Gostar de Ti
Gostar de um vulto ou de uma sombra é mais significativo do que gostar de alguém que só nos valoriza quando convém
Desabafo de uma poetisa
Lembro de começar a gostar de fazer redação aos 10 anos, na 5ª série (foi no Colégio CESAM, não lembro o nome do professor), e as poesias começaram aos 12 anos, sob a orientação do saudoso Prof. Waldemir Vasconcelos, na Escola Pedro Álvares Cabral.
Impressionante como criar aqueles textos me fascinava, foi quando comecei o meu "Caderno de pensamentos", coisa de adolescente da minha geração.
Andava muito de ônibus e na janela pensava, pensava, e depois escrevia, escrevia...
Aos 14 produzi um pequeno romance (nunca publicado). Depois fui ampliando meus textos até lançar meu livro de poesias em 2008 e um livro de história infantil em 2012.
De lá pra cá não parei mais, estou sempre brincando com as palavras. Escrever poesia para mim é meditação e entretenimento.
Agora sim quero falar do motivo do meu desabafo...
Quando começo a escrever uma poesia, faço vários rascunhos, procuro sinônimos e antônimos, rimas, palavras poéticas, entre tantas outras coisas que são necessárias.
Depois que o texto fica pronto, faço uma busca na Internet para analisar o material e não correr o risco de plagiar alguém.
Eu jamais, absolutamente, jamais utilizei a inteligência artificial para criar meus textos ou fazer revisão. Recuso-me a fazer isso.
Então, um belo dia eu fiz dois testes:
Levei um de meus textos para o detector de plágio e confirmei 0%, mas quando coloquei no detector de IA constou 95%.
Como assim?
Quer dizer que a IA se apropriou do meu texto? É sério? Isso desacredita as minhas produções. Absurdo!!!
Por isso deixo aqui o meu recado para quem gosta de escrever: Atenção! Precisamos tomar cuidado com as nossas produções! Nunca devemos deixar que tomem posse delas!
Cara qual é o problema de não gostar de sair de casa, as pessoas da minha família me julga como se eu fosse uma pessoa estranha que eu vou ficar doente só porque eu não gosto de sair de casa nada a ver as pessoas que que você fica só por causa disso, que tem o mesmo sentimento que eu sabe como é.
Sim... Gosto! Mais do que o gostar me permite! Mas não sei quanto tempo me quedarei por aqui, a espera de um vislumbrar de esperança.
Amar não é só gostar, amar precisa de convívio entre as partes, precisa de respeito, amizade, carinho, fidelidade também de ambas as partes. Se você acha que conheceu uma pessoa rápida e acha que está amando, está se enganando, tenha cautela, o coração é engano.
Para e pense, antes que seja tarde de mais, porque tudo que você pensa, nem todos iram gostar, segura sua língua e terá disciplina e sabedoria.
“Quero que você entenda uma coisa: gostar de alguém não te dá o direito de brincar com os sentimentos dela. Se arrepender depois não conserta o que você fez nem apaga a confusão que causou. Respeitar os outros e assumir suas escolhas é muito mais importante do que fama, impulsos ou tentar ‘corrigir’ erros depois. Antes de querer algo de alguém, aprende a valorizar o que essa pessoa sente e a ter maturidade pra lidar com suas próprias decisões.”
Todo mundo tem direito de interromper um convívio por não gostar de uma pessoa e senti-la interferindo no seu emocional. Mas o desistir de alguém se mostra mais sensato quando a razão, e não a emoção, é o que norteia o rompimento, ao se concluir que a natureza irreversivelmente distorcida do outro nada nos acrescenta, tornando a distância a única garantia de preservação do bem maior, que é a nossa paz.
As vezes nos afastamos não porque deixamos de gostar de alguém, mas porque nossos instintos nos dizem que jamais daríamos certos juntos.
A Matemática dos Fins
Não sei ao certo quando comecei a não gostar dos fins de ano. Talvez tenha sido no dia em que percebi que o nome já carrega uma despedida embutida: fim.
Ou talvez tenha sido quando o tempo passou a correr mais rápido do que eu.
Cada pessoa lê o próprio calendário de um jeito. Há quem veja dezembro como festa, luz e promessa. Eu vejo como uma espécie de espelho — daqueles que não mentem, mesmo quando a gente gostaria que mentissem um pouquinho.
Aos 41, faço as contas da vida. E, mesmo com conquistas que um dia imaginei inalcançáveis, ainda me visita essa sensação de que está faltando algo. Não é falta de teto, de trabalho ou de sonhos… é outra falta. Uma lacuna que nenhuma realização profissional consegue preencher.
Casa própria, por exemplo. Para muita gente, é o fim do jogo, a prova de que deu tudo certo. Para mim, é só um quebra-cabeça incompleto, como se eu tivesse montado todas as bordas, mas o centro — a parte mais bonita — ainda estivesse espalhado por aí, perdido em algum canto do tempo.
E aí chega dezembro, com seu peso e seu brilho, lembrando que mais um ano passou. Não sei explicar direito, mas enquanto o mundo comemora o que vem, eu penso no que vai.
Na matemática que inventei pra mim mesmo, o ano que chega não soma — ele diminui.
Faço contas que talvez ninguém devesse fazer. Tiro fatalidades, subtraio doenças, divido esperança por realidade. Se eu tiver sorte, digo para mim mesmo, talvez eu tenha mais uns vinte anos vivendo bem, com saúde, com lucidez. E então eu me pego imaginando algo que aperta o peito de um jeito difícil de dizer em voz alta.
Se minha filha viesse ao mundo no próximo ano, quando eu tivesse sessenta, ela teria dezenove.
Dezenove.
E eu talvez não estivesse aqui para ver a formatura dela, para ouvir o primeiro “pai, deu certo”, para fingir que não chorei quando ela desse o primeiro passo fora de casa.
É uma conta simples… mas que me destrói como se fosse impossível.
Talvez seja isso que eu não gosto nos fins de ano: eles me obrigam a olhar para dentro, para esse vazio que não se preenche com compras, viagens ou promessas. O vazio de quem sabe que o tempo não volta, e que cada desejo adiado custa mais do que parece.
Ainda assim, aqui estou, atravessando mais um dezembro.
E, no fundo, torcendo para que a vida me surpreenda — quem sabe com peças novas para esse quebra-cabeça, quem sabe com alguém que transforme essa matemática dura numa conta que finalmente faça sentido.
