Ha como eu Queria q ela Soubesse
Há um certo preconceito em relação a algumas profissões, como "pedreiro", "costureiro", "agricultor", "faxineiro", "lixeiro", "encanador", entre outras. Isso me soa até meio cômico, pois essas são algumas das profissões mais essenciais para o funcionamento da sociedade. No entanto, muitas vezes são vistas de forma inferiorizada, como se fossem menos importantes.
As pessoas esquecem que a roupa que estão vestindo foi feita por uma costureira, a casa onde moram foi construída por um pedreiro, a comida que estão consumindo foi plantada por um agricultor, os ambientes que frequentam foram limpos por faxineiras, o lixo que é retirado das ruas é responsabilidade dos lixeiros, e a água que bebem, canalizada através do encanamento, foi feita por um encanador.
Infelizmente, muitos não percebem o quanto dependem desses profissionais para viver sua rotina diária. Essas profissões são fundamentais para a nossa existência, e ainda assim, são extremamente desvalorizadas. É injusto que os profissionais dessas áreas recebam tão pouco, enquanto desempenham funções vitais para a sociedade. Esses trabalhadores deveriam ser mais valorizados e remunerados de maneira justa, pois, no fim das contas, sem o trabalho deles, muita coisa simplesmente não funcionaria.
Há um paradoxo no desenvolvimento psíquico: a maturidade, tal como culturalmente construída, frequentemente corresponde a uma anestesia progressiva da capacidade de ser tocado. O bebê chora porque foi tocado em profundidade; o adulto sorri porque aprendeu a filtrar. Isso se chama de adaptação, mas a clínica conhece seus custos: o luto pelo excesso que foi domesticado, pela intensidade que foi chamada de inapropriada, pela ferida que foi intelectualizada para não precisar ser sentida. Quando no fim da vida algo se comove com um pôr do sol, não é regressão: é o retorno ao que sempre esteve ali, soterrado por camadas de contenção que, ao final, o tempo desfaz.
-Lírio Branco-
Há em ti uma leveza
que o mundo desconhece.
Caminhas como quem já encontrou repouso,
como quem fez da paz a própria morada.
Perguntei-me muitas vezes
de onde vinha tamanha serenidade.
Então compreendi.
Deleitas-te nas graças do Criador,
tocada pela luz da Verdade,
tecida no tear do universo.
Em Deus fizeste tua morada
e, em águas tranquilas, repousaste,
ancorada para sempre no cais do Divino,
onde o mal já não alcança.
Devota fiel,
que se entrega de corpo e alma
e, despindo-se de si,
reveste-se da graça.
Doce Lírio Branco,
encontras a luz nova do que nunca foi velho:
a eterna claridade
daquele que tudo sustém
e de quem toda vida transborda.
Assim te revelas,
não pelas palavras,
mas pelo reflexo do Senhor
que transborda em teus gestos.
Na tua bondade,
na tua humildade,
na delicadeza com que atravessas os dias,
há algo que o mundo não consegue explicar.
És, sem o saber,
o maná dos que caminham sem fé,
pois tua própria vida
lhes recorda
que Deus ainda habita entre os homens.
Não há nada menos cristão do que usar a Bíblia como um espelho para admirar a própria 'santidade' enquanto se diminui o próximo.
Há pessoas que parecem duras como pedras, mas, na verdade, nem sempre foram assim. Um dia, foram delicadas como pétalas de rosa, sensíveis ao toque e às palavras.
Há um limite para a quantidade de desgraça e desordem que você vai aguentar por amor, assim como há um limite para a quantidade de bagunça que você pode tolerar dentro de casa. Não é possível saber o limite de antemão, mas você saberá quando atingi-lo.
Há janelas que não obedecem ao vidro.
Às vezes deixam o mundo entrar em silêncio, como quem abre cortinas para um sol tímido que ainda não sabe se é manhã ou memória. Outras vezes, sem aviso, devolvem o olhar com força: viram espelho e mostram aquilo que a gente tenta fingir que não vê.
E há dias piores, em que a mesma abertura se desfaz em abismo — não por maldade, mas por profundidade. Como se a paisagem tivesse desistido de ser paisagem e resolvesse encarar de volta.
Talvez não seja a janela que muda. Talvez seja o olhar que aprende, ou se perde, no que ela decide refletir.
(Des)esperança
“- Ah, como dói viver quando falta a esperança!”
Não há sol que aqueça.
Não há noite que amanheça.
Quando a alma esperança não mais alcança.
Tudo passa vagarosamente...
se dilui... desaparece...
estrangeiro no mundo
a vida se desvanece.
Cores desbotadas.
Descolorindo a monotonia dos dias...
“O silêncio é tão largo, é tão longo, é tão lento”
Só desalento o que sinto por dentro.
Pressinto um medo...
Um mau presságio...
Velozmente está chegando perto do fim o meu momento.
Cada vez mais desentendo a vida...
Chega com as cartas marcadas...
Traçada da entrada à porta de saída...
a desesperança não é um luxo de ninguém...
é apenas um capricho da vida!
Rosangela Calza
Há um impacto poético que
acontece entre o mar e a falésia,
não como violência,
mas como reencontro de velhos cúmplices.O mar desfaz-se em espuma, a falésia em ecos.
Há encontros que só acontecem
quando nos deixamos afundar,
como raízes que se procuram no subsolo até se reconhecerem,
e só então perceberem que
sempre foram a mesma árvore.
Há pessoas que irrompem na nossa vida como relâmpagos: rasgam o céu da alma e deixam na pele um clarão que não se apaga. Atravessam-nos por dentro e ficam a arder no lugar onde antes só havia silêncio.
Carrego-te como quem leva pedras e flores no mesmo fôlego.
No peso que me curva, há um rumor teu, uma memória que se acende entre as rochas, como se cada grão de pólen soubesse o teu aroma.
As flores presas à minha mochila interna respiram contigo, frágeis e obstinadas, lembrando que até o que pesa pode ser ternura.
Caminho, e o vento toca o que não ouso dizer, esse quase‑toque que vive entre o ombro e o mundo.
E no silêncio da marcha, o desejo é só isto:a beleza que insiste, mesmo quando dói, e o caminho que se torna pele quando penso em ti.
O Eco dos Que Se Fingem Cheios
Há pessoas que colecionam “amigos”
como quem coleciona vitrines. Abraçam todo mundo, beijam todo mundo, fazem questão de serem vistas em todos os lugares possíveis, como se presença fosse prova de valor.
Perguntam da sua família, do seu trabalho, até da loja onde você comprou a roupa, como se interesse fabricado fosse sinônimo de afeto.
Vivem famintas por rostos, forçando vínculos que parecem naturais, mas que sempre cheiram a mentira; manipulam com facilidade, moldando a própria imagem como quem esculpe uma versão vendável de si.
Mas basta olhar de perto, bem de perto pra enxergar o vazio. Um buraco fundo, frio, incômodo, de quem quer abraçar o mundo inteiro enão sustenta ninguém.
Gente que fala com todos pra não ter que conversar consigo. Gente que sorri demais para quem chega e pra esconder o silencio que dói. Gente que parece cheia, mas se desmonta quando fica só.
No fim, essas pessoas fazem parte de multidões ambulantes com almas desertas: muita festa por fora, nenhum lar por dentro.
Há pessoas que passam pela nossa vida como o vento. Outras ficam como raízes. A sabedoria está em não insistir no que foi levado, mas em cuidar daquilo que escolheu permanecer.
Há que se ponderar que ninguém é Odiado nem Amado por todos, como se tenta sustentar a Opinião Pública.
A opinião pública, quase sempre, é vendida como se fosse uma entidade sólida, homogênea, unânime — uma espécie de tribunal invisível que já teria chegado ao seu veredito final sobre pessoas, ideias e acontecimentos.
Mas basta um olhar menos apressado para perceber que essa suposta unanimidade costuma ser muito mais barulhenta do que verdadeira.
O que se chama de “todos” raramente é todos; na maior parte das vezes, é apenas o recorte mais estridente de uma parcela que conseguiu transformar sua voz em aparência de consenso.
Nenhum ser humano é simples o bastante para ser amado por todos, nem desprezível o bastante para ser odiado por todos.
A própria complexidade das relações humanas desautoriza esse tipo absurdo de sentença absoluta.
Quem hoje é exaltado por muitos, inevitavelmente será incompreendido, criticado ou rejeitado por outros.
E quem hoje é alvo de repulsa coletiva, ainda assim encontrará, em algum canto, quem enxergue nuances, contradições, contextos ou mesmo humanidade onde a multidão só quis despejar rótulos.
O problema é que a opinião pública contemporânea não se contenta com a discordância; ela tem fome de totalidade.
Ela não quer dizer que alguém é controverso, quer decretar que alguém é unanimemente admirável ou integralmente detestável.
Porque os extremos são mais fáceis de consumir.
Eles dispensam reflexão, economizam complexidade e oferecem ao público a ilusão confortável de pertencer ao lado certo da história sem o incômodo de pensar demais.
Só que a realidade não se curva tão facilmente à teatralidade dos julgamentos coletivos.
As pessoas carregam Grandezas e Misérias ao mesmo tempo.
Podem ser sinceramente admiradas por algumas virtudes e legitimamente criticadas por falhas graves.
Podem despertar amor em certos corações e repulsa em outros, sem que isso constitua contradição alguma.
Contraditório, na verdade, é imaginar que a experiência humana possa ser reduzida a uma votação emocional universal.
Talvez uma das maiores fraudes do nosso tempo seja justamente essa fabricação de unanimidades artificiais.
Não para revelar o que as pessoas de fato pensam, mas para constranger quem pensa diferente.
Quando se repete que “todos amam” ou “todos odeiam”, o que se tenta impor não é uma constatação, mas uma pressão.
É a tentativa de transformar percepção em obediência, sentimento em manada, juízo em reflexo condicionado.
Pensar com honestidade exige romper esse feitiço medonho.
Exige entender que a aclamação coletiva pode ser só euforia passageira, assim como a rejeição coletiva pode ser apenas a febre moral de um tempo doente por certezas fáceis.
Exige, sobretudo, maturidade para reconhecer que a humanidade não cabe nessas molduras brutais de amor ou ódio absoluto.
No fundo, talvez o que mais distorce a opinião pública não seja a existência de divergências, mas o esforço constante para apagá-las em nome de narrativas convenientes.
E é justamente aí que mora o perigo: quando a pluralidade real dos afetos humanos é sacrificada para sustentar a ficção de que todos sentem o mesmo.
Porque sempre que tentam nos convencer de que alguém é amado ou odiado por todos, talvez estejam menos descrevendo o mundo e mais tentando domesticá-lo.
Há algo profundamente inquietante em ti.
Não é a tua aparência.
É a forma como pareces caminhar entre a inocência e a ruína sem pertencer verdadeiramente a nenhuma delas.
És como uma rosa que nasceu no jardim errado, rodeada de cinzas, e mesmo assim obrigou o próprio inferno a admitir que nem tudo pode ser destruído.
Se a melancolia tivesse escolhido um rosto para habitar, creio que teria escolhido o teu.
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