Gosta de Mim do meu Jeito

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⁠O SAMBA NÃO PODE MORRER,

Eu faço samba noite a dentro
Não perco tempo
Espero raiar o samba

Já fui um bamba
Na ladeira da Rocinha
A letra é minha,
Só me falta a melodia.

O samba se harmoniza
Mas não morre
Quem me socorre
É a poesia

Se alguém perguntar por mim
Diz que subi o morro
Pra cantar com o meu povo
Um samba novo, pra lançar no carnaval.

Do fundo do quintal
Escuto a voz de um coral
A me dizer, que o samba não pode morrer.
Que ele precisa renascer.

Que é preciso ver de novo
A alegria deste povo
Na Estácio, na mangueira.
Na ladeira da Rocinha
Já fui um bamba, hoje o samba
É quem dita a minha vida.

Na ladeira da Rocinha
Subi o morro para cantar
Junto com povo
Para aprender um samba novo
Para lançar no carnaval.

Inserida por EvandoCarmo

⁠OUTRORA TIVE MEDO DA GUERRA

Outrora tive medo da guerra
Pois lia nos livros, via nos filmes. Quão desesperador era fazer parte dela, fosse como vítima ou agressor.

A guerra é o último estágio da bestialidade humana, conclusão de que o embrutecimento não é animal e sim humano.

Animais não jogam bombas letais sobre os filhos dos seus irmãos.

A guerra é obra prima do espírito egoísta, que faz morada
na consciência dos homens.

Outrora tive pavor da guerra, contudo sempre achei que não veria, com mesmos próprios olhos seu avanço sobre os inocentes..

Cheguei a duvidar dos livros e dos filmes, onde ela me parece tão cruel e desnecessária.

A guerra, às vezes até parece poética, quando os heróis nos conquistam com discurso de bravura e nacionalismo.

Mas a guerra existe fora dos livros e dos filmes, hoje vejo em alta definição sua força e realismo, sua estupidez sobre as crianças da Ucrânia.

A guerra é real, ela acorda pais e mães para fugirem dos ataques noturnos, a guerra é hoje nosso maior enredo de uma epopéia trágica e realista .

Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

Qual o motivo da guerra?
Senhor, me ajude a entender
Se a vida é tudo que temos
Por quê muitos precisam morrer?

Ao nascer nos tornamos iguais
Numa luta comum pra viver.
Imitamos a vida do pais
Que esperam da vida colher.

Ver crescer as crianças saudáveis.
Ver o mundo se desenvolver.
Trabalhando em busca da paz
Todos querem o amor entender.

Não entendo senhor a razão
Pela qual se destrói a esperança, nem porque se agride um irmão.
Se somos todos iguais nesta vida.
Triste vida.
Não existe amor sem perdão.

Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

⁠ELA FINGIA

Ela fingia entender o que eu dizia
Ela fingia saber o que não sabia
Enquanto eu tentava explicar
Enquanto eu tentava explicar
Sobre o caos deste mundo
Sobre a falta de amor
Sobre a busca da paz
Sobre o inferno e a dor
Na sua ilusão panteísta
Não havia lugar pra razão
Tudo é culpa de Deus
O sofrer redenção
Mas ela sempre aceitou minha fantasia.
Ela sequer perguntou sobre a minha ironia
De me achar tão sabido
E o sentido da vida não ter entendido
Que segundo ela era viver
Bem distraído.
Que segundo ela esquecer o mal sofrido
Enquanto eu tentava explicar
Enquanto eu tentava explicar
A filologia, a antropologia
A democracia, Voltaire e Platão.
Ela nada sabia de astrologia
Nem de poesia, Pessoa ou Drummond.
Mas ela sempre aceitou minha fantasia
Ela sequer perguntou sobre a minha ironia
De me achar tão sabido
E o sentido da vida não ter entendido
Que segundo ela era viver
Bem distraído
Que segundo ela esquecer o mal sofrido.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Em todos os caminhos
há pedras e espinhos
em outroshá rios e montanhas
mas o caminho do poeta
é cimentado sobre
cobras e aranhas.

Inserida por EvandoCarmo

⁠O princípio da neutralidade é,
viva e deixe viver

Inserida por EvandoCarmo

A MUSA

⁠A musa sempre abusa
da erudição,
ao descrever ao poeta,
um poema ou canção.

Vai alem do que pretende
do que espera a emoção,
ela diz de forma clara
que deseja ser razão.

Mas o poeta iludido
se trai por contradição,
pensa que ama poesia
quando ao certo o que queria
era fugir da perdição,

Ser escravo da beleza,
mas seu ato de nobreza
dispensa a resolução,
escreve o que não entende,
muito menos compreende
de onde vem a inspiração.

Inserida por EvandoCarmo

⁠"O casamento é uma batalha eterna de ego, onde um tenta dominar o outro, às vezes por décadas. Contudo, enquanto um não for subjugado, raramente há separação, mas depois que um abaixa as armas, qualquer discussão pode ser o fim da relação."

Inserida por EvandoCarmo

⁠Em busca de sentido encontramo a dor, por isso o grande poema deve ser composto de dor, precisa identificar a dor e oferecer sentido...

Por meio da arte encontramos o sentido, não o sentido da vida, mas o sentido necessário para suportar a dor de viver, e a dor produzida pela consciência da nossa fragilidade mortal.

Antes havia um vazio, a ausência de sentido, depois conhecemos a dor, então inventamos a arte para suportar a verdade.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Aquilo que não se perde, não se tem.
Não raro, custa muito caro se manter um bem.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Último estoico

Sou amante da beleza,
sem extravagância
sem pudor, sem arrogância.
Amo a beleza sem medida,
fico preso a contemplar
uma noite, um luar,
ou uma tarde em despedida.
Mas no que tange ao meu prazer
sou estoico a perecer
nesta geração desvalida.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Os homens têm o mesmo espírito, quando o assunto é ter certeza, sobre que palavras devem ou não proferir.
Só um verdeiro sábio mede o efeito do que diz antes de falar.
Só um sábio perfeito, e na carne não há sabedoria perfeita que impeça um homem de ferir quem lhe escuta.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Não somos nada, poeira cósmica, partícula de pó,
vivificados pelo espírito santo
da vaidade..

Tudo que fazemos é em busca de aprovação, de aplausos
de Deus ou dos homens.

Quando deveríamos ser movidos por amor, por fazer o bem, não por interesse, mas isso não acontece com ninguém..

No final tudo é uma questão de estímulo e recompensa.

Inserida por EvandoCarmo

⁠A PROVA DO MITO

O tempo é o crisol onde se forja o mito. Se ele permanece por três gerações há possibilidade de ser infinito.

Mas como são frágeis as asas de Ícaro, a cera é matéria que protege o rito.
O sol que aquece também incendeia, a fênix mergulha no éter-conflito, por que renascer para outra jornada, se a alma cansada perdeu seu apito?

A prova exige firmeza e coragem, há um céu aberto, um raio de sol, um trabalho árduo para refazer tudo que caiu, o povo esqueceu, a lógica dormiu.

Assim renasce o mito, um “tudo que é nada”, com outra empreitada para terminar na terra-arrasada, erguer pontes que foram destruídas pela voz da mídia, tão cara e vendida, sempre repetida, e pelas mãos sujas da justiça cega, ora preterida.

Há três gerações que não esqueceu, do bem que plantou, e do mal que colheu.

Um povo oprimido pela intolerância, jovem e criança parou para ouvir, um tio que fala dos anos esquecidos, onde houve paz, respeito e bondade, hoje só saudade recorda quem viu.

O mito está vivo, será que ativo irá prosseguir?

Inserida por EvandoCarmo

⁠Amar não é comum,
querer que dois
se tornem um.
quando acontece amor assim
tudo é começo,
sem meio e fim.

Inserida por EvandoCarmo

⁠"Compor, criar, é se apropriar de algo invisível, materializar e tornar imutável. Eu estou falando da composição, da criação artística. É como dar luz à uma estrela que se torna eterna com brilho infinito."

Inserida por EvandoCarmo

⁠Toda vida é um romance, posto que em torno de uma pessoa existem outras tantas, com histórias interligadas. Contudo devemos decidir, escrever ou não a nossa próprias história.

Inserida por EvandoCarmo

TRECHO DE UM ROMANCE


⁠Eu a conheci dentro de um ônibus, que ia do Gama, cidade satélite de Brasília para o plano piloto, cidade administrativa do Distrito Federal, Capital do Brasil. Eu vinha, não sei bem de onde, só me lembro que a vi, pela primeira vez neste dia. Eu ia descer na quadra 13 do Gama, e ela iria continuar a viagem. Ela estava acompanhada do então marido, um músico que eu havia conhecido, fazia meses, contudo nada sabia da vida desse amigo, não tinha ideia que ele vivia com aquela encantadora mulher.
Não me lembro que roupa ela usava, todavia posso fantasiar, que ela usava uma calça jeans, blusa de crochê amarela, isso era bem possível, e hoje, sabendo seu gosto e estilo, posso até apostar que era isso que ela usava. Eu era um tanto distraído, mas percebi seus olhos negros, que à primeira vista me causou espanto. Como eu ainda não conhecia o mar, nesta época, não posso assegurar que seus olhos tinha naquele tempo algo de mar, um encanto e uma beleza agreste, um mistério insondável. Mas ao descer, ao me despedir do casal, senti um fogo a queimar minha alma, num olhar fulminante, como quem me dizia, “quero te ver de novo”.
Desci do ônibus, e toquei minha vida. Neste tempo eu tocava em um bar, bem perto de onde eu morava com minha esposa e meu filho. Não sabia se voltaria a vê-la, também não fiquei pensando naquele olhar tão imprevisto. Não sabia eu que minha vida teria em breve uma reviravolta, não demorou mais que um ano, e tudo estava diferente. Eu me separei, comecei viajar para tocar longe de Brasília, eu ia e vinha de mês em mês para ver meu filho, que no início da separação ficara com a mãe.
Neste período que fiquei solteiro, recém separado voltei à vida antiga, tornei-me um conquistador, e era namorada daqui e dali, artista, solteiro, nem precisava ter dinheiro para arrumar mulheres nos bares da vida onde fiquei por um tempo, antes de encontrar meu verdadeiro amor e destino.
Em uma noite dessas, em que músicos se reuniam para conversar, depois de cumprir nosso mudando compromisso de animar as almas perdidas da noite, reencontrei meu amigo, o músico, que não sei se por vontade de Deus ou obra do acaso me levaria ao segundo encontro, com aqueles olhos negros determinados a me dominar.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Ela nada sabia de filosofia,
nem de poesia
de Pessoa ou Drummond
Ela pouco sabia de democracia
de Sociologia,
de Foucault ou Proudhon.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Entrei, e logo na sala percebi o quanto estava enganado, eu não poderia me imaginar morando ali. A casa era muito bem cuidada, havia um som de última geração ligado, tocando um disco de vinil do Roberto Carlos. Havia plantas ornamentando o ambiente, samambaias verdes e viçosas, logo pude imaginar o quanto a mulher de olhos negros era elegante, não só na postura física, mas acima de tudo pelo zelo em que mantinha a sua casa, iluminada, cheirosa e aconchegante.

Inserida por EvandoCarmo