Ha de ser Forte sem Jamais Perder a Docura
Há um instante em que o olhar se recolhe e as cortinas se fecham, não como fim, mas como pausa — a lente descansa do excesso, aprende a não capturar a dor que insiste, e no silêncio desse apagar de luz, nasce a coragem de escolher: ou se acende de novo por dentro, ou se aceita, com dignidade, que até desistir também pode ser um gesto de lucidez.
Em minha defesa, eu nunca escondi o que sou nem o que desejo.
Há em mim uma mulher inteira, mas também uma menina que ainda acredita no cuidado, no gesto que acolhe, no olhar que sustenta. E é por ela que eu escolho.
Não quero ser a mulher de um menino que ainda ensaia responsabilidades, que se perde nas próprias indecisões e chama isso de liberdade. Não quero ser abrigo provisório de imaturidades, nem colo para quem ainda não aprendeu a permanecer.
Eu quero ser leve… mas leve de verdade.
Leve porque posso descansar, porque não preciso endurecer para dar conta de dois, porque não preciso ensinar o básico a quem já deveria saber amar com presença.
Quero ser a menina de um homem.
De um homem que entende que cuidado não diminui, que presença não sufoca, que escolha não se adia. Um homem que não se assusta com a profundidade, mas mergulha. Que não foge quando percebe que é real.
Porque em mim, tudo é real.
O sentir, o ficar, o construir.
E se isso assusta quem ainda é raso, então que assuste.
Eu não fui feita para caber no medo de ninguém.
Em minha defesa, eu só estou sendo fiel ao que em mim nunca foi ausência
essa vontade bonita de ser bem escolhida… e, finalmente, poder ser leve sem precisar deixar de ser inteira.
Desejos Impossíveis
Há desejos que não batem à porta. Eles entram silenciosamente, ocupam um canto da alma e aprendem a morar ali.
Tentamos ignorá-los. Mudamos os caminhos, desviamos os pensamentos, ocupamos as horas com outras urgências. Dizemos a nós mesmos que já passou, que não faz sentido, que é melhor seguir adiante. Mas alguns desejos conhecem atalhos que desconhecemos.
Eles atravessam o tempo escondidos em uma lembrança, reaparecem no perfume que o vento traz, em uma música esquecida, em um instante qualquer entre a distração e o silêncio.
Quanto mais fugimos, mais percebemos que a distância nem sempre é capaz de desfazer o que criou raízes.
E assim o desejo caminha.
Não apressa os passos, não exige explicações. Apenas permanece, percorrendo os corredores mais secretos do coração, esperando o dia em que será acolhido, transformado ou, quem sabe, compreendido.
Porque há desejos que não nasceram para ser esquecidos. Apenas seguem existindo, atravessando estações, sobrevivendo às ausências e encontrando maneiras de nos lembrar que algumas partes de nós continuam vivas, mesmo quando tentamos convencê-las do contrário.
Hoje não estou muito bem.
Há dias em que a gente não desaba porque aprendeu a guardar. E, de tanto guardar, vai enchendo gavetas que já não fecham mais, empurrando para o fundo do armário tudo aquilo que não teve tempo, lugar ou permissão para sentir.
Hoje sinto o peso dessas gavetas.
O frio da noite parece encontrar cada uma dessas sombras escondidas. Os pensamentos caminham em desordem, cruzam minha mente sem pedir licença, enquanto eu tento, silenciosamente, colocar tudo em equilíbrio. Não porque esteja tudo bem, mas porque a vida continua exigindo que eu siga.
Não tenho a opção de parar para sentir.
Então continuo. Arrumo o sorriso, organizo as tarefas, respondo às pessoas, respiro fundo... mas sinto.
Sinto o cansaço de quem precisou ser forte por tempo demais. Sinto o peso das palavras engolidas, das lágrimas adiadas, das dores que aprenderam a esperar pela madrugada para aparecer.
E talvez seja isso que mais doa: não é a falta de sentimentos. É a falta de tempo para acolhê-los.
Mesmo assim, sigo.
Não porque seja fácil, mas porque, por enquanto, é o único caminho que encontrei. Carrego comigo a esperança silenciosa de que um dia eu possa abrir essas gavetas sem medo, deixar entrar luz onde hoje habitam sombras e, finalmente, descansar o coração de tudo aquilo que ele insistiu em suportar calado.
Se não pode confiar se afaste ou reveja-se. Há desconfiança que não passa de insegurança própria projetada no outro.
Há momentos que sou tratado
como um vilão
e em outros como um mocinho,
entretanto, o fato é que não sou
nem um, nem outro,
nem penso em agradar a todos,
apenas sigo o meu próprio caminho,
querem que eu cure, que eu ensine,
vezes, pedem pra apressar-me,
em outras, pendem pra acalmar-me
mas só quem sabe o meu valor
e dar-me o devido respeito
que poderá assim beneficiar-se
do meu agir, O Tempo.
Há muito te espero. Te espero sem fazer alarde. Te espero sem te procurar. Confesso: até sem sair do lugar.
Tenho receio de que nos desencontremos enquanto dou voltas por aí. Que eu passe por você em um café, numa esquina, em qualquer lugar… e não perceba. Inclusive, posso nem reconhecê-lo.
Ainda assim, te espero. Porque sei que tua alma reconhecerá a minha. Num aroma que fica no ar, num olhar profundo, talvez em um verso dito na hora certa.
Mas às vezes me pergunto: e se já nos encontramos? E se nos desencontramos logo depois? E se nos perdemos no tempo, ou não soubemos nos reconhecer? E se nos estranhamos, duvidamos, seguimos adiante?
Será que o destino concede segundas chances aos que eram para ser?
Será que, mesmo tardios, ainda saberemos voltar um para o outro?
Ou será que, de alguma forma silenciosa, seguimos nos esperando até hoje?
Há!
Saudades bate à porta senta aqui
Preciso abraçar-te e dizer-te que quero-te comigo
Para matarmos juntas essa lembrança que toca-nos como
Uma música sublime em nossos tristes
Corações.
Com uma atitude otimista e fé inabalável no coração não há obstáculo que não se consiga ultrapassar.
Há momentos em nossa vida que nada ao redor importa, o importante mesmo é estar com pessoas especiais.
Escolhas
Há escolhas difíceis que fazemos durante nossa caminhada, e por diversas vezes agindo pela emoção, erramos mais do que acertamos.
Mas que bom é errar, assim a gente aprende, a gente cresce, a gente dar valor, a gente reconhece...
Não foi diferente quando conheci você . . .
Quando te vi me encantei pelo seu jeito de dançar, pela forma como você colocava a mão no cabelo, pelo seu jeito de me olhar nos olhos . . . Te desejei e imaginei o encaixe perfeito de nossos lábios e o embaraçar que seria se nossos corpos se encontrassem.
Mas escolhi ficar ali observando e quanto mais te conhecia, mais me vinha a certeza que você estava longe do meu alcance. Você é perfeita aos meus olhos.
Seu sorriso confirmava o desejo de ter ali comigo, seus dedos me chamavam ao som daquela música e seu olhar penetrava no fundo da minha alma me dizendo pra ficar contigo.
Poderia te ter apenas por uma noite... mas escolhi te ter para sempre.
Em todos os abraços que eu poderia me desprender, o seu eu quero sentir eternamente.
E vendo o amor diante da minha dor, me curei profundamente.
Você é cheia de manias e defeitos, você é chata, as vezes mimada... mas eu te amo incondicionalmente.
E por te amar demais, te protejo pela amizade extensiva, pelos abraços expressivos, pela sinceridade nos olhos.
Amizade é um amor que dura para a vida inteira.
É a certeza de te ter sempre aqui comigo.
Eu sou apenas reflexo de seus delírios.
Sem você eu não me admiro.
Pois sei que você é a minha melhor parte.
Há coisas na vida que tem um prazo de validade muito curto, e por mais que se tente prolongar por mais um ou dois dias, não dá certo,o melhor a se fazer é jogar fora. Afinal pra quer colecionar entulhos , eles só servem pra pesar na bagagem e puxar sua vida para trás.
Por trás da virilidade, da potência e da agressividade, há um homem frágil e inseguro que camufla seus sentimentos pelo medo de ser incompreendido.
Tudo na vida passa:o vento,as músicas,as palavras,as paixões,mas há certas pessoas que ficam e uma delas é VOCÊ!!!
Os lados, de Paulo Mendes Campos
Há um lado bom em mim.
O morto não é responsável
Nem o rumor de um jasmim.
Há um lado mau em mim,
Cordial como um costureiro,
Tocado de afetações delicadíssimas.
Há um lado triste em mim.
Em campo de palavra, folha branca.
Bois insolúveis, metafóricos, tartamudos,
Sois em mim o lado irreal.
Há um lado em mim que é mudo.
Costumo chegar sobraçando florilégios,
Visitando os frades, com saudades do colégio.
Um lado vulgar em mim,
Dispensando-me incessante de um cortejo.
Um lado lírico também:
Abelhas desordenadas de meu beijo;
Sei usar com delicadez um telefone,
Nâo me esqueço de mandar rosas a ninguém.
Um animal em mim,
Na solidão, cão,
No circo, urso estúpido, leão,
Em casa, homem, cavalo...
Há um lado lógico, certo, irreprimível, vazio
Como um discurso,
Um lado frágil, verde-úmido.
Há um lado comercial em mim,
Moeda falsa do que sou perante o mundo.
Há um lado em mim que está sempre no bar,
Bebendo sem parar.
Há um lado em mim que já morreu.
Às vezes penso se esse lado não sou eu.
Paulo Mendes Campos (Belo Horizonte 28 de Fevereiro 1922 - Rio de Janeiro 1 de julho de 1991) - Foi poeta, escritor, cronista e jornalista brasileiro. Foi um dos mais talentosos escritores da geração mineira, junto com seus grandes amigos Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino e outros. Como ele mesmo disse, "fui para o Rio de Janeiro para conhecer o poeta chileno Pablo Neruda, e aqui estou até hoje". Paulo foi um dos que revolucionou o estilo da crônica na imprensa e, com certeza, foi um grande poeta brasileiro.
A vida não é assim mesmo.
Há muita coisa para fazer.
Não acostume a normalidade.
Indague se!
Seja a mudança!
É preciso remar contra maré.
Sempre!!!
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