
Não é carência.
É excesso.
Há quem diga que vem de outras vidas.
Mas pouco importa a origem quando ele insiste nesta.
Porque amar sem poder tocar,
sem poder oferecer,
é como respirar fundo num quarto sem janelas.
Às vezes alguém aparece.
E por um instante tudo parece fazer sentido.
O coração se apressa, reconhece sinais,
acredita ter encontrado o lugar certo para pousar.
Então eu entrego, não aos poucos,
mas inteira.
E dói perceber, quase sempre tarde demais,
que não era ali.
Nunca foi.
A pessoa vai,
mas o amor fica.
O tempo passa.
Outros chegam, outros partem.
E eu sigo carregando esse amor intacto,
sem ter onde colocá-lo,
sem ter quem o sustente do outro lado.
Ele cresce em silêncio.
Não some.
Não cansa.
Até que nasce um medo:
não o de deixar de amar,
mas o de amar demais
sem testemunha,
sem retorno,
sem encontro.
E então a pergunta se impõe, não como resposta,
mas quase como uma ferida aberta:
O amor precisa de alguém para existir
ou basta existir em quem o sente?
- Mirelle Cerqueira
