Ha como eu Queria q ela Soubesse
O Limiar
No limiar, não há ventos que empurrem,
nem mares que convidem ao salto.
Há apenas o peso da pergunta tardia:
“E se?” – um eco que se dissolve no vazio.
Aqui, a alma desperta tarde demais,
não para agir, mas para contemplar o que não foi.
Os olhos, antes cegos pela marcha do hábito,
enxergam, mas não movem os pés.
É tarde para o recomeço,
não porque o tempo se esgotou,
mas porque o coração se aquietou
no conforto áspero do mesmo lugar.
Há uma estranha paz em não cruzar,
em não arriscar o salto que devora o chão.
Covardia ou prudência?
Ou apenas a certeza silenciosa
de que o homem pertence ao seu medo
mais do que ao seu desejo?
O limiar não pede pressa,
não exige escolhas,
não grita nem sussurra;
ele apenas está –
uma linha imóvel entre o ser e o nada.
O despertar chega como uma lâmina,
fina, fria, cortando o véu da ilusão.
Mas a ferida não sangra coragem,
apenas o conforto amargo de saber:
a vida continua, mesmo no não-agir.
E assim, o homem se curva,
não à força da mudança,
mas à aceitação de sua própria fraqueza,
encontrando, no limiar,
não um início,
mas um fim que se alonga.
O Limiar
No limiar, onde o tempo hesita,
o vento não sopra e o silêncio grita,
há um abismo entre o que fui
e o que, talvez, nunca serei.
Ali, os dias se dobram em espelhos,
refletem rostos que nunca usei,
são máscaras deixadas pela alma
no altar daquilo que não ousei.
No limiar, a luz é frágil,
um fio tênue entre o claro e o escuro,
e os passos ecoam no vazio
como perguntas sem futuro.
O que há além? Um nome? Um rosto?
Um eco que devolve a vida ao posto?
Ou apenas o silêncio denso,
onde tudo cessa, até o intento?
No limiar, encontro-me nu,
despojado de sonhos, de medos, de véus.
Sou pó, sou tudo, sou nada,
um grão perdido entre céus.
E quando cruzo, se cruzo,
não levo certezas, mas sinto o pulsar:
um suspiro que rasga o infinito
e deixa o agora se perpetuar.
Vertigem do Nada
Há um buraco no centro do peito,
não é dor, não é falta, é vazio.
Um eco que grita sem nome, sem rosto,
um abismo que engole o que antes era rio.
As estrelas são olhos mortos no céu,
testemunhas frias daquilo que somos:
poeira sem rumo, sem forma ou destino,
fantasmas que ao nada vagando retornam.
O tempo, carrasco sem face ou clemência,
sussurra promessas que não pode cumprir.
Cada instante é um fardo, uma farsa,
um passo mais perto do eterno cair.
E quem sou eu neste vasto deserto,
senão sombra que sonha ser luz?
Um verbo calado, um silêncio sem versos,
um grão de areia que o vento conduz.
Procurei na matéria, no espírito, no verbo,
mas o Nada me encara, imóvel, voraz.
Sou apenas o medo vestindo a esperança,
um eterno adeus a tudo que jaz.
Se há sentido, ele dança no escuro,
esquivo, risonho, a zombar do querer.
Mas na borda do abismo, ainda respiro,
porque mesmo no Nada, há ser.
O Fardo da Condição Humana
Não há um porto seguro, não há um abrigo que nos acalente por completo. Vivemos à deriva, arrastados pela correnteza do cotidiano, sem jamais realmente tocar terra firme. Como se a própria vida fosse uma maré que nunca pára, um ciclo imenso e vazio que nos envolve e, na maior parte do tempo, nos devora sem que percebamos.
O medo não é o que nos torna fracos, mas sim a crença de que podemos escapar dele. Todos tememos algo, mas poucos têm coragem de encarar o que se esconde sob a pele da nossa existência. E é esse medo que nos faz humanos, que nos prova a todo instante que não somos feitos de certezas, mas de erros, falhas e escuridão.
É fácil olhar para o outro e ver as suas fraquezas como se fossem distantes das nossas. Fácil julgar e criticar, mas mais difícil é olhar para dentro e aceitar que somos feitos da mesma substância de erros, de arrependimentos e de noites sem fim. As palavras que nos ferem, as promessas que nunca se cumprem, os silêncios que gritam mais alto que qualquer argumento – tudo isso é parte de um jogo que jogamos sem saber as regras.
O tempo não nos perdoa, ele nos esmaga lentamente, como se cada segundo fosse uma rocha rolando morro abaixo, levando-nos em sua descida sem retorno. E, quando olhamos para trás, não conseguimos ver as nossas escolhas, apenas os rastros deixados por elas, como se estivéssemos sempre na iminência de algo que nunca chega.
Aos outros, oferecemos uma imagem de quem gostaríamos de ser, mas a verdade é que todos escondemos algo. E a tragédia está naquilo que nos recusamos a ver em nós mesmos, naquilo que preferimos ignorar e enterrar, como se os erros e os pesadelos pudessem ser apagados com um simples aceno. Mas a realidade é outra, e ela nos espreita na forma de cada detalhe esquecido, de cada sorriso que disfarça a dor.
A vida, como o dia que termina e a noite que nos envolve, é um ciclo de contradições. Amamos, mas também odiamos. Buscamos a paz, mas somos afligidos pela guerra interna que não cessa. Tentamos compreender, mas, no fim, somos todos prisioneiros da nossa própria ignorância.
E o mais triste é que, ao final de tudo, o que realmente nos define não são as vitórias, mas a capacidade de sobreviver ao caos. Somos feitos de caos, somos feitos de erro, somos feitos daquilo que somos incapazes de aceitar. E, no entanto, seguimos. Porque, no fim, talvez o que nos sustente seja essa esperança – que, como todas as esperanças, também é uma ilusão.
O ÚLTIMO HOMEM LÚCIDO
Há um homem que caminha
sem pressa, mas sem lugar.
Ele não tem casa, não tem templo,
nem tem vontade de rezar.
Carrega nos olhos o peso
de quem entendeu cedo demais
que viver é transitar entre enganos,
e amar, um luxo dos incapazes.
Recusou o conforto das crenças,
o colo das certezas vendidas,
preferiu o frio da dúvida,
a vertigem das palavras não ditas.
Enquanto o mundo se distrai
com espelhos e ilusões de poder,
ele sussurra perguntas antigas
que ninguém mais quer responder.
"Quem sou eu?" — ninguém responde.
"Pra onde vai o tempo?" — silêncio.
No teatro da existência,
ele é o ator sem texto, sem lenço.
Não é herói, nem mártir, nem vilão.
É só alguém que não dorme,
porque vê demais, sente demais
e já perdeu a fome.
Mas ainda canta, às vezes,
não por alegria ou fé.
Canta porque o som da própria voz
é tudo o que lhe resta em pé.
Fragmento de Alguém
Não há começo.
Há restos.
O que ficou depois que a vida passou
e os olhos ficaram presos à janela.
Não é nome o que se carrega,
mas marcas —
de amores que queimaram antes de aquecer,
de palavras ditas tarde demais,
de silêncios que falaram por nós.
Já se imaginou inteiro,
quando a juventude ainda ardia
e alguém dizia que o tempo era um engano
e amar, uma vertigem sem rede.
Depois, aprendeu a ternura dos gestos mínimos.
O chá servido com mãos que tremem,
a música baixa que cobre a ausência,
o toque que não exige, mas ampara.
Não se busca memória.
Busca-se não sumir.
Não se deseja contar,
mas apenas soprar os cacos
de quem ainda respira entre ruínas.
Não se sabe terminar.
Nem os versos.
Nem os dias.
Nem a si.
Olha que garota bacana,
Atenciosa, amigável e humana.
Há dez anos mora sozinha,
Um longo trajeto, mantendo-se na linha.
No correr do dia não se prende às horas;
Deixando-as passar... Até o romper da aurora.
Mesmo com o relógio no pulso
Se chegar atrasada improvisa um bom discurso.
Trilha sonora do repertorio MPB,
Violão soando retro, não demodê!
Se chover,
Não há problema,
Isso não lhe atormenta.
Ouve com calma o barulho que lhe acalenta.
Gosta do frio que aquece e acolhe; Paisagem interna como uma pintura de Van Gogh.
No crepúsculo frio das coisas da vida
Em momentos solenes de veraz alegria.
Com sua moto ao se locomover, Deixa seu percurso para o próximo alvorecer.
O futuro é a continuidade do agora
Cada instante constitui uma historia.
No final das contas
"A vida é de se entregar..."
Nada de perder tempo,
Pois em algum momento, ela há de se findar.
Nuances
Em educação, há duas incríveis situações: existem alunos que a gente tenta de todos os modos e pouca coisa acontece. Já a outros, contribuímos do mesmo modo ou até menos e eles nos surpreendem com resultados expressivos.
Artificialidade
Há pessoas que ornam suas vidas com flores, as quais logo murcham e perdem a beleza. O embelezamento mais eficaz é aquele que nasce da alma, lá no âmago. Esse sim, persiste ao tempo e às intempéries.
A vida é, às vezes, resistente. Também pode ser muito frágil. Há crianças desprovidas de tudo e resistem a tudo. Outras, porém, abastecidas de tudo e não aguentam nada.
A vida é uma atrevida travessia
Há quedas e constantes tropeços
Forçando-nos a estagnar no tempo
Só os destemidos buscam recomeço.
Há pessoas que o seu sentimento está contido apenas nas lágrimas. Derramou, secou, o sentido acabou.
Há uma forma para ensinar? Não, não há! O alpinista sempre procura o melhor caminho para seguir o percurso. É papel do professor fazer o mesmo.
Não é necessário ficar muito à mostra para ser visto ou lembrado. Há muitas coisas que podemos fazer que jamais seremos esquecidos.
A gente, às vezes, não se desenvolve porque há muitas pessoas que fazem elogios apenas por conveniência.
Quando se é tudo se acaba por ser nada, pois dentro do tudo há forças contrárias que se impedem de ser
Na memória se guarda há anos e décadas os melhores momentos da vida, mas eles desaparecem quando escolhemos as piores pessoas para fazerem parte da nossa companhia.
Há alguma coisa errada em nosso espírito que impede de obedecer a Deus e este erro é a compulsão pela vontade da carne.
Há muitos lares debaixo de brigas, ameaças e ódio: estas pedras só podem ser retiradas se a família buscar a rendição da sua alma apenas aos cuidados de Jesus.
- Relacionados
- Frases de quem sou eu para status que definem a sua versão
- Frases para namorada que mostram o quanto ela é especial para você
- Poemas que falam quem eu sou
- Poemas Quem Sou Eu
- Poemas sobre a família mostrando que ela é o nosso alicerce
- Quem sou eu: textos prontos para refletir sobre a sua essência
- Eu sou assim: frases que definem a minha essência
