Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura

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⁠Quase todos querem ser autossuficientes, mas quase ninguém se banca quando a chapa esquenta.


Muitos gostam da ideia de serem autossuficientes.


Ela soa bonita, forte, admirável…


Dá a sensação de controle, de interdependência, de não dever nada a ninguém.


Mas a verdade aparece quando a chapa esquenta.


E ela esquenta!


Sempre esquenta.


Ser autossuficiente não é só pagar as próprias contas ou tomar decisões sozinho quando tudo está calmo.


É sustentar escolhas quando elas custam muito caro.


É bancar o silêncio após o que precisava ser dito.


É segurar as consequências quando não há aplauso, colo ou atalho.


É sobreviver às tempestades.


Mas muita gente confunde autossuficiência com orgulho.


Diz que não precisa de ninguém, mas desmorona quando não recebe a simples validação do outro.


Diz que aguenta, mas terceiriza a culpa quando algo dá errado.


Quer a liberdade das escolhas, mas foge das responsabilidades que vem junto ou depois dela.


Quando a pressão aumenta, quando o conforto acaba, quando não há ninguém para salvar — é aí que se descobre quem realmente se banca.


Porque independência não é ausência de apoio, é presença de coragem.


É saber pedir ajuda sem se abandonar.


É continuar inteiro mesmo tremendo.


No fim, ser autossuficiente não é nunca cair.


É cair, levantar, olhar para o próprio reflexo e dizer: fui eu que escolhi assim — e eu fico.


Fico com o bônus e com o ônus.


Para sermos bons donos do próprio nariz, é preciso ter consciência de que ele também pode sangrar.

⁠A inquietação das almas carentes costuma ser muito mais barulhenta do que qualquer diagnóstico.


Há inquietações que gritam, mesmo quando não dizem nada com clareza.


São almas carentes tentando preencher vazios que nenhum laudo consegue medir.


Enquanto o diagnóstico procura nomear a dor, a carência apenas a expõe — sem filtro, sem pudor, sem silêncio.


Por isso, faz barulho: não para ser compreendida, mas para ser percebida.


A inquietação da alma não pede rótulos, pede presença.


Não exige explicações, clama por sentido.


Talvez por isso incomode tanto: porque revela que há dores que não são patológicas,
são existenciais.


E estas, por mais incômodas que sejam, só se aquietam quando alguém aprende a escutar —
não o ruído,
mas o vazio que o produz.


Que o Médico dos médicos tenha misericórdia de todas as almas carentes!


Amém!

⁠Só tropecei no infortúnio de tentar ser normal — e tropecei feio — até descobrir que o novo normal é se esvaziar de si mesmo.


Passei anos aparando arestas, baixando o tom das minhas convicções, suavizando minhas inquietações, rindo do que não tinha graça e silenciando o que ainda queimava por dentro.


Tudo para caber…


Caber nas expectativas.


Caber nas rodas.


Caber nos moldes invisíveis que alguém decidiu chamar de “normalidade”.


Mas há um preço alto demais em caber.


Descobri, tarde o bastante para doer e cedo o bastante para salvar, que o tal “novo normal” não é sobre equilíbrio, nem sobre convivência, nem sobre maturidade.


É sobre esvaziamento.


Esvaziar a autenticidade para evitar conflito.


Esvaziar a coragem para não incomodar.


Esvaziar a própria essência para não parecer excessivo.


E quando a gente se esvazia de si, sobra o quê?


Um corpo funcional.


Um discurso ensaiado.


Uma presença aceitável.


Mas não sobra alma.


Ser normal, nesse tempo apressado e ruidoso, parece significar ser diluído — sem arestas, sem profundidade, sem identidade que incomode.


Só que viver diluído é viver pela metade.


E ninguém nasceu para ser metade de si mesmo.


Talvez o verdadeiro infortúnio não tenha sido tropeçar.


Talvez tenha sido acreditar que a queda era culpa da minha diferença — quando, na verdade, era o chão que estava torto.


Hoje sei: não há nada de anormal em preservar quem se é.


Anormal é abdicar da própria essência para ser aplaudido por quem jamais suportaria a sua verdade inteiramente nua e crua.


Se for para tropeçar de novo, que seja tentando ser inteiro.


Porque o mundo já tem gente demais vazias de si — e cada vez menos pessoas dispostas a sustentar a própria alma.

⁠⁠Reconhecer que precisamos de ajuda pode ser o pontapé que o problema precisa!


Precisar de ajuda não é um atestado de fraqueza; é, quase sempre, o primeiro gesto honesto de coragem.


Há problemas que não pedem força, pedem escuta.


Não exigem resistência, exigem cuidado.


E é justamente nesse ponto — quando o orgulho cansa e o silêncio pesa — que admitir a própria necessidade se torna o pontapé inicial para a mudança.


Durante muito tempo aprendemos a empurrar dores para debaixo do tapete da rotina, como se ignorá-las fosse sinônimo de maturidade.


Mas a saúde mental não aceita adiamentos indefinidos.


O que não é dito vira peso, o que não é cuidado vira ferida, e o que não é tratado acaba gritando de formas que já não controlamos.


O Janeiro Branco nos convida a limpar os excessos acumulados na alma, a revisar pensamentos, emoções e limites.


É um lembrete de que pedir ajuda não diminui ninguém — ao contrário, amplia as chances de seguir inteiro.


Cuidar da saúde mental é um compromisso diário, não um luxo reservado aos que “não aguentam mais”, mas um direito de quem deseja viver com mais lucidez, leveza e dignidade.


Reconhecer que precisamos de ajuda pode, sim, ser o pontapé que o problema precisa.


Porque todo processo de cura começa quando paramos de lutar sozinhos, e aceitamos caminhar acompanhados.

⁠O manipulador convencido de ser o único inquilino das cabeças dos seus asseclas, pode até lhes mandar buscar o chicote para chicoteá-los.

⁠E eu que, vez em quando, deito um travessão na mensagem — só para ser confundido com um “Chatbot”.


Mas um travessão é muito mais do que sinal gráfico — é um gesto.


Um pequeno ato de ousadia que só pratica quem não teme ser percebido.


Quem escreve com consciência do que carrega, e com a leveza de quem não precisa provar nada além da própria honestidade com as palavras.


Porque, no fundo, escrever é isso:
um jogo silencioso entre coragem e sensibilidade.


Coragem para tocar onde dói —
Sensibilidade para não machucar lugar nenhum.


E um travessão, bem deitado, talvez seja o símbolo mais humilde dessa bela dança.


Ele separa, sim, mas também aproxima...


Às vezes, pausa… mas empurra adiante.


Ele corta… mas também convoca.


Às vezes parece apenas um traço, mas é um traço que fala:
"Ei, aqui entra algo que só os atentos percebem."


E quem ousa usá-lo não o faz por frescura gramatical —
mas por afeto estético, intuição narrativa,
e essa espécie de maturidade que só têm os bem resolvidos:
bem resolvidos consigo, com o que dizem,
e até com o que deixam de dizer.


No fim, o travessão é como o pincel que se deixa cair de propósito:
não é descuido, é assinatura.


Não é desatenção, é presença.


E se alguém confunde isso com um “Chatbot”…
ah! — que continue confundindo.


Porque a arte, quando bem feita, normalmente já confundiu até quem a criou.


E aqui para nós — risos — às vezes um travessão bem deitado é mesmo isso: um pincel que se joga, de caso pensado, sobre a tela.


Um atrevimento sereno, cheio dessa sinergia rara entre arte, responsabilidade e sensibilidade — um trio que costuma morar apenas nos que já fizeram as pazes consigo e com a própria forma de criar.


A intenção, claro, era fornecer lenha para queimar.


E o fogo aceitou.


Porque, é preciso muita coragem para se aventurar na arte de escrever.


É preciso alguma loucura mansa para deixar palavras escaparem sabendo que podem ferir, curar, provocar ou até acalmar.


E é preciso ainda mais sensibilidade para permitir que elas se entendam com as imagens — porque, quando elas resolvem brincar juntas, quem escreve vira mero coadjuvante.


A palavra abre caminho.


A imagem acende.


O travessão risca.


E o gesto final surge sozinho —
como se a chama tivesse vontade própria.


Talvez não haja atrevimento mais bonito e charmoso do que o dos que se aventuraram e se aventuram no ofício de escrever.


Porque escrever é primeiro se arriscar —
e só depois se revelar.


E haja atrevimento pra tocar quem se atreve a ler!


Pois, quem escreve, abre portas, mas quem lê, precisa ter coragem
de entrar.


No fim, talvez seja assim que a arte realmente nasce:
do encontro entre um risco, uma intenção e a ousadia de se deixar queimar.


E nós apenas sopramos o fogo —
porque a Lenha, a Faísca e o Incêndio Poético
já estavam ali — todos —
pedindo pra brincar.

⁠A mentira repetida só vira verdade por ser uma das moedas que custeiam o aluguel das cabeças desocupadas.


A verdade nunca dói, o que dói é o fato de ela diferir das nossas vontades.


E a mentira não cria raízes por força própria.

Ela precisa de solo fértil: mentes desocupadas, críticas adormecidas e consciências terceirizadas.


Repetida, não se transforma em verdade — apenas em hábito.


E hábito, quando não questionado, passa a ser confundido com realidade.


Há quem alugue a própria cabeça por conforto: pensar cansa, duvidar exige coragem e confrontar narrativas cobra um preço muito alto.


A mentira paga esse aluguel com promessas fáceis, inimigos prontos e explicações que dispensam reflexão.


Em troca, exige apenas silêncio interior e obediência ruidosa.


Mas a verdade nunca foi aceita como moeda corrente.


Ela às vezes pesa demais, incomoda, desalinha certezas e devolve ao indivíduo a responsabilidade de pensar.


Por isso, circula muito menos.


Não porque seja fraca, mas porque recusa ser aceita sem resistência.


No fim, a mentira só prospera onde o pensamento crítico tirou férias ou nem sequer existiu.


E talvez o maior ato de rebeldia hoje seja reocupar a própria mente — expulsar o inquilino confortável da repetição e devolver à verdade o espaço que sempre foi dela.

O Crime Organizado costuma ser mais previsível que muitos Líderes Religiosos que se ajoelham diante da política.


E talvez seja exatamente aí que mora o perigo: na previsibilidade do perverso e na imprevisibilidade dos que deveriam ser farol.


Quando o crime se apresenta, já sabemos o que esperar — sua brutalidade não promete virtudes, nem esconde seus métodos.


Ainda que precipitado nos infortúnios da própria escuridão, ele consegue ser até mais honesto do que quem tem agenda oculta para cumprir.


Mas quando a fé, aquela que deveria ser abrigo, se confunde com palanque;
quando o altar, aquele que deveria ser refúgio, vira plataforma;
quando a palavra sagrada, que deveria orientar consciências, começa a servir a conveniências… passa a ser usada para se esconder, aparecer e se promover,
então a confusão deixa de ser acidente e se torna estratégia.


A fé não é o problema.


O problema é quando ela é sequestrada por ambições.


Quando mãos que deveriam erguer feridos, erguem partidos.


E quando vozes que deveriam consolar, inflamam disputas.


Quando líderes que deveriam curar feridas, as utilizam como moeda política.


E, por ironia muito amarga, enquanto o crime mantém sua lógica previsível — tão trágica quanto constante — a espiritualidade distorcida por interesses se torna um território nebuloso, onde o risco não é apenas o engano, mas a perda do discernimento coletivo.


Porque quando quem deveria apontar o caminho se ajoelha diante do poder, os que com ele caminham é que se perdem.⁠

⁠Ninguém consegue ser mais respeitoso do que aqueles que respeitam até os que não se respeitam.

De repente os Direitos Humanos são necessários, a Saúde Mental importa e a Ciência deixa de ser negada…


Há uma irrisória esperança nisso…


Quando a palavra de Deus deixar de ser usada para se Esconder, Aparecer e se Promover e voltar ao propósito original — acender luzes, não ofuscar e confundir mentes e espíritos descuidados ou mal intencionados — talvez o mundo se reencontre.

⁠Com tantos Vendendo Certezas por aí, suponho que muitos têm medo de tentar ser fortes e descobrirem-se Feitos de Dúvidas.

Não nasci para ser apenas uma coisa
Ser escritor é abraçar um projeto muito pessoal e, muitas vezes, solitário. É ficar a sós com os pensamentos, escolher palavras, construir ideias e tentar transformar sentimentos em histórias. Já nas profissões coletivas, a felicidade parece transbordar quando o trabalho termina e a conquista se transforma em vitória compartilhada.
Certa vez, ouvi Flávio Gordon, jornalista e escritor brasileiro, definir, com sabedoria: a estética determina o que é belo e o que não é; a moral distingue o certo do errado; e a política define amigos e inimigos.
Pois bem! Eu adoro escrever, ouvir música, assistir a comédias, contar piadas, ver filmes de western, cozinhar, conviver com crianças e idosos, aprender coisas novas para compartilhá-las e, principalmente, conversar com os amigos. E é aí que começa o meu dilema: como posso querer ser escritor se gosto tanto de gente?
Quando caminho, geralmente encontro os assuntos sobre os quais desejo escrever. É na solidão das trilhas que meus pensamentos ganham profundidade. O silêncio, a brisa, as folhas que caem, o canto dos pássaros, o perfume das flores, a chuva, o movimento das formigas e até o zumbido das abelhas me ajudam a enxergar o mundo por outros ângulos. Caminhar é como abrir uma janela dentro de mim, por onde entram ideias que, mais tarde, tento transformar em palavras.
Talvez eu devesse ter escolhido outra profissão. Quem sabe estilista ou designer de moda, já que gosto de me vestir bem e minha filha Beatriz, profissional da área, às vezes me ajuda a escolher a roupa certa para cada ocasião. Ou professor, porque adoro pesquisar, aprender e compartilhar conhecimentos. Talvez político, pois gosto de percorrer as cidades, identificar o que está errado, perceber o que falta à população e cobrar soluções. Também não escondo minha indignação diante dos corruptos, dos aproveitadores e daqueles que colocam os próprios interesses acima do bem coletivo. Ou, quem sabe, chefe de cozinha, já que cozinhar é minha segunda melhor terapia.
Agora, próximo dos setenta anos, percebo que me tornei um pouco de tudo isso, embora reconheça o quanto ainda tenho a aprender. A idade não conseguiu apagar minha inquietude, muito menos minha vontade de experimentar, descobrir e fazer acontecer. Talvez eu seja um generalista: alguém que conhece um pouco de muitos assuntos e, por transitar por diferentes caminhos, consegue conectar ideias que nem sempre os especialistas percebem.
Por isso, quase todos os dias, as pessoas me enxergam de maneiras diferentes e tentam me definir. Felizmente, as caminhadas também me ensinaram a ouvir mais, responder menos e não sentir a obrigação de explicar quem sou. Aprendi que nem todo mundo precisa compreender nossos caminhos, muito menos conhecer todos os nossos pensamentos.
Uns me veem como escritor; outros, como peregrino. Há quem me considere alguém que aproxima pessoas, enquanto outros simplesmente me enxergam como um sujeito inquieto, sempre inventando alguma coisa nova — até mesmo a aventura de me tornar Papai Noel.
E talvez seja justamente essa a resposta que eu procurava. Não preciso escolher entre escrever e conviver, entre a solidão das trilhas e a alegria das pessoas. Posso caminhar sozinho para encontrar minhas ideias e voltar ao mundo para compartilhá-las.
Afinal, talvez eu não tenha nascido para ser apenas escritor, professor, cozinheiro ou peregrino. Talvez eu tenha nascido para continuar sendo aquilo que os caminhos me ensinaram: alguém que nunca deixa de aprender, que gosta de gente e que ainda encontra motivos para sonhar.
E, enquanto houver caminhos a percorrer, histórias a contar e pessoas com quem conversar, continuarei sendo esse peregrino inquieto, tentando descobrir quem sou, sem jamais perder a vontade de ser um pouco mais.
Peregrino Nino Carneiro

Gil - a delicadeza de voltar a ser adolescente

Na minha adolescência, existia um lugar chamado Gil.

Era um muro, num trecho escuro, acima do mar. Um desses lugares que ganham vida própria na memória de um bairro porque, entre a escuridão da noite e o barulho das ondas, os casais de namorados se encontravam para namorar.

Eu nunca frequentei o Gil. Mas sabia da sua existência. Sabia que, por trás daquele muro, havia histórias de encontros, beijos escondidos e mãos que se procuravam longe dos olhos de quem pudesse interromper o encanto.

O tempo passou. A adolescência ficou para trás, como ficam tantas coisas que a gente imagina, mas nunca chega a viver.

Até hoje.

Hoje fui caminhar na praia com um amigo. Somos amigos há mais de quinze anos. Entre nós, sempre houve amizade, carinho e respeito. Uma história construída sem que nada além disso precisasse existir.

Mas há dias em que a vida nos surpreende sem fazer alarde.

Caminhamos de mãos dadas à beira-mar. E, em algum momento, entre o som das ondas e a quietude daquele encontro, nos beijamos no muro da escadaria que desce para o mar.

Foi quando me lembrei do Gil.

Contei a ele a história daquele lugar e disse que estava me sentindo uma adolescente.

E estava mesmo.

Não pela idade, que já não me permite enganar o calendário, mas pela leveza. Pela novidade de um gesto que, de tão simples, parecia extraordinário. Pelo frio na barriga, pela doçura dos beijos, pela mão que encontra outra mão sem precisar explicar muita coisa.

Foi um encontro gostoso. Leve. Como um abraço daqueles em que a gente não sente vontade de sair tão cedo.

Aliás, talvez essa seja a melhor maneira de explicar o que senti: vontade de morar naquele abraço.

Morar no aconchego, na delicadeza, no tempo que parecia ter desacelerado só para nos deixar ficar um pouco mais. Naquele lugar onde não era preciso pensar no depois, encontrar respostas ou dar nome às coisas.

Era só estar ali.

A possibilidade de viver um instante sem precisar transformá-lo em uma definição, sem exigir dele promessas ou explicações. Apenas sentir. Apenas desfrutar.

Pensei em quantas vezes a vida nos convence de que certas experiências pertencem a uma idade, a uma época, a uma versão de nós que já não existe. Como se, depois de tantos anos, não pudéssemos mais sentir o coração se alegrar com um beijo ou descobrir uma novidade nos braços de alguém que já conhecemos há tanto tempo.

Mas talvez a adolescência não seja apenas uma fase da vida. Talvez seja também essa capacidade de se surpreender, de sentir o inesperado e de descobrir que ainda há coisas bonitas esperando por nós.

E o Gil, que nunca fez parte das minhas aventuras adolescentes, acabou entrando na minha história de um jeito inesperado.

Hoje, não fui ao encontro de uma lembrança. Fui caminhar na praia com um amigo.

Mas voltei com a sensação de ter encontrado uma menina que ainda mora em mim.

Uma menina que, por algumas horas, caminhou de mãos dadas, beijou devagar, abraçou sem pressa e desejou morar ali.

Talvez a vida seja mesmo isso: a delicadeza de nos surpreender quando já não estamos esperando por nada extraordinário.

E, às vezes, tudo o que a gente precisa é de um mar, um muro, beijos doces e um abraço onde dê vontade de morar.

A honestidade intelectual começa quando a convicção deixa de ser considerada prova e passa a responder pelas evidências que a sustentam.

O agnosticismo não é uma doutrina sobre o que deve ser acreditado, mas um método para limitar as afirmações àquilo que suas evidências permitem sustentar.

Ciência e religião só podem ser comparadas com rigor quando se distinguem seus métodos, seus objetos de investigação e os tipos de afirmação que cada uma pretende justificar.

Brincar de ser cristão também é um direito — acreditar que o encardido faça o mesmo é só outra tolice.

Não sou contra um Estado nuclearmente armado por ser pauta da esquerda, nem contra o armamento civil por ser pauta da direita. Sou contra o armamento inconsciente, por ser cristão.

Antes de ser sequestrado pela Medonha Polarização, o cabo de guerra era só uma das inúmeras e ingênuas brincadeiras de crianças dos bons e velhos tempos.

Viver um dia de cada vez pode ser a melhor maneira de colorir todos eles.