Fria
Essa minha cara, meia-cara, cara fria, cara à tapa, talvez fosse isso que merecesse. Sinto-me incapaz de proferir o que há de mais ingênuo, sinto-me, também, covarde ao entregar os pontos, ao abrir os olhos e ver que não consigo manter-me de pé sem uma terceira perna, fazendo-me então um tripé estável. Sinto falta de ser arriscada, pelo menos eu podia caminhar, fosse para frente, para trás ou para os lados nos meus momentos de perplexidade. Acontece que com essa terceira perna não há locomoção. Eu tento, tentei, mas sou cristal que se encostar... Vivo num mundo onde o tudo é inconstante e o nada se tornou totalidade.
Ah! Eu detesto ser melodramática.
Na remansosa paz da rústica fazenda,
à luz quente do sol e à fria luz do luar,
vive, como a expiar uma culpa tremenda,
o engenho de madeira a gemer e a chorar.
Ringe e range, rouquenha, a rígida moenda;
e, ringindo e rangendo, a cana a triturar,
parece que tem alma, adivinha e desvenda
a ruína, a dor, o mal que vai, talvez, causar...
Movida pelos bois tardos e sonolentos,
geme, como a exprimir em doridos lamentos,
que as desgraças por vir sabe-as todas de cor.
Ai! dos teus tristes ais! Ai! moenda arrependida!
- Álcool! para esquecer os tormentos da vida
e cavar, sabe Deus, um tormento maior!
A noite é Fria, a lua brilha cheia no céu.
Nuvens passeiam devagar,
insistindo em esconder, mesmo que por pouco tempo, a luz das estrelas.
O vento sopra gelado, posso ouvi-lo cantar:
É uma canção serena, me faz sentir paz, tranquilidade.
Por um instante esqueço do mundo e de tudo que há nele,
Quando de repente me vem à mente:
Seus olhos brilhando na escuridão da noite, seu sorriso se iluminando.
A canção do vento sempre chama seu nome,
Para jamais me deixar esquece-la,
Cada vez que ouço seu nome, mais claramente vejo seu rosto em meus pensamentos.
Já não tenho duvida do que sinto.
Então junto com o vento eu canto.
Na esperança dele levar a ti, minhas palavras:
Te amo... Te amo... Te amo...
Desculpem-me, mas hoje quero os encantos da poesia dura e ereta, quase fria, quase quente; a única que cabe em mim.
Passos na noite
Vagando pela noite mais escura e mais fria
Andando nas ruas sozinhas, olhando todos os rostos na doce ilusão de te encontrar,
Mas no fundo sei que isso não acontecerá, porque será?
Porque as lágrimas caem quando me vêem uma lembrança sua?
Eu sei, é porque eu sempre estou a sua procura.
É tão fácil viver sonhando enquanto a vida vai passando.
Mas o meu rosto é frio e quase não sorrio.
Mas a parte obscura de mim me puxa e acho que sou mais forte que eu.
Estou perdido dentro de mim com medo de olhar no espelho e não reconhecer quem vai se refletir, então porque ainda resistir?
As pessoas vivem sem sentido, e no final o seu prêmio é um beijo frio da morte.
Então ainda quer jogar esse jogo? Ainda quer vencer?
Eu não queria nem ter começado, só queria que você estivesse ao meu lado, pra esquecer de todas essas coisas, e talvez sermos “felizes”. Mas talvez a felicidade tenha seus próprios escolhidos, e eu nunca tive sorte em jogos de azar.
A morte e a vida, o bem e o mau, eles são os artistas desse palco e nós somos as marionetes.
Noite fria
Sem caminhos e sem destino
Aqui o que deixaste.
O tempo em desatino.
Tudo, desfolhaste.
Somente guardo o segredo.
Um pouco de medo.
Sonhos que tive outrora.
Neste espaço agora.
Impregnado estão.
O seu perfume.
Em meu corpo como costume
No momento a emoção.
São as marcas que ficaram.
E, por pouco se tornaram.
Sentimentos doloridos.
Que devem ser esquecidos.
KÁTIA PÉROLA
Postado por Beleza Rara
Dura Realida
Noite fria. Céu estrelado.
Estou pensando no meu amor.
Amor que é só meu.
Este coração rejeitado,
Amando sozinho. Não se dar valor.
Sentindo o gosto do que não comeu.
Caio na realidade.
Olho em minha volta.
Escuto o vento a soprar.
Ele me diz a verdade.
Verdade que eu não quero acreditar.
Eu prefiro te amar.
Mesmo amando sozinho.
Mesmo gostando e sofrendo.
Não sei o que eu faço.
Até quando esperar pelos teus carinhos?
Aos poucos vou minguando, não entendo.
Estou entregue ao acaso.
Sou um fraco.
Um covarde.
Um homem apaixonado.
Esperando um pouco do seu amor.
Não querendo aceitar a verdade.
Sou um louco apaixonado.
Eu sou um coitado.
Eu sou feliz por você existir.
Eu sou triste.
Por ser desprezado.
Não sei aonde ir.
A minha vida consiste,
Em você existir.
Tudo que eu sinto.
Tudo que eu desejo.
Depende de te.
Doe tanto sentir o que sinto.
A falta de um carinho, o gosto de um beijo.
E desse jeito.
Vou tentando viver.
Sonhando com o seu amor.
Esperando um dia ser aceito.
Mesmo sofrendo, continuo a te querer.
Sonhando com o dia em que você venha acabar com estar dor.
Foi numa tarde fria... -daquelas em que não desejamos mais nada,além de um chocolate quente,um bom filme,e uma boa companhia-...Em que meu coração despedaçou-se...
Ele fora lançado ao vento, afim de que todos seus pedaços fossem de encontro inusitado à pessoas que –de alguma forma- sentiram-se deixados.
Com um ar aceitável,logo meus lábios lançaram de imediato, a impressão de que já fora de se esperar –tal queixa-; Afim de que meus feelings fossem salvos...
Ter dado todo esse cuidado a eles, não fora tão certa a decisão... Embora meu pavor fosse deixa-los imune, -dentro de mim- o meu maior cuidado – e que fora rejeitada pelo meu coração- era de que eu não fosse movida pela razão;E de que eu deixasse meus desejos escolhidos à segundo plano.
"A morte da alma"
Vou embora fria como se não vivesse mais
Para longe desse mundo imundo que so destroi minha paz
Vou abandonar minha alma que esta sem calma
Fugir de tudo,ficar cego,surdo e mudo.
Vou chegar ao fundo desse absurdo
De mim e de você que não vai mais
Me ver no próximo amanhecer
Vou para minha cova que e nova acho que ja morri
E nao consegui terminar o lugar para me enterrar
Vou encerrar esse penar que me fez desesperar
Quero abandonar a solidão que matou meu coração.
Como numa noite escura e fria, eu preciso de você, como em um dia feliz a frente de uma paisagem linda, eu quero você.
Há certo abismo entre a última geração pensante e a nossa: executante, dura e fria. Em algum ponto, deixamos cair a interrogação. É necessário que voltemos.
E a chuva fria cai, cai longamente,
Cheia de perfume das folhas lustrosas,
Cheia de éter, vaporosa,
Cheia de céu...
E a chuva fria cai,
cai docemente.
"Por mais que eu goste não demonstro
me chama de fria, me chama de monstro.
Mas a verdade é que eu me escondo.
E te coloco no meu jogo doentio de amar
Sei e você sabe que vai gostar"
Tudo começou naquela tarde fria, onde a chuva batia fortemente na janela. Eu ficava observando atentamente a dança sombria dos galhos das árvores, o desespero das nuvens cinzentas, o berrar dos raios...
Sozinha fiquei naquele quarto escuro, acompanhada somente dos meus pensamentos pessimistas e sarcásticos... Ouvi uma voz. Quando me dei conta, estava conversando com o meu inconsciente.
- Onde estão todos os outros? - perguntou-me.
- Outros? Não há outros nesse mundo, apenas eu. - respondi.
Aquela voz perturbou-me durante toda à noite, fazendo-me perguntas nas quais nunca parei de fato para pensar.
- Em que mundo é esse onde tu vives?
- Vivo em um mundo onde só eu tenho acesso, onde só eu possuo as chaves de todas as portas.
- Por qual razão revolveu isolar-se dos demais?
- Por qual razão eu viveria junto aos demais? - retruquei.
- Há pessoas lá fora que se preocupam contigo.
- Não, não há. Todas aquelas pessoas estranhas que habitam aquele outro mundo querem apenas iludir-me com palavras já antes ensaiadas.
- Não deixe o pessimismo abalar-te.
- Está querendo iludir-me também com esse discurso positivista?
- Quero apenas ajudar-te a ver o mundo de uma outra maneira.
- Acho melhor eu tentar te ajudar a abrir os olhos para a realidade e parar de fantasiar as coisas, achar que tudo e que todos são seres decentes e humanos.
- Mas todos são humanos como você.
- NÃO! Jamais volte a dizer isso. Odeio ser comparada aos demais. Se todos aqueles seres estranhos forem realmente humanos, considero-me desde já uma "coisa" perdida na imensidão.
- Mas você também pisa no mesmo chão que eles.
- Não piso! Pare de uma vez por todas com isso! Pare de comparar-me àqueles seres anormais, nos quais são movidos através de máquinas e de uma inteligência artificial, que não têm coração e não sabem o significado dos sentimentos!
- Realmente você é uma pessoa diferente e enxerga o mundo de outra forma...
- Foi tão difícil assim chegar nessa conclusão totalmente previsível?
Silêncio...
Realidade que tanto me tortura
na madrugada mais fria e solitária
a tormenta se manisfeta como uma ditadura
Quem há de aguentar tanto sofrimento
haverá o messias suportado tanta angústia
até a consequência do último apedrejamento.
Segunda feira.
15 de setembro de 2009.
Uma manhã fria, nevava. O vento batia contra as janelas das muitas casas daquela rua vazia. As aulas começavam e um ou outro corria pelas ruas, para alcançar o ônibus. E ali estava ela, não necessáriamente a espera do escolar. Estava apenas saindo de casa, com as chaves em mãos. Iria de carro. Usava vestes apropriadas para o dia. Uma calça de couro preta e botas. Usava também uma camiseta deuma banda de rock dos anos 80 e um sobretudo preto por cima. Os seus cabelos escuros estavam soltos e os olhos num verde esmeralda destacavam-se devido ao lápis escuro.
- Volta pra casa depois?- O homem perguntou, parado na porta, com um sorriso no rosto. Uma garrafa de cerveja em mãos. A menina revirou os olhos ao vê-lo levá-la aos lábios. Como fora parar ali?
- Sim, vou voltar para a minha casa.- Enfatizou, abrindo um sorriso lateral, que logo sumiu de sua face. Derick não era uma garoto feio, mas também não era uma beleza rara. Tinha cabelos escuros e a pele clara, os seus olhos eram num cinza claro e o seu corpo era ideal, talvez fora muito bonito no colegial, mas não agora. Agora era só um bêbado viciado, que vendia drogas para sobreviver.- Até mais, Derick.- Acrescentou e seguiu até o velho impala, estacionado em frente à velha casa.
- Espera, você me liga, Myv?- Derick perguntou, jogando a garrafa agora vazia na lata de lixo enferrujada.
- Derick, você está parecendo uma garota.- Myv riu e abriu a porta do carro.- Não, eu não vou ligar. Apareço quando sentir necessidade.- Piscou marota e entrou no automóvel, fechou a porta e deu a partida, acelerando com tudo rumo ao colégio em que estudava.
