Ha como eu Queria q ela Soubesse
Não há felicidade eterna
Mas pode existir alegria
na medida exata
E nada menos que isso
Pois a gente pode sempre
Procurar adquirir e manter
Equilíbrio e sabedoria
Nem que seja um pouco
Pra entender as coisas que tem nome
Mas a gente nunca sabe qual é
E dessa maneira
Não tratá-las por um nome qualquer
Se houver qualquer forma
de ódio ou de amor
Que seja pelo menos
Conforme as normas das coisas normais
Pra não crescerem excessivamente
Pois eles costumam trocar de lugar
Pra depois se revelar demais pequenos
Se fez
Faz segredo
Se fizer errado
Sinta medo
Saiba
Que no fundo
Tudo é raso
Não há malfeito que se oculte
O que a gente chama acaso
É somente o Universo corrigindo
os incidentes de percurso
Pra que tudo corra entre dois trilhos
O rio da vida segue um curso
e cumpre um prazo
Todo desconhecido
Tem nome e endereço
e é pesado e medido
e tem preço definido
O deus do justo é um andarilho
Um pedinte, um giramundo
Pra que assim
Possa chegar perto da gente
Invisivelmente , sem que se atente
Que pra tudo existe
um custo a pagar
Triste ou contente
Pois, por mais que se fuja ou se faça
O tempo enferruja
E não permite nada
Sem limite
Cada minuto é contado
E nada na vida é de graça.
Edson Ricardo Paiva.
O mundo parece ser o mesmo
Creio parecer, não há certeza
A passagem das horas engana
Em sua constante movimentação
Cuja direção não se altera e nem varia
Dia-a-dia sempre em frente
Às vezes o tempo passa
Da mesma maneira
Que se espera que aconteça
Mas tem horas que o tempo dá saltos
Há magia na luz que toca o chão
Desvia a atenção, engana
O mundo sempre muda um pouco
Em momentos assim
Quando a gente não percebe
Mas a gente muda tanto
Nesse lento dia-a-dia
Que chega a pensá-lo eterno
Muitas vezes você pensa
Em ir ao mar, para olhar
Poucas vezes se imagina
Conhecendo o mar inteiro
Pois, enquanto girarem ponteiros
E enquanto existir a incerteza
Haverá sentido e direção
No tempo, na vida
E nessa ausência de definição concreta
O mundo é repleto de impressões
Como o vento que toca o teu rosto
E prossegue em seu caminho
Pra um lugar qualquer
Você sabe que o caminho existe
Mas a graça dessa vida
É a gente nem sempre saber qual é.
Edson Ricardo Paiva
Um dia
A gente há de acordar
E perceber
Que o Mundo esta melhor
Um dia
Você vai notar
Que a tristeza
Que parecia não ter fim
Não se senta mais à mesa
Não mais adentra a sua porta
A tristeza
Finalmente se foi
Pode ser até
Que esteja morta
Ninguém sabe
Ninguém viu
Fugiu sem pedir desculpas
Tornou se uma roupa
Que não mais te cabe
A tristeza finalmente
Foi embora
Olhe pros lados
Consulte o relógio
Pois pode ser que seja agora
A hora daquele momento
Tão profundamente
Acalentado.
Pode ser até que perceba
Que ela nunca esteve aí
E que aquilo que te fazia
Sentir se triste e solitário
Sempre a consultar o calendário
Nunca tenha deixado de ser
Somente um amigo imaginário.
Até quando há de durar
Quem poderá dizer
Aonde morrem os ventos
Será que é la no lugar
Onde nascem os sonhos?
Os momentos vão passando
A vida corre
Em passos lentos
A vida passa
Esquecemos impulsos contidos
Doutros tempos
há muito idos
Novamente se descobre
Não saber
O que se achava que sabia
Aonde tudo haverá de, finalmente
Dividir-se em dois
Quando é que termina o "antes"
Pra fatalmente vir o "depois"?
Será que estarão presentes
Aqueles sorrisos isentos
Sempre ausentes
Aqueles em que a gente vê
todos os dentes
Invento motivos
Procuro razão
Arranjo uma desculpa
Pra continuar seguindo
O caminho que a vida aponta
Vou contando o tempo
E vivendo além da conta
Há dias em que parece
Que a gente amanheceu
e levantou
Com dois pés esquerdos
não há nada e nem há flores
Que impeçam
Um amor de acabar mais cedo
Malograda a esperança
O Jeito
é colocar o pé na estrada
Larga ou estreita
E a gente não entende
Só aceita
Há dias em que mesmo sob o Sol
Tudo é cinza, tudo é triste
A gente nem mesmo tenta
Só desiste
E se pergunta
Se um dia haverá
de sorrir novamente
Não aceite,
Não desista,
Nem pergunte
Apenas tente.
Há aves que cantam
e existem aves que voam
tem também
As que são polivalentes
Cantam, voam e são belas
Deus criou também aquelas
Que não voam
As que sujam
e as que limpam
As que tem muita utilidade
E as que na verdade
Se juntam aos bandos em revoada
e nunca serviram pra nada
Algumas somem lá no Céu
de tão alto que voam
e de lá a tudo veem
Assim como os Olhos do Criador
Que fez as que nada enxergam
E assim, aos humanos se apegam
Deus fez as aves ruins
E fez também as muito boas
Depois colheu essas qualidades
E as colocou nas pessoas.
O tempo passa, corrói a ferrugem, rói a traça
porém há belezas ocultas, mesmo que nada se faça
nem tudo na vida perde a graça.
Dias há em que penso em me calar
E passar a simplesmente ler jornal
Guardar lá no fundo do armário
Este meu já não muito profíquo
Embornal de letras mortas
Absorto em minha leitura
ao final de mais um dia
Me vem a compulsiva e indomável tortura
Quase que lasciva obsessão que me domina
Minha cabeça se inclina
Completamente carregada
da boa e velha poesia pura
daquela que acalma as nossas vidas
traz de volta à razão
as almas dos suicídas
Amaina os corações dos homicidas
É muito mais feliz quem cria
Que aquele que um dia
Leu, porém não entendeu
Que talvez o homicida ou suicida
seja eu.
Tem dias em os dias são só dela
Dias há, em que as horas são só minhas
Há momentos em que não pertenço a nada
Nada faço e em mais nada penso
Nascem dias em que eu acordo propenso
a pensar somente em poesia.
Há momentos em que tudo que penso
é somente sumir, partir, ir embora
Estou por aqui há tanto tempo
Que nem ao menos me lembro
Qual das pernas eu uso
Pra dar o primeiro passo
Sinto saudades de um dia
Que nem ao menos sei dizer
Se realmente existiu
Ou se meu coração o criou
Pra espantar a tristeza
Num momento de rara beleza
Eu voava por sobre pântanos e montanhas
E me sentei, cansado
Embaixo de uma árvore
Arreada de lindos e estranhos frutos
Ao meu lado uma voz me dizia
Que aquele havia sido
O dia mais divertido de nossas vidas
Hoje, tudo que me resta
Além de dias diminutos
É a vontade de reencontrar
Os pássaros que voaram comigo
Numa antiga lembrança
de uma hora amiga
Que eu não sei dizer
Se realmente existiu.
O dia e a noite
A Lua e o Sol
A água e o vento
Se vão sucedendo
Momento a momento
Há instantes, sem a mínima importância
Que às vezes levam dias pra passar
Nesta solidão sem trégua
O silêncio se dirige a mim
e novamente declama
a mesma sentença
à qual me submete há tanto tempo
Eu não sei se ele ou eu
um dos dois se perdeu
E tudo que ficou pra nós
lembranças
tristes recordações
daquele tempo insano
em que cada um passava os dias
exercendo egoísmo e pensando
Em seu mundo, tão pequeno.
Que não fazia, em absoluto
Parte integrante de algo
maior e nem melhor
Antes
Estava somente acima
Agora, dia e noite se sucedem
E eu ainda os vejo se apinhando
Mutuamente se odiando
e se digladiando a todo momento
aquele tempo tão triste
não se foi; está bem aqui e ainda existe
Elas se matando
Por um lugar num banco de Igreja
Eles prometendo vingança
Por causa de um pouco de cerveja
Gente de caráter irrepreensível
Se esconde, ao final do dia
No local reservado aos que desceram
ao pior e mais baixo nível
E como porcos, fuçam a lama
buscando pela prata que esconderam
Dos chacais que a desejavam
Eu ainda os vejo
caminharem lado a lado
sem se exasperar
O dia passa, a noite passa
Este mundo se tornou pra mim
Um teatro, onde se exibe
Uma ópera farsesca
surrada e um tanto sem graça
A ópera chamada Vida
A mesma que deveria
Pura e simplesmente ser
A grande graça recebida.
Antes de o sino tocar
pos sete vezes
Muita água há de passar
despercebida
Os ventos solares
sempre sopram
na mesma direção
Mas o mundo gira
e sempre muda de lugar
A cada badalada
haverá de ter soprado
décadas
Uma de cada vez
dia-a-dia
Mês a mês
de maneira que você
Só haverá de perceber
o penúltimo soar
Neste intervalo
O tilintar da prata
e o brilho do ouro
Surdo e cego te deixarão
a ponto de desconhecer
A cada irmão
que na rua esbarrar
Mas ainda não terá chegado o fim
Perceberás que o mundo
terá feito de ti um fandango
No segundo que preceder
ao último gongo.
Vida
Passagem mágica
Em algum lugar
Onde não há de ficar
Ninguém
Esquecida
essa viagem sem lógica
Ela será perdida
Se eu mesmo não fizer valer
Esse absurdo que deu certo
Eu nasci só
e ao pó hei de voltar
e vivo sem haver
Ninguém distante
e muito menos perto
Que tenha merecido
O amor que dediquei
Não faz mal
O amor de Deus me quis
E o amor de Deus me fez
Talvez demore
Mais um ano ou mais um mês
Pra que Ele desfaça
Entre eu e este Mundo
Seus laços
E eu possa mergulhar, enfim
Numa ausência
Constante e sem fim
Eu deixo a vocês um abraço.
Há mais coisas sobre a gente
Que a gente não sabe
Que é melhor nem mesmo pensar
Não é medo de andar de avião
e nem vontade de pisar com o pé no chão
Perdi meu medo de fantasma
Mas às vezes me assusta o marasmo
Me assusta o descaso
Me assusto em ver
Tanta gente que se supervaloriza
Sem que ninguém as avise
Que tanto brilho
Que enxergam em si mesmas
São pelo fato de viver ensimesmadas
Mais nada
O que a gente, às vezes, não percebe
é que não é preciso nada disso
Pois o nosso compromisso
é com algo invisível
E quando a gente
Atinge o grau da simplicidade
Acabou de subir um nível
Não faz mal ter medo de escuro
O mais puro medo que se oculta
é aquele
Que nem mesmo o coração escuta
e a alma refuta
Um medo descabido
Que a cada dia
Tanto mais descabe
Mesmo que a casa caia
Nem mesmo que o Céu desabe
A gente vai morrer sem saber
Muita coisa sobre a gente
Que a gente não sabe.
Não há mal que pra sempre dure e nem verdade que permaneça eternamente oculta. A mentira é uma bola de neve que o mentiroso tenta levar sorrateiramente montanha abaixo....em determinado momento ela fica tão insustentável que o mentiroso simplesmente não tem mais domínio sobre ela, que lhe escapa às mãos e corre ruidosa e rapidamente para o local mais baixo do baixo do baixo, onde se encontram todos os mentirosos e ali ela explode, deixando à vista as milhares de pequenas mentiras que nela se acumularam, impregnaram e apodreceram. As pessoas honestas sabem qual é o peso da desonestidade, são honestas para não passar pela vergonha de ser descobertas. O mentiroso contumaz é tão desprezível, que mesmo desmascarado permanece a negar, pois acredita que a mentira e a desonestidade são direitos seus e não incomodá-lo é obrigação de todos. O maior medo do mentiroso é ser enganado, mostre-me uma pessoa desconfiada e eu te mostrarei um mentiroso.
Às vezes penso há quanto tempo vivo,
e há quanto tempo existo
Há quantas andam meus pensamentos
e no que tenho feito pelos outros
e para os outros
E naquilo que haverei de deixar
e penso que talvez o tão procurado
segredo da vida
esteja na diferença que interpretamos
as palavras viver e existir
deixar e fazer
e no peso da palavra "Quanto?"
Á tua frente a mesa farta e a fome que não há
noutros cantos do mundo há fome; e a mesa...onde está?
Aconselho-te muita cautela
quando avistares no horizonte
aquela nau de formas belas
que há de chegar para colonizar
a tua alma singela
se a expedição for de ocupação
haverá de habitar no seu coração
fixando residência
porém, te aconselho prudência
pois se for de exploração
ouvirás mais "sim" do que "não"
e ao final de um primeiro momento
haverás de conhecer o sofrimento
começando por perder
a capacidade de confiar
na própria existência do amor
haverás de sentir muita dor
ao sentir seu coração despedaçado
colocaste a mão no vespeiro
por amor
que não era verdadeiro
destruindo tua alma singela
mas ele há de chegar
qual dos dois ele será?
não terás como saber
Portanto, aconselho cautela
pois não há como dizer
que não andes pela praia
com os olhos no horizonte
a aguardar um dia a chegada
daquele vulto que poderá ser tudo
ou te transformar em nada
É importante haver beleza
Quando beleza não há
É irrelevante a nobreza
Inútil a imponência
Desinteressante a riqueza
Mas, há também um porém
Existem
Vários tipos de beleza
Bonito é saber fazer sentir
Vontade de estar junto
Bonito é causar saudade
Portanto
Há belezas tão belas
Que o mais bonito nelas
É a tímida vaidade
Mágica propriedade
de parecer estar ausênte
Fazendo-se oculta
Tem a beleza que se sente
A beleza que se vê
E a beleza que se escuta
Uma espécie de beleza bruta
Beleza rara
Beleza escondida
Quando tudo mais se for
Há de estar ali
Independente do frescor
Presente para sempre
Até o resto da vida
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