Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura

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⁠No anteontem do retrato,
no sofá estou sentado com dois amigos.
No ontem do retrato,
no sofá estou sentando com um amigo.
No hoje do retrato,
no sofá estou sozinho.
No amanhã do retrato,
o sofá está vazio

Inserida por joaquimcesario

⁠O domingo é uma espécie de Big Bang da semana.

Inserida por gledstonguetao

⁠Quando aqui cheguei
as crianças eram crianças
os adultos já eram adultos
os velhos eram sempre velhos
e o mundo estava pronto
concluído e imutável para se viver

Quando daqui me for
as crianças cresceram
os adultos são outros
todos os velhos morreram
o mundo havia tanto mudado
e eu não sou mais o mesmo

Inserida por joaquimcesario

⁠Livro, janela para o mundo, espelho para a alma.

Inserida por gledstonguetao

⁠Atestado poético

Tão longe,
Tão perto
Como te desperto?

Às vezes, me consome,
Noutras, esconde-se
Por que some?

Hoje, faz falta,
Amanhã, transborda
Por que meu peito ainda salta?

Somos dois,
Um.
Dias depois, nenhum?

Tão cedo, tão tarde,
Descubro que não é paixão,
Mas patologia: crise de saudades.

Inserida por VivianedePaula

⁠Sistema solar


Só.
Sonhar.
No teu luar.

Só.
Sossegar.
No teu estrelar.

Sou estrela-só,
A amar
Desandar-se
Realinhar-se: sol.

Inserida por VivianedePaula

⁠Refletida no vidro embaçado da janela, as linhas que marcavam meu rosto se revelavam como nunca, um baú de recordações: uma nostalgia de tudo o que sou. Hoje, ainda tenho muito a dizer, mas, talvez, não precise de tanto enquanto meus abraços e versos continuarem tão cálidos. Contemplando a garoa cair, numa manhã fria de outubro, atípica assim como eu, percebi que me acomodei nesta pitoresca deformidade d’alma: do riso espontâneo às lágrimas de saudade ou vice-versa.

Inserida por VivianedePaula

⁠Antes de partir,
Despediu-se da labuta,
Ressurtiu: foi à luta.

Inserida por VivianedePaula

⁠Com o teu olhar,
Faz o que quiser,
Sem tocar.

Pele escura,
Nua,
Tua.

Inserida por VivianedePaula

⁠Quando o sol reluz
Os desejos inacabados
Apague a luz.

Finde-se em meu jardim
De Íris enegrecida,
Escureça e amanheça em mim.

Inserida por VivianedePaula

⁠A canção desafina,
O retrato cai e se esmiúça,
As flores murcham.

Outrora, desabrocham
Em novos vasos,
Ocupando velhos espaços.

Na esquisitice,
Estranha
Mesmice.

Inserida por VivianedePaula

⁠Quando a finalidade máxima da vida humana é o prazer, todos os fins justificam os meios.

Inserida por AlvaroAzevedo

⁠A expressão de um indivíduo no ato comunicacional, gera consequências que transcendem a mera articulação linguística entre emissor e receptor da mensagem. É por meio da linguagem que emerge a cultura, e da cultura emerge a sociedade.

Inserida por AlvaroAzevedo

⁠A expressão de um indivíduo no ato comunicacional, gera consequências que transcendem a mera articulação linguística local entre o emissor e receptor da mensagem. É por meio da linguagem que criamos a cultura, moldando a sociedade num processo dialógico universalizante.

Inserida por AlvaroAzevedo

⁠Descanse, tire os sapatos que apertam os seus pés e já não te servem mais. Deixe também ali no canto a vaidade e o ego que machucam as suas costas. Dispa-se das amarras, que deixam marcas nos seus punhos e te aprisionam entre paredes que não se pode ver.

Inserida por VivianedePaula

⁠Amores virtuais,
Manda nudes,
Liga o Facetime.
Amores virtuais,
Ama-se a distância,
Odeia-se a distância.
Amores virtuais,
Será que somos mesmo tão iguais?

Inserida por VivianedePaula

⁠Com outra irmã morta,
Todos nós morremos juntas,
Todos os dias, pouco a pouco.

De que valem as gotas salgadas
escorrendo dos olhos?
Minha garganta seca ainda engasga
Quando em seu nome canto.

- Livro de poemas "Flores Roxas", Editora Patuá.

Inserida por VivianedePaula

⁠Se Deus me der um minuto a mais, eu terei, então, a eternidade

Inserida por joaquimcesario

⁠A MORTE

É instintivo lutar contra o próprio desaparecimento.
Todos os animais agem dessa maneira e tentam se proteger de acordo com seus próprios meios.
Mas a morte é inflexível para todas as espécies de vida!
O sonho das pessoas sempre foi enganar a morte e, muitas vezes, tentam fazer isso, enganando a si mesmas. Claro, é muito mais confortável e não exige leitura ou contorcionismos intelectuais.
Essa é uma das principais causas da busca por seitas e religiões, algumas delas muito ingênuas.
Textos ditos sagrados trazem mensagens valiosas, mas na forma de metáforas ou simbolismos. Muita gente compreende esses escritos literalmente, concluindo por verdadeiros disparates.
O assunto fica mais complicado, quando as crianças requerem explicações, para compreender o sofrimento pela perda de um ente querido.
Já pensei em escrever um livro infantil, explicando que o bichinho nasce, cresce, brinca e morre. Também a florzinha nasce, cresce, toma sol e morre. É o ciclo biológico!
Quando a pessoa completa esse ciclo, mediante uma vida feliz, digna, e se vai, mesmo entristecido, eu me resigno com facilidade. Mas acho inadmissível o falecimento de uma criança ou adolescente, principalmente, se for por doenças curáveis, fome, violências, acidentes evitáveis. Eu fico arrasado!
Não matar, para mim, é o mais importante dos Mandamentos.
Acho que todos devemos respeitar a religião alheia e nunca tentar pregar a própria para os outros. Lembrando José Saramago, essa pregação é uma tentativa de colonização do próximo.
O assunto apresenta uma enorme diversidade de entendimentos, sobretudo, quando se discute a vida após a morte, a imortalidade da alma, a reencarnação.
Karl Marx dizia que “a religião é o ópio do povo, porque ela aliena as pessoas, impedindo-as de pensar e lutar por justiça na terra, pensando apenas em um mundo do porvir”.
Já Czeslaw Milosz contrariou: "O verdadeiro ópio do povo é acreditar que não há nada após a morte -- o imenso consolo de pensar que nossas traições, ganância, covardia e assassinatos não serão julgados."
É impossível concordar com isso, pois a maioria desses erros e crimes são julgados em vida mesmo. Quem tem ética, educação e amor ao próximo não os comete e não precisa de prêmios ou ameaças para agir com correção.
Já os criminosos, bandidos, psicopatas, não temem julgamentos reais nem hipotéticos.
E eles, entre os quais os maiores genocidas, sempre se escondem na imagem de pessoas de fé, de religiosidade, de espírito cristão.
Nessa barafunda de ideias, dogmas e extremismos, eu prefiro ter uma visão poética da vida. Até na Bíblia, enxergo poesia e não religião.
Amor é vida. Vida é amor!
Socorro-me, então, do Soneto de Fidelidade, do Vinicius de Moraes:
Que não seja imortal, posto que é chama,
Mas que seja infinito, enquanto dure.

Sérgio Antunes de Freitas
Junho de 2023

Inserida por SergioFreitas

⁠Quando o lero é pilantragem, o carareco é ululante.

Inserida por donizetedecastilho