Frio
Inescrupulosa. De coração frio e sem afetos. Insensível. Intransponível. É, talvez eu tenha me fechado mesmo. Talvez eu seja aquela garota que todo garoto quer fugir e tem medo. Talvez essa seja eu. Vagando num mundo de gelo. Atirando bolos de neve em todo e qualquer homem que ousar... Essa talvez seja eu. Mas eu não era assim, me tornei assim... Tranquei a porta desde então. Me desapeguei do castelo e das princesas com seus finais felizes. Não quero mais essa utopia. Quero apenas o que for verdadeiro. Apenas. E nada mais. Nada.
Nessa manhã de segunda-feira, tempo nublado, frio, coisas pra fazer, olhei pra tudo hoje e resolvi que esse será o dia mais feliz da minha vida, como se fosse o último sabe, resolvi que a vida é curta e aproveitar cada momento é pra mim é dívida!
Viver a vida intensamente...
O pior aconteceu
A história se repete
Temo estar frio outra vez
O passado remete
Meu romantismo se perdeu
Diante de tudo que a vida me fez.
Não espere meu sorriso
Não prometo companhia
Tudo agora é melancolia
Reflexo de decisões minhas.
Aprecio algumas amizades
Que me confortam no meio da dor
Mas creio sucumbir sem piedade
Deixando tudo de lado, até o amor.
As palavras ainda se perdem na mente
Culpa das situações vividas recentemente
Meus pensamentos me levam ao fracasso
Prisão que escolhi entrar
Talvez minha alma ainda grite
Na esperança de alguém me encontrar
Mas já excedi meu limite
Então não tente me perturbar
Um lúcido só se faz de louco,
Quando é assim que ele quer estar.
INTROSPECÇÃO
Um plácido silêncio adormece, nesta tarde, em minha alma. O tenso frio do inverno contrai-se na inércia das horas do relógio da minha saudade. Um sino, ao longe, faz minhas lembranças regurgitarem devaneios latentes, mas ignorados, avisando-me que meus sonhos andam socados nas gavetas da vida. Em meus armários internos, há muito lixo para se jogar fora. Tenho caminhado sem batuta, sem maestro, sem notas musicais, sem importar se faz sol ou se chove. Tenho flores descuidadas nos vasos de minhas pulsações. Tenho janelas abertas nos quartos das emoções. Tenho ausências autografadas no meu coração. Tenho estilhaços de vidraças quebradas em meus sentimentos distantes. Tenho distancias desenhadas nos mapas de minha estrada. Já não sei mais de mim. Já não sei mais de coisa nenhuma. No cá-lice de meu refúgio, resta-me beber o vazio de meu ser para umedecer a poeira de minhas palavras mudas. Não estou triste, não estou cansada, não estou NADA
Faz tanto frio, faz tanto tempo
que no meu mundo algo se perdeu.
Te mando beijos em outdoors pela avenida
e você sempre tão distraída
passa e não vê.
Despertar
Todo o meu medo
Todo o meu horror
O frio
A dor
Toda minha angústia
E meu tormento
Do ócio ao ódio
Virando desprezo
Tudo parte de mim
E talvez
Nada esteja errado
E todo o mal que eu enxergo
Estava todo em mim
Enterrado
Sina de poeta
Por ter guardado segredo
Eu vivi em solidão
Passei fome, frio e medo
Machuquei meu coração...
Hoje tenho um desafio
Que é dar sem receber
Isso é sina de poeta
Só não sei dizer por quê.
Olhares...
Nesse momento, momento em que o vento frio insiste em fazer a janela bater tentando ultrapassa-la e esfriar este cômodo, onde sentada sobre o carpete e escorada na parede me encontro.
Começo a perceber que antes o coração que pulsava calor, hoje pulsa o vazio...
Começo a relembrar os momentos já vividos, algumas das historias que trilharam meu caminho até aqui. Procurando indícios de onde foi que comecei a me perder.
E nesta procura começo a reparar, que por mais que eu tente afastar é o seu olhar que insiste em invadir minha mente...
São os olhares tão estreitos e sempre acompanhados de singelos e discretos sorrisos que mais me lembro.
E paro, desisto de procurar onde me perdi e por alguns momentos, começo a brincar com os planos, lugares e momentos que eu não fiz, não visitei e principalmente não vivi...
Brinco de imaginar teu cheiro, teu gosto, teus jeitos e defeitos...
E vou mais além, as danças juntinhas, teu rosto colado ao meu onde por segundos parece que a música se silencia que o chão perde sua estabilidade, e se não olharmos para baixo até poderíamos acreditar que não havia chão sob nossos pés... Ah! Quantas músicas ficaram por serem dançadas...
Começo então a brincar de quebra cabeça, junto às peças da imaginação com as da realidade, tentando formar uma delicada e simples bela paisagem.
Lembro-me das repetidas perguntas sobre o final de semana e tento juntá-las com tantas perguntas não feitas.
Lembro-me das repetidas palavras de saudações e tento juntá-las com os abraços de saudações não dados, percebo o quanto durante a vida, nós costumamos desperdiçar a oportunidade de demonstrar carinho.
Lembro-me das repetidas frases feitas e tento junta-las com os conjuntos de palavras não faladas perdidas no tempo.
E relembro que as nossas maiores conversas, que nossos tão simples sentimentos foram demonstrados pelos repletos olhares que em silêncios trocamos.
Tivemos nossos poucos momentos, sempre compartilhados com outras pessoas e agora reparo quantos foram os momentos, as lembranças e as histórias que juntos somente nós nunca compartilhamos, quantos foram os passos não dados, as palavras jamais ditas e os caminhos que juntos somente nós nunca andamos... Quanta e quantas foram às oportunidades que juntos eu e você desperdiçamos...
Mas reparo principalmente quanta falta faz os tantos olhares escondidos em memórias que nunca se quer existiram...
Frio na barriga.Porquê?
Paixão, ansiedade...Um teste, nervosismo...Uma ligação, empolgação...Uma mensagem...expectativas. Quantos mais frios na barriga?
Medo, reprovação, vergonha...
A gente cresce, aparece e isso nunca passa. E que não passe nunca!
Depois de um frio na barriga, vem sempre o alivio e satisfeitos ou não, no fundo, sabemos que em breve virá mais...e mais!
Quero que valha a pena o frio na barriga, a risada nervosa, as horas que escorrem por entre nossos dedos e parecem minutos.
O sorriso no rosto, o brilho olhar,
o frio na barriga, o coração batendo forte.
é o mesmo do primeiro dia em que te beijei.
Ninguém morre de fome ou de frio, morre de abandono.
Se houver outro ser humano que possa ajudar e ajuda, essa pessoa não morrerá nem de frio, nem de fome.
Mas se há outras pessoas que podem ajudar e não ajudam, essa pessoa morrerá de frio e de fome, mas causado pelo abandono, nem pelo frio e nem pela fome. Por isso, se nós abandonamos, aí termina a possibilidade daquela vida seguir.
Mas, se nós não abandonamos, ela segue, e, portanto, a vida gera vida, não do modo como está hoje, em que parte do esquecimento da vida gera morte.
Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.
Nota: Trecho do poema "Não te rendas", que costuma ser erroneamente atribuído ao poeta uruguaio Mario Benedetti. O poema não se encontra em nenhuma de suas obras.
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