Grandes poesias sobre Vida
Os filhos nunca igualam os pais: se não os ultrapassam em suas conquistas, os superam em seus fracassos.
Em geral, a trajetória de um suicida é uma árdua caminhada cheia de dores, desgostos, reveses e desilusões que lentamente conduzem, encaminham pro gesto, culminam no ato final.
Toda a dor é tolerável desde que não exceda, não ultrapasse, não esteja para além dos limites do suportável.
Não podendo quebrar os recordes positivos, só nos restam os negativos: Nos tornarmos recordistas do fracasso, campeões do insucesso.
Quando se acabam os nossos estoques de escapismos, já não temos para onde fugir nem como escapar da realidade, só nos resta encará-la.
É curioso como são as coisas: precisamos nascer para descobrir que a vida é ruim. Mas se os nossos pais tivessem percebido isto e não tivessem nos colocado no mundo, teriam nos poupado de todo o trabalho de constatação...
Eu costumo pensar o seguinte: toda vez que nos sentirmos mal pensando que estamos ficando velhos e não conquistamos nada, devemos nos lembrar das pessoas que morreram mais novas do que nós e que independente de terem ou não um futuro promissor, tudo acabou ali. Nós por estarmos vivos estamos em infinita vantagem sobre elas, pois ainda temos aberta a porta para todas as possibilidades, cuja condição mínima é viver.
Ainda não descobri o que é pior: a vida ou a morte. O calafrio do desconhecido, ou o medo do que se conhece, qual poderá ser o mais temível?
Se meditarmos sobre o estado no qual nos encontramos, ficaremos diante de dois abismos: podíamos estar em condições melhores, como também podíamos estar em condições infinitamente piores. Numa escala de comparações veremos que poderíamos ser bem mais felizes do que somos ou ainda mais desgraçados do que julgamos ser.
Tenho certeza de que se algumas pessoas pudessem prever o tipo de morte que lhes esperava, teriam preferido suicidar-se antes!
A nossa falta de pragmatismo só vem à tona quando surgem problemas complexos e não sabemos como resolvê-los.
Coisas que me impressionam: a rapidez que o tempo passa, a maneira como as crianças perdem a inocência ao se tornarem adultas, a facilidade com que os homens morrem.
O que a Bíblia não fala, não nos cabe presumir. O que lá não é dito, não deve ser suposto. O que Deus não disse não compete aos homens ensinar!
É difícil acreditar que quem morre deixa de existir. Mas é ainda mais difícil acreditar que continue vivendo em outro lugar.
Tenho a impressão de que a vida é como um grande quebra-cabeças, que uma vez que tivermos juntado todas as peças, formará uma imagem muito bonita! O problema é que não conseguimos juntar todas as peças e a imagem nunca se forma...
As alegrias que sentimos não nos fazem esquecer dos sofrimentos que passamos. Mas os sofrimentos que passamos nos fazem esquecer das alegrias que tivemos...
As cicatrizes existem para nos lembrar dos ferimentos que tivemos e dos quais nos curamos. Ocultá-las é um erro, é como querer editar a história, que não é feita só de conquistas e glória.
Ontem enquanto dormia, tive vários sonhos estranhos. Hoje, acordei e não me lembro bem deles. Talvez a vida seja isso, um sonho estranho do qual não nos lembraremos quando tivermos morrido...
Pesadelos são tão reais que mesmo quando acordamos ainda parecem ser verdade. Sonhos bons são tão ilusórios que se desfazem como uma bolha, nos convencemos rápido de que era só imaginação. De certa forma, o mal está presente com mais intensidade e se sobressai, a realidade da dor é maior que a do prazer, e no fundo todos sabemos disso.
