Frio
Estava calor pediram chuva, veio a chuva, pediram frio, veio frio pediram calor de novo...
Deve ser difícil ser Deus...
[miséria diz]
Aflora, dignidade,
pois quanta maldade eu vejo aflorar
a noite afora
no frio, no vácuo
morre na ponte
cai do telhado
queimado, sem teto
Aflora, dignidade,
pois toda a miséria é indigna
em casa, a forra
no seco, coberto
digno de gestos
cai da boca migalhas,
todo o pão
Ó Chama da minha vida que aquece, Seu calor confortante me fortalece, mas com seu olhar frio o fogo que me sustenta aos poucos desaparece
Tornei versões de memórias
em formato de frio
olhares silenciosos
coração claro e objetivo.
Tornei minhas pegadas
Passos impossíveis
seres de lágrimas e de saudade.
O simples fato de usarmos a expressão sangue-frio para denominar alguém pouco emotivo mostra o nosso preconceito inato de primata em relação aos répteis. Não julguem outras espécies pelas suas próprias normas sociais.
EM UMA TARDE DE INVERNO
Inverno, em frente ao cerrado, frio singelo
Sobre a secura calada, e o céu, absorto.
Inverno... de esplendoroso ipê amarelo
Pintalgando, o cinza do árido vivo horto
Escancaro a janela, um devaneio, tão belo
Desta visão, de ilusão dum campo morto
Abre o vento, sopra, no horizonte paralelo
Num rodopio feiticeiro de um som corto
As folhas dos buritis em canto, um tranco
Nos flancos das queimadas, e floco branco
Dançando pelo ar o amarelado da fumaça
Olho à frente, e vejo o cerrado, que insiste
E contemplo o sertão ressequido e tão triste
Banhado de teimosia e cheio de airosa graça...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2019, setembro, 03
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Não fuja da dor. Torne-se amigo dela.
Quando ela aparecer, não corra, não reprima...
Seja frio, sorria, chame-a para tomar café.
Assim como você, ela só quer ser entendida ao invés de ignorada.
Tava tremendo, com febre, com frio
A estremecer de amor por causa dela
Corria em minha espinha um arrepio
E eu nem pensava em mim, somente nela…
prova que dia amanhece
para que suporte o dia todo,
com supremo do gosto do orvalho
e frio que acalenta o destino,
sob maré que desvenda a terra
que chora o tom da magoa,
em poucos segundos nas orbitas
do desejo do termo que revoa
pairando na mais complexo sonho.
Obscuro dia chove e faz frio
meu peito tem a dor ver a fumaça encobre o sentimento
diria bom dia seria uma afirmativa nada mais do além
sobre esses motivos me calo na solidão...
a vejo ao longe tenho mais um tempo tenho ir,
mas não consigo sair, pois a noite foi convalescente,
as horas pararam quando amanheceu,
tortuoso momento que encontro teu amor.
paro penso na despedida de declarar esse amor,
definho em meus pensamentos que vagam sem destino.
nos dias que passam na gloriosa vida.
– É frio aqui para uma garota do Sul.
– Então aqueça a sua rainha.
O frio é de congelar a alma eu me aqueço no aconchego do seus cuidados inevitável que está abaixo de zero a temperatura e sendo assim a chaminé de seu coração próspera todo refúgio de iluminar meu ser de reaver que sem você estaria no deserto de almas perdidas e a saída da solução para minha vida é encontrar uma moradia para as noites frias um conforto de sua estadia que faz transbordar o fogo da lareira de minha vida que estou disposto a recomeçar desde o início onde tudo teve sentido no pensamento de imaginar que o segredo da combinação do meu coração é você dar razão e proporção de emoção ao tocar neste sofrido coração que a solução são somente momentos de ter você
Talvez maturidade emocional seja se manter frio e sereno, toda vez que a promessa e as expectativas pelo outro surgirem cedo demais.
24 DE MARÇO
Hoje parecia um dia de finados com aquele ar frio, e vento gelado.
Gritando pelas almas, num dia congelante.
Houve quem pensou em ir. Faltou coragem, havia muito amor ainda para viver,
o medo de voltar e não ter o grande louco seria absoluta covardia, E incerteza infinita.
Queria apenas sentir seu corpo, mas apenas absorto, fecho os olhos e vejo o frio, este olhar causa calafrio, homens da era glacial, fingem estar numa aula teatral, Gritem para o povo, vários entre outros corvo. Batam asas sozinhos, pois não sobrou nem um único ninho.
Noite fria
Em pé, vivo!
Vento forte a arrebatar um morto, talvez vivo, talvez sinto, frio... Muito frio... Meus dentes tremem, estou vivo... Minha mente sente, me sinto vivo... Existe uma diferença entre viver e ter consciência do viver, afinal de que adianta a dor que não me faça aprender?
Frio, muito frio... Mas ele não me abate, mas bate, será que é dor? Frio... Meu sangue ferve, uma multidão acabou de passar, passei junto... Passeei junto... Vivi separado, nunca entendi tais falsos afagos... A riqueza deve ser fria como essa noite, pois me sinto só, mas me sinto bem, que bom que é só uma noite e ela não é comprada com o que tem... Quem tem poder pra comprar a noite? Frio... Esse papel é frio e morto, mas essa noite é viva, vivo... Me sinto vivo em mais uma noite fria... Frio... Estou vivo.
Gelo
O mar ficou gelado do frio que você possui.
Drink ficou cheio de água quando descongelou.
Dentro do que ficou nem sal se fez presente.
O gelo secou.
A prata congelou, o bronze trincou.
Entre muitos momentos, só esse passei a sentir o frio desse gelo que restou.
