Ha como eu Queria q ela Soubesse
Há dores que não pedem cura, pedem espaço. Porque, quando negadas, não desaparecem… apodrecem em silêncio e, inevitavelmente, destroem tudo ao redor.
Há um tipo de silêncio que não é ausência de som, mas o peso exato de tudo o que deixamos de dizer para não desabar o teto sobre as nossas cabeças, é preciso aprender a morar nesse vazio sem medo de que as paredes comecem a gritar o nosso nome.
Há uma beleza trágica em perceber que as pessoas que mais amamos são as que mais têm o poder de nos ferir, e que o perdão não é um favor que fazemos ao outro, mas uma cirurgia de emergência que realizamos em nós mesmos para remover o projétil da mágoa.
Há dias em que a única vitória possível é conseguir respirar fundo e não desistir de si mesmo, e isso é mais do que suficiente para um ser humano que carrega o peso de galáxias inteiras escondidas atrás de um sorriso discreto e de um olhar cansado.
Há dias em que acordo carregando o peso de tudo o que ainda não consegui me tornar, um inventário de ausências que insiste em nublar o presente. No entanto, levanto-me não por uma euforia passageira, mas por uma recusa solene em abandonar a própria história no meio do caminho. Aprendi que a continuidade não exige uma força constante e inabalável, mas sim o compromisso fidalgo de não permitir que o ponto final seja escrito por mãos que não as minhas.
- Tiago Scheimann
Há um cansaço que não mora no corpo, mas na alma. É o peso de existir sem interrupção, de sentir demais em um mundo que exige dureza, e ainda assim continuar respirando como quem tenta bastar.
Há dias em que tenho a perturbadora sensação de estar me fundindo à própria cadeira do escritório, como se, aos poucos, eu deixasse de ocupar aquele espaço e passasse a pertencer a ele. O ambiente corporativo, com suas luzes artificiais, o zumbido contínuo das máquinas e a liturgia repetitiva das obrigações diárias, por vezes parece deixar de ser apenas um local de trabalho para transformar-se em uma espécie de universo hermético, uma bolha silenciosa onde o tempo perde organicidade e a existência se resume a telas acesas, notificações incessantes e pensamentos confinados em intervalos cada vez menores de lucidez.
Existem momentos em que o corpo permanece estático diante do monitor, mas internamente há um colapso silencioso em andamento. A mente atravessa labirintos de exaustão emocional, pressões invisíveis e reflexões que jamais são verbalizadas. Sustentar produtividade contínua enquanto o espírito lentamente se desgasta exige uma força que raramente é percebida por quem observa de fora. E talvez seja justamente essa invisibilidade que torne tudo mais sufocante: a obrigação quase involuntária de aparentar estabilidade enquanto, por dentro, algo vai se tornando progressivamente mais fatigado, mais distante, mais anestesiado.
Às vezes, o escritório deixa de parecer um ambiente profissional e assume contornos existenciais. As paredes tornam-se fronteiras simbólicas entre o mundo exterior e uma realidade paralela feita de prazos, silêncios protocolares e uma rotina tão reiteradamente mecânica que passa a corroer a percepção dos próprios dias. Há uma estranha melancolia em perceber que grande parte da vida adulta se desenrola sob luzes frias, cercada por teclados, planilhas, relatórios e relógios, enquanto fragmentos inteiros da subjetividade vão sendo silenciosamente arquivados em nome da funcionalidade.
E o mais inquietante é que o verdadeiro esgotamento raramente chega de maneira abrupta. Ele se infiltra de forma gradual, quase imperceptível, dissolvendo pequenas capacidades humanas: o entusiasmo espontâneo, a contemplação despretensiosa, a leveza diante da existência. Até que, em determinados dias, tudo o que resta é a sensação de estar enclausurado dentro da própria rotina, como se aquele escritório tivesse se tornado não apenas um lugar de trabalho, mas uma extensão psicológica da própria solidão.
- Tiago Scheimann
Há memórias que queimam com tamanha profundidade que deixam de ser apenas lembranças e passam a integrar a própria estrutura emocional do indivíduo. Tornam-se permanências invisíveis, cicatrizes incorporadas ao pensamento, marcas que o tempo não dissolve, apenas aprende a esconder sob camadas de rotina e aparente normalidade. E então, nos instantes mais inesperados, um som, uma palavra, um cheiro ou um simples silêncio devolvem tudo com violência absoluta, como se o passado jamais tivesse realmente partido.
- Tiago Scheimann
Há noites em que minha mente se torna um labirinto sem saída. Penso, penso e, quanto mais mergulho, menos me encontro. Há partes de mim que parecem morar em um lugar inalcançável. Nem sempre consigo tocar o que sinto. E isso também é uma forma de dor.
Há palavras que nunca saíram de mim. Não por falta de desejo, mas porque pressenti que o mundo não saberia recebê-las. Então elas ficaram aqui, acumulando peso e silêncio. E o que não se diz, com o tempo, também fere.
Depoimento de um verdadeiro Sulista!
Há uma beleza no simples costume do campo, onde encilhar bem um cavalo e seguir ao trote parece ensinar que a vida exige firmeza, coragem e alma forte. Existe verdade no cheiro da costela de novilha pingando graxa no fogo grande de angico, no olhar do ginete preparando a tropilha e na lida bonita de quem honra o próprio ofício. O Sul velho carrega costumes que nunca se perdem: o chimarrão amargo bem cevado, o ponteio do pinho numa tarde de garoa e o homem campeiro que segue firme, mesmo quando a lida é bruta. Cada passo sobre o lombo de um cavalo conta a história de homens de alma rude, que aprenderam a pedir que Deus ajude sem abandonar a própria caminhada. E talvez seja exatamente isso que torna essa terra tão forte e verdadeira: a simplicidade de quem vive solto das patas, enfrentando o tempo com humildade, coragem e coração Sulista.
- Tiago Scheimann
Há uma coragem silenciosa em continuar.
Principalmente quando ninguém está olhando. Quando não há reconhecimento, nem testemunhas, nem aplausos. Nessas horas, a luta se torna íntima, e ainda assim imensa.
Há sentimentos que não cabem em palavras. Não por falta de intensidade, mas por excesso de profundidade. São verdades que só entendem aqueles que já atravessaram certos abismos. O resto do mundo talvez nunca alcance essa linguagem.
- Tiago Scheimann
Há pessoas que carregam oceanos dentro do peito e, ainda assim, passam pela vida fingindo ser apenas pequenas poças de silêncio.
A alma também adoece de excesso de lucidez. Há verdades profundas demais para serem carregadas sem deixar marcas irreversíveis na forma de enxergar o mundo.
Nem toda profundidade é bonita. Há profundezas que cansam, que isolam e que tornam impossível voltar a habitar superficialidades.
Há um tipo de cansaço existencial que nasce de sentir demais em um mundo treinado para anestesiar emoções.
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