Ha como eu Queria q ela Soubesse
Nada é importante até voce dei importância... no que é importante...
A importância se da como o eco
A importância é imediata...
Quando uma criança quer chupeta...
Massa de manobra atira na liberdade como fosse a foice daqueles vivem outro regime dando colocação de alienação pelo deepfakes essa manobra transforma o ser comum num ato solitario de resistência para o qual o plano por de trás é maior atrair apoaiadores de um sistema de alienação.
O ego do eco do ser copiado...
Perfis parecendo clones da lucidez.
Como espiritos livres em busca de compania nas asas do próprio eu sendo eu sou, este por sua vez se julga conhecer a si mesmo mais profundo da alienação seria copia da copia mero teor no aspecto abstrato que absorve seu próprio ego sendo sensatez ganha sombras de deformação do senso natural para senso do abandono intelectual.
Homem antes humano puro agora degrada o seu próprio ser como a cobra que se consome o homem ganha traços animalesco metade barata metade pedacos de boi tela na cabeça nos ouvido alto-falantes nas maos pa para mexer o carvão no estomago outro celular cabos ligados ao homem bot seus olhos com telas e cameras se liga no automático para fazer lives.
Desotopia e o disasatino mas como no holocausto a vida se renova e sobreviventes contam a historia ao mundo e quem ouveria esses relatos
O desejo como ruína da especulação.
O drama o fruto da alienação.
Sendo sensatez uma flor no deserto.
Caminho como um observador político pelas fronteiras e frequências da adversidade. O clero político, valendo-se de eufemismos, transgrede a Constituição e abre barreiras para o avanço de deepfakes e fake news. Criam-se redes de falsos aliados para monetizar perfis e viralizá-los com vieses que entorpecem a mente, gerando um efeito devastador. É o arco vicioso dos comerciais e de suas mensagens fixas, onde aplicativos — que deveriam ser ferramentas para facilitar o acesso à informação — tornam-se vetores para correntes de sombras. A inovação cobra o seu custo na alienação, alimentada por sites de falsas interpretações, falsas análises e construções fraudulentas. Um exemplo disso são os relatórios de falsos avistamentos alienígenas, fabricados apenas para o ganho de visibilidade.
Tudo faz parte de um plano maior. Enquanto a febre do futebol mundial consome os olhares, a sociedade foca sua atenção no movimento da pedra caindo no rio: todos olham e aplaudem a distração. Sob esse ritmo, a corrupção descarada opera aos olhos de todos, e o culpado continua candidato a presidente. Toda a narrativa real foi deslocada.
Agora, o debate gira em torno de vacinas que falharam e de vidas que se foram. A dengue persiste; o DNA do mosquito transmissor foi modificado pela ciência para impedir a procriação, mas a natureza seguiu rumos diferentes. O fato de pessoas morrerem e de a ciência enfrentar percalços é imediatamente sequestrado, transformando-se em mais um viés para alimentar o negacionismo. Enquanto o positivismo e a geopolítica introspectiva da ciência caminham a passos lentos, a fábrica de informações e alienação trabalha a pleno vapor.
O polimorfismo da política torna-se abrangente na repressão ao mais pobre, resultando na degradação da sociedade e em passos retroativos na história. Reformas trabalhistas fraudulentas e o engajamento político corrompido tornaram-se fragmentos de uma máquina de extorsão pública, transformando o cenário político em um caos.
O perigo se estende às novas crônicas temporais: o ambiente declina sob o peso de um novo El Niño, trazendo enchentes, frio extremo e calor recorde. A falta de água pela escassez de chuvas dita a resenha dos apagões de energia. E quais são as preocupações do povo? Qual será o próximo jogo do Brasil? Quais jogadores vão a campo? Preocupam-se em enfeitar a rua e comprar bebidas.
Em meio a tantos momentos insanos, a filosofia tem o foco de criticar, olhar para o todo e compreender o que acontece ao redor. Uma vez que se compreende a filosofia e a sociologia, aprende-se que o mundo não gira: ele capota. Ninguém espera que as coisas aconteçam por nada; há sempre uma causalidade operando nas frequências do tempo.
Nas lágrimas veladas espinhos são expostos como alivio da vida,
Pois mesmo magoados sejamos louvados.
A Ancestralidade do ensino: Como você construiu a sua árvore?
Quem te regou ? Quem você rega?
Toda árvore tem uma história. Nenhuma nasce forte por acaso. Antes de exibir uma copa exuberante, flores perfumadas e frutos generosos, ela precisou fincar raízes profundas. Assim também acontece conosco. Somos resultado das pessoas que nos ensinaram, dos lugares por onde passamos, dos afetos que recebemos e dos valores que escolhemos cultivar.
Quem ajudou na fixação das suas raízes?*
As raízes são invisíveis, mas sustentam toda a árvore. São elas que buscam a água e os sais minerais escondidos no solo, o alimento essencial para a vida. Na educação, as raízes representam nossa ancestralidade, nossos primeiros vínculos, a família, a fé, os valores, os exemplos e os ensinamentos que permanecem mesmo quando ninguém os vê.
Uma árvore com raízes frágeis dificilmente suporta as tempestades da vida.
E a sua? Foi plantada com firmeza?
Depois das raízes vem o *caule*, que cresce até se transformar em um tronco forte. O caule é o caminho. É ele quem conduz a água retirada das raízes até as folhas. Na vida, ele representa as experiências que conectam aquilo que aprendemos com aquilo que ensinamos.
Se o nosso caule educacional é fortalecido pelo conhecimento, pela ética e pela sensibilidade, ele consegue levar aos seus descendentes o melhor alimento: valores, princípios, esperança, humanidade e sabedoria.
O caule não guarda nada para si.
Ele distribui.
Assim também faz um educador.
Depois surgem os *galhos*.
À primeira vista, alguns parecem frágeis. São finos, delicados e, muitas vezes, crescem em lugares difíceis. Alguns quebram facilmente; outros resistem ao vento.
Assim somos nós.
Cada galho representa uma escolha, uma profissão, uma oportunidade, uma dificuldade superada, uma especialização, um novo caminho. Uns crescem mais rapidamente, outros precisam de mais tempo. Há galhos que florescem cedo; outros passam anos aparentemente secos até descobrirem seu verdadeiro propósito.
Nossas diferenças também moram nos galhos.
Cada um cresce em uma direção, mas todos pertencem à mesma árvore.
Então chegam as *folhas*.
Elas realizam um dos processos mais extraordinários da natureza: a fotossíntese. Recebem a luz do sol e a transformam em alimento para toda a árvore.
Na educação, as folhas simbolizam nossos propósitos.
São elas que transformam conhecimento em esperança, dificuldades em oportunidades, experiências em aprendizagem. A luz do sol representa nossos sonhos, nossos ideais, nossa energia, nossa fé, nossa clareza de propósito.
Quem vive sem propósito perde a capacidade de produzir alimento para sua própria existência.
Depois surgem as *flores*.
As flores anunciam novos tempos.
São elas que possibilitam o nascimento dos frutos.
Quais flores marcaram a sua trajetória educacional?
Quem apareceu em sua caminhada para impedir que os frutos fossem danificados antes mesmo de amadurecer?
Quem acreditou em você quando ainda era apenas um pequeno broto?
E, finalmente, chegam os *frutos*.
Os frutos carregam sementes.
São eles que perpetuam novas árvores.
Na educação, os frutos são os alunos, os filhos, os projetos, os livros, as pesquisas, os gestos de amor, as vidas transformadas.
Mas uma pergunta permanece:
*Você soube guardar bem os ensinamentos que recebeu para produzir novas árvores?*
Minha árvore começou a ser plantada na catequese.
Foi ali, em minha cidade natal, que Dona Jozina ajudou a firmar minhas primeiras raízes. Durante as aulas de catequese, ela plantou em mim a semente da fé, da esperança e do compromisso com o outro.
Em casa, minhas raízes continuaram sendo fortalecidas.
Meu pai foi um dos maiores jardineiros da minha vida. Desde cedo, ensinou-me o valor da resiliência. Lembro-me de sua á árvore, que enfrentava dias de seca, perdia o vigor, parecia sem vida... Mas bastava a chuva chegar para que ela ressurgisse completamente verde, renovada e cheia de força.
Foi com ela que aprendi que a vida também floresce depois da seca.
Na escola, encontrei muitos outros jardineiros.
Minha primeira professora, Gizeuda, ajudou a fortalecer minhas raízes com carinho e dedicação.
Meus colegas ensinaram o valor da convivência.
A cozinheira da escola mostrava, todos os dias, que alimentar também é um ato de amor. Sua merenda tinha o sabor do cuidado.
A diretora, Dona Bezinha, ensinou-me algo que nunca esqueci.
Todos os dias ela tocava o sino da escola.
Ninguém tocava aquele sino por ela.
Naquela época eu não compreendia totalmente seu significado. Hoje entendo.
Há funções que pertencem ao gestor. Há responsabilidades que não podem ser delegadas. O sino não representava autoritarismo. Representava autoridade construída pelo compromisso, pelo exemplo e pela responsabilidade de conduzir uma comunidade educativa.
Minhas raízes continuaram crescendo no Magistério.
Ali conheci grandes pensadores da educação: Piaget, Vygotsky, Wallon...
Mas foi Paulo Freire quem fortaleceu definitivamente minhas convicções pedagógicas. Com ele aprendi que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua construção. Aprendi que ninguém educa ninguém sozinho; educamo-nos em comunhão, mediados pelo mundo.
Vieram então a universidade, as especializações, os cursos, os mestres, os pesquisadores e tantos outros jardineiros que ajudaram a formar novos galhos em minha árvore.
Hoje, meus frutos florescem nas escolas por onde passo.
Eles estão em cada professora que reencontra o sentido da profissão.
Em cada estudante que acredita em seu potencial.
Em cada criança que descobre que aprender pode ser prazeroso.
Em cada oficina, palestra, formação, livro, atendimento psicopedagógico e abraço compartilhado.
São minhas meninas e meus meninos.
São professores que continuam semeando aquilo que um dia receberam.
É assim que a educação perpetua sua ancestralidade.
Por isso, nunca se esqueça de onde você veio.
Nunca abandone suas raízes.
Nunca negocie sua essência.
Eu comparo minha árvore a um *umbuzeiro*, árvore símbolo do Sertão.
Ela enfrenta o solo seco, o calor intenso, a escassez da chuva e as adversidades da vida. Mas guarda, em silêncio, reservas para resistir. Espera o tempo certo. E quando a chuva chega, sua copa se cobre de folhas verdes, flores delicadas e frutos doces, capazes de alimentar gerações.
Assim desejo ser.
Uma árvore que resiste sem endurecer.
Que ensina sem impor.
Que acolhe sem julgar.
Que floresce mesmo depois da seca.
Que transforma o pouco em abundância.
E que deixa sementes para que outras árvores continuem fazendo da educação um lugar onde vidas possam criar raízes, crescer com dignidade e oferecer frutos de esperança ao mundo.
É o que se faz após experimentar uma coisa horrível. Buscar alguém como você... ou que esteja pior do que você... para tentar se sentir melhor.
Quem achou que me tinha..
Nunca me teve...
Sou como o vento ... vc me sentiu ..
Mas não me tocou profundamente..
Eu passei, apenas passei pela tua vida..
Mas não fiquei ...
Ele sabe como tocar minha alma .. sabe me fazer enlouquecer só de imaginar cenas picantes ... ele sabe me fazer passar a noite em claro queimando de desejo e vontade...nem precisa dizer nada ...não precisa insinuar nada .. só com os olhos ele me domina.. esse jeito de garoto , de menino quieto ,silencioso, tímido..me deixa louca .. morrendo por dentro de vontade ..até quando vai brincar comigo de amor? Até quando vai provocar minha insanidade? Vem logo e sacia minha vontade... mata minha sede de vc..vem essa noite .. me faz tua ...
Pra mim o amor tem que ser intenso..
Como o mar profundo...ninguém mergulha águas rasas ... ninguém descobre tesouros no raso ...
A mulher e como um violino..
se vc tocar sem afinar..
fara barulhos..
e ele afinado, entoara belas composiçoes...
É bem assim que me sinto..
Como folhas caídas ao chão. .
esquecidas.. mortas.. espalhadas..
no silêncio de uma tarde triste de outono..
no findar de mais um dia..
Como qualquer outro..
O Silêncio de Quem Sempre Foi Obrigado a Entender
É curioso como, em tantas relações, existe sempre alguém eleito para carregar o peso da maturidade.
É sempre esse alguém que precisa entender. Que precisa relevar. Que precisa perdoar. Que precisa se colocar no lugar do outro. Que precisa ter empatia. Que precisa mandar mensagem, responder, procurar, ceder e manter o diálogo vivo.
Quando o outro erra, pedem compreensão. Quando o outro se afasta, pedem paciência. Quando o outro machuca, pedem perdão. Mas quando é esse mesmo alguém que se cansa, se cala ou simplesmente já não consegue carregar tudo sozinho, de repente ele deixa de ser compreendido.
Há quem transforme a própria dor em argumento e a própria omissão em inocência. É mais fácil vestir a roupa de vítima do que assumir a responsabilidade que toda relação exige.
Empatia não é um dever reservado para uma única pessoa. Compreensão não pode ser uma via de mão única. Porque, quando só um lado é constantemente chamado a entender, talvez o problema nunca tenha sido a falta de empatia — mas o excesso dela em quem sempre abriu mão de si para manter os outros em paz.
13/07/2026
Retrovisor, para-brisa e presente
O passado é como o retrovisor de um carro: precisamos olhar para ele, mas apenas como referência. Ele nos mostra o caminho que percorremos, os erros que cometemos e as experiências que nos trouxeram até aqui.
O futuro é como o para-brisa: está à nossa frente, aberto às possibilidades. Podemos imaginar o destino, traçar caminhos e escolher a direção que queremos seguir.
Mas existe algo ainda mais importante: o presente. O presente é o momento em que estamos sentados ao volante, com as mãos conduzindo a nossa própria história.
Não podemos dirigir olhando o tempo todo pelo retrovisor, porque podemos perder o caminho que está à nossa frente. Também não podemos viver apenas imaginando o destino, porque é no caminho que a vida acontece.
O passado nos ensina, o futuro nos inspira, mas é no presente que dirigimos a nossa vida.
22/08/2026
— Ivanilson Aguiar de Sousa
*O CÉU E O INFERNO FUNCIONAM EM HORÁRIO COMERCIAL*
A sexta-feira chegou ao bar como sempre chegava.
Cheia.
Gente demais tentando parecer feliz por algumas horas. Homens soltando risadas mais altas do que sentiam. Mulheres olhando para o celular enquanto fingiam prestar atenção na conversa. Garrafas sendo abertas como se dentro delas existisse alguma resposta que a semana inteira não conseguiu entregar.
O bar estava lotado.
A música vinha baixa demais para criar clima e alta demais para permitir uma conversa honesta. No fundo, um cantor sozinho brigava com um violão velho e com uma canção que parecia ter envelhecido junto com as pessoas que ainda lembravam dela.
A fumaça dos cigarros subia devagar entre as lâmpadas amareladas. Copos vazios ocupavam as mesas como pequenos relatórios de derrotas particulares.
Eu estava no centro do balcão já que o canto estava ocupado.
O lugar onde ninguém pergunta muito e onde o barman já aprendeu que meu silêncio não precisa de explicação.
Eu gosto desse lugar.
Não porque seja confortável.
Mas porque ninguém espera nada de você quando está sentado diante de um balcão.
Foi quando chegaram os quatro.
Dois casais.
Sentaram perto demais de mim, a mesa atrás de meu banco, porque o bar estava cheio. Não era amizade. Não era interesse. Era apenas falta de espaço.
Mas existe uma coisa curiosa sobre bares.
As pessoas entram pensando que vão beber apenas álcool.
Depois de algumas horas, começam a beber lembranças.
E algumas lembranças descem queimando mais do que qualquer bebida.
No começo, falavam baixo.
Falavam de coisas comuns.
Trabalho.
Viagens.
Conhecidos.
Até que alguém mencionou amor.
Não sei por que as pessoas gostam de falar sobre amor quando estão cansadas dele.
Talvez porque seja mais fácil discutir aquilo que já não conseguem sentir.
A mulher começou dizendo que no começo era diferente.
Sempre começa assim.
“Antes era diferente.”
Essa frase aparece em quase todos os relacionamentos que estão morrendo.
Ela contou que, no início, ele mandava mensagens de madrugada.
Perguntava onde ela estava.
Queria saber como tinha sido o dia dela.
Escutava problemas que hoje ele considera reclamações.
Fazia planos.
Dizia que ela era diferente.
Ele ouviu sorrindo.
Aquele sorriso curto de quem já decidiu que o outro está exagerando.
Depois falou:
— Você está romantizando tudo.
Foi uma frase simples.
Mas algumas frases simples carregam uma crueldade silenciosa.
Ela continuou.
Disse que depois vieram as contas.
O trabalho.
O cansaço.
A televisão.
O celular.
A rotina.
Aquela velha máquina que transforma pessoas apaixonadas em colegas de apartamento.
Ele respondeu que era assim mesmo.
Que ninguém consegue viver de declarações.
Que a vida real não era filme.
Que depois de alguns anos ninguém fica perguntando todos os dias como foi o dia de alguém.
Talvez ele estivesse certo.
Talvez ela também.
O problema é que muitas vezes duas pessoas podem estar certas e ainda assim conseguirem destruir alguma coisa.
Eu continuei bebendo.
Não porque não tivesse opinião.
Tenho opiniões demais.
Esse sempre foi um dos meus problemas.
Fiquei olhando para os dois e pensando em como algumas histórias terminam muito antes de alguém admitir o fim.
O amor raramente morre com uma grande tragédia.
Ele não faz barulho.
Não chama testemunhas.
Não deixa um corpo no chão.
Ele vai desaparecendo aos poucos.
Primeiro vem uma conversa que fica para amanhã.
Depois um abraço que fica para depois.
Depois um beijo que vira hábito.
Depois o silêncio.
Até que um dia duas pessoas acordam na mesma cama e percebem que estão dividindo apenas o colchão.
O resto cada uma carrega sozinha.
O outro casal tentou mudar de assunto.
Não conseguiu.
Quando quatro pessoas bebem o suficiente, sempre aparece alguma verdade guardada.
Vieram acusações antigas.
Pequenas feridas acumuladas.
Coisas que ficaram anos esperando uma oportunidade para sair.
E sexta-feira à noite, em um bar cheio, costuma ser uma excelente oportunidade.
Fiquei pensando naquela velha busca humana pelo Céu.
Essa necessidade de acreditar que existe algum lugar onde tudo finalmente fará sentido.
Talvez exista.
Talvez não.
Nunca tive muita certeza sobre essas coisas.
Mas olhando para aquela mesa, percebi uma coisa:
Talvez o Céu e o Inferno não sejam lugares para onde vamos.
Talvez sejam lugares que construímos enquanto estamos aqui.
O Céu aparece em coisas pequenas.
Quando alguém escuta de verdade.
Quando alguém fica mesmo tendo motivos para ir embora.
Quando alguém pede desculpas sem colocar uma defesa depois da frase.
Quando alguém ama sem transformar carinho em moeda de troca.
Parece pouco.
Mas quase tudo que importa na vida parece pouco antes de desaparecer.
O problema é que nós transformamos amor em contrato.
Eu faço isso por você.
Então você me deve aquilo.
Eu trabalhei.
Então tenho direito ao meu silêncio.
Eu pago as contas.
Então não preciso prestar atenção.
Eu fiquei.
Então você me pertence.
Talvez seja aí que começa o erro.
Porque amar alguém não deveria significar possuir alguém.
Mas nós gostamos de possuir.
Casas.
Objetos.
Memórias.
Pessoas.
Até sentimentos antigos nós tentamos prender.
Depois ficamos surpresos quando alguém tenta respirar longe daquilo que chamamos de amor.
O homem daquela mesa dizia que aquilo era exagero.
Talvez fosse.
Mas existe uma coisa ainda mais triste:
fingir que uma relação continua viva apenas porque duas pessoas ainda dividem o mesmo endereço.
Existem casamentos que continuam apenas porque terminar parece mais difícil do que continuar sofrendo.
Existem pessoas que passam vinte anos juntas e já não sabem mais quem está deitado ao lado.
E existem encontros de uma hora que conseguem lembrar alguém de que ainda está vivo.
O Inferno talvez não seja fogo.
Nem demônio.
Nem castigo.
Talvez seja olhar para alguém que um dia significou tudo e perceber que você ajudou a construir a distância entre vocês.
Tijolo por tijolo.
Com orgulho.
Com silêncio.
Com pequenas crueldades justificadas.
Até que a parede ficou alta demais.
Depois você senta diante dela e pergunta por que ninguém mais consegue chegar perto.
O ódio funciona do mesmo jeito.
Começa pequeno.
Uma mágoa.
Uma palavra.
Uma injustiça.
Depois cresce.
Você começa a separar o mundo.
Os bons.
Os maus.
Os que merecem.
Os que não merecem.
Até que o coração vira uma repartição pública.
Entrada proibida.
Documentos exigidos.
Atendimento somente com agendamento.
O curioso é que quase ninguém percebe quando chega ao Inferno.
Porque ele não parece Inferno.
Ele parece rotina.
As pessoas continuam trabalhando.
Pagando contas.
Postando fotos felizes.
Comprando presentes.
Dizendo “eu te amo”.
Tudo funcionando normalmente.
Talvez seja por isso que ele seja tão eficiente.
O Inferno não precisa de fogo.
Basta parecer normal.
Olhei novamente para aquela mesa.
Ela chorava.
Ele olhava o celular.
Aquilo me pareceu mais violento do que uma discussão.
Porque a raiva ainda reconhece o outro.
O desprezo não.
O desprezo apaga.
O cantor começou outra música.
Ninguém percebeu.
O barman recolheu copos.
A fumaça continuou subindo.
A sexta-feira continuou acontecendo.
O mundo não para quando alguém está destruindo outra pessoa por dentro.
Essa é uma das coisas mais duras sobre estar vivo.
Você pode estar quebrando alguém.
E do lado de fora alguém continua servindo cerveja.
Terminei minha bebida.
Fiquei alguns segundos olhando para aquela cena.
Não sabia quem estava certo.
Talvez ninguém.
Talvez os dois.
Mas pensei que todos nós recebemos pequenas escolhas todos os dias.
Abrir uma porta.
Ou construir uma parede.
Perdoar.
Ou guardar uma dívida emocional.
Amar.
Ou negociar.
O Céu talvez não seja tão distante quanto imaginamos.
Talvez ele apareça quando deixamos de tratar pessoas como propriedades.
E o Inferno talvez já esteja funcionando quando precisamos destruir alguém para provar que estamos certos.
No fim, quase ninguém perde uma guerra contra o outro.
Perde contra aquilo que se tornou.
Saí do bar.
A música ficou para trás.
As vozes ficaram para trás.
A sexta-feira continuou cheia.
Como sempre.
E pensei que talvez o Céu e o Inferno realmente funcionem em horário comercial.
Não precisam de julgamento final.
Não precisam de grandes sinais.
Às vezes basta olhar para quem está ao nosso lado.
Se ainda conseguimos amar sem cobrar pagamento, talvez por alguns minutos tenhamos encontrado o Céu.
Se precisamos odiar para continuar existindo, talvez já tenhamos chegado ao outro lugar.
E o pior de tudo:
não precisamos morrer para descobrir.
Basta continuar vivendo exatamente como estamos.
Assim como a respiração é o sinal inevitável da vida biológica, a oração contínua e a consagração diária constituem o fluxo vital e a evidência necessária da alma regenerada pelo Espírito Santo.
Se você encarar a vida como um cardápio amplo de experiências, o amor romântico deixa de ocupar o centro e passa a ser apenas uma entre várias possibilidades, algo que pode ser vivido em certos momentos, mas não define o todo.
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