Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
Há muitas pessoas que nada sabem; contudo, o maior problema não reside na ignorância em si, mas na atitude de fingir saber. Ao assumir tal postura, acabam por fechar a porta à oportunidade de aprender, pois quem acredita já possuir o conhecimento dificilmente se dispõe a buscá-lo.
Assim, a verdadeira limitação não está no não saber, mas na recusa silenciosa de reconhecer a própria ignorância e transformar essa consciência no primeiro passo para o aprendizado.
“Há quem acumule informações para parecer inteligente. Eu prefiro acumular perguntas, porque são elas que continuam me ensinando.”
Há pais que passam a vida inteira chamando de amor aquilo que, na verdade, é a mais refinada forma de sabotagem. Blindam os filhos contra a dor, contra a disciplina, contra o “não”, contra as consequências… e depois se espantam ao descobrir que criaram adultos incapazes de enfrentar a própria existência. Quem elimina todos os obstáculos do caminho do filho não facilita a caminhada; elimina o caminhante. No lugar de consciência, instala dependência. No lugar de caráter, conveniência. No lugar de responsabilidade, vitimismo. E, quando os pais já não conseguem sustentar o peso que criaram, a vida apresenta uma conta que nem dinheiro, nem patrimônio, nem herança conseguem pagar. Porque a pior pobreza não é faltar recursos; é faltar estrutura para existir sem alguém que continue sustentando aquilo que a educação nunca construiu.
Não há ato mais irresponsável do que transformar um filho em um eterno dependente e chamar isso de amor. Amor que poupa da disciplina não ama; enfraquece. Amor que livra das consequências não protege; incapacita. Amor que compra silêncio, evita conflitos e remove cada obstáculo não educa; domestica para a dependência. Pais assim não criam homens e mulheres livres, mas adultos que esperam ser sustentados financeiramente, emocionalmente e moralmente por alguém. Quando os pais já não estiverem presentes, esses filhos descobrirão, da forma mais cruel, que ninguém herda competência, caráter, responsabilidade ou maturidade. Tudo aquilo de que foram poupados na infância a vida cobrará na idade adulta, com uma diferença devastadora: a infância admite desculpas; a realidade, não. Educar não é facilitar a vida dos filhos. É impedir que eles se tornem incapazes de viver sem os pais. Quem não compreende essa diferença pode deixar patrimônio, imóveis e dinheiro, mas terá falhado na única herança que realmente importa: formar um ser humano capaz de permanecer de pé quando não houver mais nenhuma mão para segurá-lo.
Há pais que não criam filhos; criam dependentes e chamam isso de amor. Alimentam cada capricho, negociam cada limite, compram cada silêncio, removem cada consequência e, no fim, aplaudem uma obediência que nunca foi virtude, mas conveniência. O que chamam de proteção é, muitas vezes, medo de frustrar; o que chamam de cuidado é incapacidade de educar; o que chamam de amor é apenas a recusa em suportar o desconforto de dizer “não”. Cada responsabilidade assumida no lugar do filho é um pedaço de caráter que deixa de ser construído. Cada dificuldade evitada é uma força que deixa de nascer. Pais que fazem da própria vida um escudo permanente não estão preparando os filhos para o mundo; estão preparando o mundo para carregar filhos que eles mesmos decidiram não formar. A tragédia não começa quando os pais morrem. Ela começa no exato instante em que deixam de educar e passam a servir. Porque o pior abandono não é deixar um filho sozinho; é entregá-lo à vida sem consciência, sem disciplina e sem a capacidade de existir sem depender de alguém.
Há quem pense que pensa, mas apenas reproduz pensamentos que foram plantados em sua mente. Não são donos das próprias ideias; são apenas ecos convencidos de que possuem voz. O verdadeiro pensamento começa quando o ser humano tem coragem de questionar até aquilo que acredita saber. Caso contrário, deixa de ser consciência e torna-se apenas uma repetição ambulante: um papagaio com opinião, mas sem pensamento.
“Há pessoas que mudam o mundo. Outras apenas mudam de assunto quando o mundo exige que mudem a si mesmas.”
Desacelera
Desacelera, há um tempo
Determinado para todas as
Coisas
A semente plantada
Germina, cresce, amadurece
E dá os seus frutos
Tudo tem seu tempo
Somente posso plantar
Regar e cuidar e esperar.
Se não houver semente
Terei que parar.
Desacelera, há um tempo
Determinado para todas as coisas,
Não adianta querer mover
A terra e o sol —
Tudo tem seu tempo.
E por um momento
Tive a ilusão de controlar,
E na vida mandar.
Não sei se é destino ou acaso;
na verdade, controlo talvez mais
o meu pensamento e tudo
que há por dentro.
Desacelera, há um tempo
Determinado para todas as coisas.
Eu não mando no seu coração,
mas deixe o tempo passar.
Vamos continuar —
as coisas vão se acertar.
Não pare o que pode
acontecer: é uma linda
história de amor para sempre
ser.
Desacelera, há um tempo
Determinado para todas as coisas.
Bem sei a possibilidade
de estar em um lindo lugar,
os sonhos realizar.
Esse bloquinho, um a um, com o tempo
vai se tornar o lugar
que sempre desejei,
que sempre sonhei.
Dialética do Instante
O bem vem sempre reinar,
O mal há sempre de sucumbir;
Aposte sempre na luz,
Duvide sempre do breu.
O amor jamais ferirá,
O ódio jamais reinará;
O sol jamais sumirá,
A lua jamais cairá.
O medo é encorajador,
O riso é amarelo,
O agora é moroso.
A fama é meritocrática,
O erro é trivial,
A verdade é suprema.
Para todos os lados observo e vejo grandeza, vejo amor, vejo proveito...
Mas alguém há de ver isso em mim?
Vejo olhares arrogantes...
Observo comentários ruins, julgamentos...
Vejo as praças com seus bancos vazios, mas quem há de estar mais vazio? Os bancos ou as pessoas?
Sorrir para não incomodar o outro com a sinceridade é a mentira mais cega da realidade.
Você será odiado e taxado por demonstrar demais.
Será pisado por demonstrar compaixão.
Será condenado por oferecer perdão.
A realidade se dobra ao que parece sólido, mas não transcendente.
Com o tempo, observei algo nos ímpios...
Mesmo que ali pareça não haver mais nada de digno para um bom futuro, eu observei algo que poucos enxergariam: a reparação.
Não observei as falhas, mas compreendo que muitos são vítimas da realidade, já outros escolheram o caminho por se acharem inúteis para oferecer bondade.
O tolo fala, fala, fala... Mas, na sua tolice, ainda há sabedoria, ainda que poucas vezes... Talvez, se ele falasse para si mesmo, compreenderia.
Observo uma mulher que amo indo embora em mais um capítulo da minha vida...
Coisa que não compreendo; porém, digo ser castigo. Eu espero o melhor, mas vem o pior.
O conceito e a finalidade de uma relação começam na compreensão mútua.
A capacidade de se ver no outro e reparar suas dores...
Mesmo que alguém ame ao ponto de enxergar isso, seria tortura ver sua ternura ir embora depois de tudo.
Observei os pais educando seus filhos...
Vejo a criança cair, mas esperar pelo pai e pela mãe para que a levantem. Mas não a ensinam a usar a própria força dos braços para se reerguer e ficar de pé; é uma tolice mimar os filhos sem ensiná-los a resolver suas próprias questões e a ter um senso de justiça.
Observei a impureza...
Para todos os lados, roupas vulgares... Mulheres, em sua carência, mostram o corpo... Homens, em seu desespero, tentam humilhar os outros...
Mas, entre tudo isso, eu me pergunto:
"Onde estão vocês?"
Para onde foi a compreensão das pequenas coisas?
Para onde foi o valor da sensibilidade?
Para onde foi o senso de justiça?
Onde está o amor?
Há Luz em Cada Passo Invisível... porque, quando você segue sem ver um horizonte ou saber se há um próximo degrau, você aprende a exercer a fé. Você sabe que existe um horizonte e que sempre haverá sustento aos seus passos. A certeza do que ainda não se vê: essa é a definição de fé.
Da esperança
Há momentos em nossa vida que parece que tudo está de cabeça pra baixo... não vemos a luz no fim do túnel... não há luz no fim do túnel, na verdade... “a esperança, que é a última que morre”... morreu. Vontade de não sair da cama... de pedir pra parar o mundo porque o que se quer é descer dele... vontade de se tornar fumaça e se diluir no ar... é a treva!
Em momentos assim fazer o quê? Fazer o que quando não conseguimos enxergar nosso potencial em encontrar soluções, em saber que caminhos tomar? Fazer o que quando mergulhamos de cabeça... ou melhor, somos arrastados mar adentro por uma onda de negatividade, tristezas, falta de forças, sentimentos ruins?
Bom... não é fácil... já vou adiantando. Mas é possível sim se fazer de surdo para a voz que grita: “não há saída... você está no fundo do buraco... não há solução... aceite... recolha suas cartas... você perdeu”.
Está bem... você está no fundo do buraco... mas... mas ainda não há terra em cima. E se não há terra em cima, dá pra sair dele, concorda?
Vai ser uma árdua tarefa a subida... mas você tem de dar o primeiro passo... depois o segundo... o terceiro... demore o tempo que for... comece... recomece... e continue. Não esmoreça, não se abata... crave as unhas na terra, dê um impulso e suba um pouquinho... mais um pouquinho (com as mãos sangrando, joelhos ralados, corpo cansado)... e mais um pouquinho. Você chega lá... o potencial pra subida você tem... você só não consegue mesmo é enxergar que há uma saída.
E ler frases, textos, livros que estimulem você a continuar ajuda, sabia? Não resolvem o problema, mas ajudam... e muito. Então:
“A vida não é sobre se encontrar. A vida é sobre se criar”... diz George Bernard Shaw... Nos altos e baixos da vida, saiba que “a vida é 10% sobre o que acontece e 90% sobre como você reage a isso”. Então: reaja... reaja bem ao que acontece... quando as coisas não estão andando bem, não aceite o desistir como opção... reavalie a situação, mude o que tem de ser mudado, enfrente o que tem de ser enfrentado... e reaja... um passo de cada vez... sim porque a vida é feita de uma batida do coração por vez... respire fundo e siga... um passo por vez... uma batida de coração por vez.
Rosangela Calza
Há almas que se unem pelo que têm de mais sombrio: o veneno que uma destila é o banquete que a outra deseja. Sozinhas elas desmoronam, por isso a dependência mútua as mantém unidas.
"Há propósito em tudo; o despropósito começa quando deixamos de ouvir a voz de Deus."
Marilene Mesquita
Há janelas que não obedecem ao vidro.
Às vezes deixam o mundo entrar em silêncio, como quem abre cortinas para um sol tímido que ainda não sabe se é manhã ou memória. Outras vezes, sem aviso, devolvem o olhar com força: viram espelho e mostram aquilo que a gente tenta fingir que não vê.
E há dias piores, em que a mesma abertura se desfaz em abismo — não por maldade, mas por profundidade. Como se a paisagem tivesse desistido de ser paisagem e resolvesse encarar de volta.
Talvez não seja a janela que muda. Talvez seja o olhar que aprende, ou se perde, no que ela decide refletir.
Entre a lei escrita e a vida concreta há um abismo onde a ética urbana deveria construir pontes — mas frequentemente apenas observa o vazio.
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