Ha como eu Queria q ela Soubesse
"Não tenho duas caras, tampouco uso máscaras, mas há momentos em que precisamos de um bom disfarce."
Haredita Angel
08.08.25
"Às vezes, o silêncio e o afastamento é também um ato de amor..."
(para consigo).
Haredita Angel
05.04.2006
"Há momentos na vida da gente que a saudade dói, tal e qual, casca de ferida quando arrancada.
-A tristeza pensa em firmarmoradia;
-O mar quer desaguar inteiro pelos olhos;
-O peito aperta e o ar foge...
Mas, o bom é que Tudo Passa!
Tudo recomeça!
Tudo volta a florescer!"
Haredita Angel
20.04.25
Há pessoas que passam a vida questionando por que alguém sabe tanto, quando poderiam perguntar a si mesmas por que estudaram tão pouco.
Cada um com seus poemas: há quem escreva para suportar o mundo, quem pense para transformá-lo e quem carregue no silêncio versos que jamais encontrará coragem de pronunciar. Talvez viver seja isso: inventar alguma forma de sentido para o que a existência não se deu ao trabalho de explicar.
Há pais que passam a vida inteira chamando de amor aquilo que, na verdade, é a mais refinada forma de sabotagem. Blindam os filhos contra a dor, contra a disciplina, contra o “não”, contra as consequências… e depois se espantam ao descobrir que criaram adultos incapazes de enfrentar a própria existência. Quem elimina todos os obstáculos do caminho do filho não facilita a caminhada; elimina o caminhante. No lugar de consciência, instala dependência. No lugar de caráter, conveniência. No lugar de responsabilidade, vitimismo. E, quando os pais já não conseguem sustentar o peso que criaram, a vida apresenta uma conta que nem dinheiro, nem patrimônio, nem herança conseguem pagar. Porque a pior pobreza não é faltar recursos; é faltar estrutura para existir sem alguém que continue sustentando aquilo que a educação nunca construiu.
Não há ato mais irresponsável do que transformar um filho em um eterno dependente e chamar isso de amor. Amor que poupa da disciplina não ama; enfraquece. Amor que livra das consequências não protege; incapacita. Amor que compra silêncio, evita conflitos e remove cada obstáculo não educa; domestica para a dependência. Pais assim não criam homens e mulheres livres, mas adultos que esperam ser sustentados financeiramente, emocionalmente e moralmente por alguém. Quando os pais já não estiverem presentes, esses filhos descobrirão, da forma mais cruel, que ninguém herda competência, caráter, responsabilidade ou maturidade. Tudo aquilo de que foram poupados na infância a vida cobrará na idade adulta, com uma diferença devastadora: a infância admite desculpas; a realidade, não. Educar não é facilitar a vida dos filhos. É impedir que eles se tornem incapazes de viver sem os pais. Quem não compreende essa diferença pode deixar patrimônio, imóveis e dinheiro, mas terá falhado na única herança que realmente importa: formar um ser humano capaz de permanecer de pé quando não houver mais nenhuma mão para segurá-lo.
Há pais que não criam filhos; criam dependentes e chamam isso de amor. Alimentam cada capricho, negociam cada limite, compram cada silêncio, removem cada consequência e, no fim, aplaudem uma obediência que nunca foi virtude, mas conveniência. O que chamam de proteção é, muitas vezes, medo de frustrar; o que chamam de cuidado é incapacidade de educar; o que chamam de amor é apenas a recusa em suportar o desconforto de dizer “não”. Cada responsabilidade assumida no lugar do filho é um pedaço de caráter que deixa de ser construído. Cada dificuldade evitada é uma força que deixa de nascer. Pais que fazem da própria vida um escudo permanente não estão preparando os filhos para o mundo; estão preparando o mundo para carregar filhos que eles mesmos decidiram não formar. A tragédia não começa quando os pais morrem. Ela começa no exato instante em que deixam de educar e passam a servir. Porque o pior abandono não é deixar um filho sozinho; é entregá-lo à vida sem consciência, sem disciplina e sem a capacidade de existir sem depender de alguém.
Há quem pense que pensa, mas apenas reproduz pensamentos que foram plantados em sua mente. Não são donos das próprias ideias; são apenas ecos convencidos de que possuem voz. O verdadeiro pensamento começa quando o ser humano tem coragem de questionar até aquilo que acredita saber. Caso contrário, deixa de ser consciência e torna-se apenas uma repetição ambulante: um papagaio com opinião, mas sem pensamento.
“Há pessoas que mudam o mundo. Outras apenas mudam de assunto quando o mundo exige que mudem a si mesmas.”
A Saída do Parido
Há quem passe a vida inteira
procurando uma saída,
sem perceber
que construiu a própria prisão.
Corre para o mundo
e se perde de si.
Acumula coisas
e desperdiça a única que nunca poderia perder:
a consciência.
A mente mente.
E quem acredita em todas as mentiras da mente
corre o risco de tornar-se demente.
Vivemos na era da velocidade,
mas não da direção.
Nunca houve tantos caminhos.
Nunca houve tão poucos destinos.
Aprendemos o alfabeto das palavras,
mas permanecemos analfabetos de nós mesmos.
Sabemos ler livros.
Mas desaprendemos a ler a alma.
Esquecemos o Bê-à-Bá da Vida.
Trocamos valores por custos.
Presença por aparência.
Conhecimento por informação.
Sabedoria por opinião.
Espiritualidade por religiosidade.
O essencial pelo urgente.
E chamamos isso de evolução.
Que involução sofisticada.
Somos paridos biologicamente.
Mas poucos nascem para a própria consciência.
Respiram…
Mas não vivem.
Existem…
Mas nunca chegam a ser.
Afinal, nascer não é sair do ventre.
É deixar o ego.
Porque há corpos vivos
que carregam consciências sepultadas.
O mundo nos ensinou a conquistar territórios.
Mas nunca nos ensinou
a habitar a própria alma.
Passamos anos perguntando:
— Para onde devo ir?
Quando a única pergunta capaz de mudar uma vida sempre foi:
— Quem estou me tornando?
Nossa consciência…
É o único GPS
que não depende de satélites,
mas de silêncio.
Quem se desconecta dela
perde o sinal de si mesmo.
E quem perde o sinal de si,
encontra qualquer destino…
menos o próprio.
O tempo não passa.
Quem passa somos nós.
E cada segundo que chamamos de amanhã
é um pedaço da vida
que já começou a morrer.
Penso,
logo resisto.
Resisto ao barulho
que me impede de ouvir o silêncio.
Resisto às respostas prontas
que matam as perguntas necessárias.
Resisto à multidão
quando ela caminha em direção ao abismo
aplaudindo a própria queda.
Porque a maior alienação
não é deixar de pensar.
É terceirizar a consciência.
Descobri tarde
que o maior retorno
não é voltar para casa.
É voltar para dentro.
O Retorno ao Real
não é geográfico.
É existencial.
A saída nunca esteve no mundo.
O mapa nunca esteve nas mãos.
Sempre esteve na consciência.
E o destino…
jamais foi um lugar.
Foi um estado de ser.
No fim,
descobri que Deus nunca esteve distante.
Distante
estava eu.
Porque o Cristo Interior
jamais deixou de habitar o homem.
Foi o homem
quem decidiu morar do lado de fora de si mesmo.
E então compreendi
o Bê-à-Bá
que o mundo fez questão de esquecer:
a vida começa quando o ser humano deixa de apenas existir.
Nesse instante,
o parido nasce.
O retorno acontece.
E a única saída
revela-se, enfim,
como sempre foi:
para dentro.
Carlos Eduardo Balcarse
11/06/2026
As dificuldades não mudam as pessoas. Apenas retiram as máscaras
Há quem acredite que as dificuldades chegam para destruir. Eu penso diferente.
As dificuldades chegam para revelar.
É na abundância que muitos permanecem ao nosso lado por conveniência. É na escassez que descobrimos quem permanece por convicção.
Enquanto tudo vai bem, quase todos parecem leais, generosos e presentes. Mas basta a tempestade chegar para que a verdade comece a emergir. E a verdade sempre encontra um caminho.
As dificuldades funcionam como um grande filtro da existência. Elas distinguem o passageiro do permanente, o interesse da amizade, a conveniência da fidelidade, o discurso da prática.
É na dor que aprendemos quem realmente está conosco.
É na perda que descobrimos aquilo que realmente possuímos.
É no silêncio que conhecemos quem jamais precisou de palavras para permanecer.
Mas existe uma revelação ainda mais profunda.
As adversidades não revelam apenas os outros.
Elas revelam, sobretudo, quem nós somos.
Poucos percebem que, em muitos momentos, o nosso maior adversário não está do lado de fora.
Está dentro de nós.
É a mente que mente.
É a culpa que paralisa.
É o orgulho que impede o pedido de ajuda.
É a vitimização que terceiriza responsabilidades.
É o arrependimento que lamenta o passado, mas se recusa a transformar o presente.
Nada aprisiona mais um ser humano do que insistir em responsabilizar o mundo por aquilo que somente ele pode decidir mudar.
A pior prisão não possui grades.
Possui desculpas.
Toda dificuldade nos coloca diante de uma escolha.
Podemos crescer ou endurecer.
Podemos amadurecer ou apenas envelhecer.
Podemos transformar a dor em sabedoria ou em amargura.
A decisão nunca pertence ao problema.
Pertence à consciência.
A vida jamais prometeu facilidade.
Prometeu aprendizado.
Somos eternos aprendizes matriculados na eterna escola da alma, que é a vida.
E talvez uma das disciplinas mais difíceis dessa escola seja aprender a desaprender.
Porque ninguém consegue receber um novo conhecimento mantendo as mãos ocupadas pelas antigas certezas.
Aprender amplia.
Desaprender liberta.
O conhecimento informa.
O discernimento transforma.
A educAÇÃO não tem segredo.
Mas o segredo está na educAÇÃO.
No fim, compreendemos que as dificuldades nunca foram castigos.
Foram professores.
Os problemas nunca foram inimigos.
Foram espelhos.
As perdas nunca foram apenas perdas.
Foram seleções.
E as cicatrizes jamais foram sinais de derrota.
São assinaturas daquilo que Deus permitiu que sobrevivesse dentro de nós.
Por isso, não tema as adversidades.
São elas que retiram as máscaras, revelam os corações, fortalecem o caráter e nos lembram de uma verdade que jamais deveria ser esquecida:
Não é a vida que define quem somos.
São as nossas escolhas diante da vida que definem quem nos tornamos.
Penso, logo resisto.
Carlos Eduardo Balcarse
O peso de saber
Conhecimento não é acúmulo. Há pessoas abarrotadas de informações e vazias de discernimento.
Saber mais não nos torna necessariamente melhores. Torna-nos mais responsáveis pelo que fazemos com aquilo que sabemos.
O conhecimento pode construir ou destruir, libertar ou aprisionar, esclarecer ou apenas sofisticar nossas próprias ilusões. A diferença não está necessariamente no que sabemos, mas na consciência de quem utiliza o saber.
Talvez por isso algumas verdades sejam tão desconfortáveis. Conhecer é também perder determinadas inocências. Depois que enxergamos, já não podemos simplesmente “desenxergar”. Depois que compreendemos, algumas desculpas deixam de existir.
Eis um dos paradoxos do conhecimento: quanto mais consciência adquirimos, menos podemos terceirizar a responsabilidade por nossas escolhas.
Não basta saber.
É preciso discernir.
Saber o quê é conhecimento.
Saber como, quando e por quê é discernimento.
E assumir as consequências daquilo que escolhemos fazer com isso é consciência.
O verdadeiro poder, portanto, não está em saber aquilo que os outros desconhecem.
Está em não ser dominado por aquilo que sabemos.
Porque conhecimento amplia possibilidades.
Consciência reduz desculpas.
Carlos EDUARDO Balcarse
31/09/2026
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