Ha como eu Queria q ela Soubesse

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Há um cansaço que não se cura com o sono, uma espécie de ferrugem silenciosa que começou nos meus ossos e agora dita o ritmo lento do meu sangue.
Viro os bolsos da alma e só encontro os restos de quem eu prometi ser, enquanto o silêncio da casa se torna um inquilino que não paga aluguel e ocupa todos os cômodos.
Escrevo para não ter que gritar contra as paredes, mas as palavras saem como estilhaços de um vidro que eu mesmo quebrei, cortando a garganta antes de ganharem o ar.
O tempo aqui dentro não corre, ele sangra, transformando cada lembrança num peso morto que eu insisto em carregar como se fosse um troféu ou uma condenação.
No fim, sobra apenas esse corpo que é um mapa de lugares onde ninguém mais quer morar, e a triste certeza de que a solidão é a única coisa que nunca me deixou pela metade.

Não há glamour no sofrimento. O que faço é apenas documentar o naufrágio para que o mar não pareça tão vazio.

Há um ranger de tábuas velhas em cada pensamento meu, um eco de presenças que partiram e deixaram apenas o vácuo como inquilino.

Há uma dignidade profunda em aceitar a própria ruína, em sentar-se entre os escombros e ler um livro enquanto o mundo lá fora celebra construções de areia. Nem tudo que quebra precisa ser consertado, algumas coisas ficam mais bonitas em sua fragmentação.

Há um tipo de cansaço que o sono não resolve, pois ele está impregnado na estrutura molecular da nossa vontade de ser alguém. É uma fadiga existencial, uma vontade de ser apenas uma pedra no fundo de um rio, deixando a correnteza levar os problemas embora.

Há uma melodia nas coisas que se quebram, um som de fim de mundo que ecoa por dentro muito tempo depois do estrago físico. Eu coleciono esses estilhaços e tento montar um mosaico onde a beleza não venha da perfeição, mas da forma como a luz atravessa as rachaduras.

Há um ranger de tábuas velhas em cada pensamento meu, um eco de presenças que partiram e deixaram apenas o vácuo como inquilino da minha memória. Eu converso com as sombras, não porque perdi o juízo, mas porque as sombras são as únicas que sabem ouvir sem interromper.

Há amores que não partem, apenas se retiram do mundo visível, recolhendo-se às fissuras mais íntimas da alma, onde permanecem como um eco teimoso que o tempo não consegue dissolver. A saudade, então, deixa de ser ausência e se torna uma presença densa, quase palpável, feita daquilo que não se pode mais tocar, mas que insiste em existir com uma força silenciosa. Trago em mim os vestígios do que fomos, vozes que já não soam, sorrisos que o tempo apagou, promessas que agora repousam como ruínas dentro da memória.
E nesse vazio paradoxal, onde tudo falta e ao mesmo tempo transborda, compreendo que amar nunca foi possuir, mas resistir à permanência daquilo que se perdeu. Porque há histórias que se encerram no mundo, mas se recusam a terminar dentro de quem aprendeu a sobreviver carregando eternidades em forma de dor.


- Tiago Scheimann

Há uma exaustão que não vem do corpo, mas do peso de sustentar pensamentos que não descansam, como se minha mente fosse um tribunal permanente, onde eu sou, ao mesmo tempo, acusado, juiz e sentença.

Há algo profundamente contraditório em continuar, mesmo quando nenhuma razão clara se apresenta, mas talvez seja nessa contradição que nasce a resistência, uma força que não precisa de explicação para existir.

O cansaço é a prova de que você deu tudo de si, e não há vergonha em descansar os dedos antes do próximo movimento. Até o compositor mais prolífico precisa de noites de sono sem sonhos para que a mente se reorganize e a luz volte. Respeite os limites do seu corpo, mas nunca deixe que o cansaço se transforme em desistência ou em apatia permanente.


- Tiago Scheimann

Há uma santidade quase mística no cansaço de quem deu tudo de si no campo de batalha da própria mente, sem recuar um centímetro sequer diante do abismo que o medo cavou. O verdadeiro herói não é aquele que ostenta uma armadura intocada, mas o que levanta com o peso de mil derrotas nas costas e ainda consegue sorrir para o sol com o olhar de quem já viu o inferno. A melancolia é o combustível dos fortes, o filtro aristocrático que separa o ouro da nossa essência do entulho das expectativas alheias, fúteis e vazias. Seja o regente soberano da sua própria agonia e faça dela uma abertura triunfante para os dias de glória que o destino, por justiça, agora te deve. A dor não é um fim, é o prelúdio necessário para a sua coroação.


- Tiago Scheimann

Há uma majestade silenciosa no esforço de Sísifo que poucos têm coragem de contemplar, ele não é vítima da pedra, é senhor do seu próprio peso. Cada ruga em seu rosto é um testemunho vivo de uma vontade que aprendeu a não se curvar, mesmo diante do inevitável. O sucesso não está no topo inalcançável, mas na paz que nasce durante a subida, como quem entende que há propósito até no cansaço. A verdadeira glória não repousa no fim, mas na firmeza de quem continua, como se cada passo fosse visto por algo maior que o próprio mundo.


- Tiago Scheimann

O pessimismo paralisa, o otimismo cego ilude, mas há uma terceira via, a lucidez que luta mesmo ferida. Viver é um ato de resistência consciente, onde cada respiração se torna uma afirmação contra o desgaste do tempo. Não busque eternidade em feitos grandiosos, mas no olhar que, por um instante, foi capaz de enxergar além da superfície. Às vezes, é em um gesto simples que o infinito se revela, quase como um sopro que atravessa o tempo.


- Tiago Scheimann

Há noites em que minha alma pesa tanto que respirar parece um esforço desumano, mas mesmo assim, eu respiro, porque desistir nunca foi uma opção.

Aprendi que Deus, às vezes, responde no silêncio, porque há verdades que só um coração quebrado consegue compreender.

Há uma força invisível em quem decide não desistir, mesmo quando o mundo inteiro já virou as costas.

Há uma forma de existência que nasce depois do colapso, uma existência que não depende mais de sentido, apenas de permanência.

Há um silêncio dentro de mim que não é ausência, mas excesso de tudo que nunca pôde ser dito.

Há algo quase indestrutível em quem já não teme mais se perder, porque já esteve perdido e voltou.