Frases Reflexiva quem sou eu
O silêncio cheio é aquele que não pede resposta. É morada de quem já entendeu demais para falar. Quando me sento nele, o mundo afrouxa o ritmo. Permite-me respirar sem justificativa. E isso, por si só, é privilégio raro.
O desapego me veio aos poucos, como quem descasca fruta. No começo dói, depois suaviza o gosto amargo. Libertar é reconhecer que não trazemos nada do mundo. Só algumas estrias e memórias para contar. E isso basta para sermos ricos de experiência.
A noite guarda segredos que o dia não entende. Ela tem diplomacia de quem aceita contradições. Sento-me à sua mesa e aceito seu cardápio. Alguns pratos são amargos, outros, surpreendentemente doces. E eu como tudo com fome de entender.
A saudade não chega devagar,
ela atravessa a porta como quem tem direito. Não traz esperança, não oferece consolo, só deixa o impacto seco de quem já perdeu. É memória sem afeto, é amor sobrevivendo em forma de dor.
O pessimismo é apenas o realismo de quem já foi ferido demais pela expectativa e hoje prefere a segurança da observação.
Minha escrita não busca o aplauso da plateia, mas o reconhecimento silencioso de quem lê e pensa: "eu também habito esse deserto".
Desconfio da perfeição de quem nunca caiu. A verdadeira humanidade só é forjada no fogo do abismo, nunca no conforto do pedestal.
Exauriu-me a tarefa de legendar minha dor para quem não sabe ler sentimentos. Prefiro o silêncio de quem escreve.
A escrita é o meu suporte de vida. Nada romântico, apenas o oxigênio necessário para quem se sente sufocado pelo real.
Sentir-se desperto em um mundo de sonâmbulos é a punição de quem ousou olhar para o sol da verdade sem a proteção das mentiras sociais.
A fé, para mim, é o suspiro de quem, no escuro absoluto, ainda estende a mão esperando tocar a orla de algo sagrado. É saber que Deus me vê mesmo quando eu mesmo me tornei invisível para o espelho.
Escrever é o gesto desesperado de quem tenta colocar um curativo em um rasgo que atravessa o peito de lado a lado. A caneta é a agulha, o papel é a pele, e a tinta é o sangue que insiste em vazar toda vez que lembro de quem eu poderia ter sido.
O brilho nos olhos de quem sofreu muito não é luz, é o reflexo da lâmina que a vida usou para nos lapidar até que não sobrasse nada além do essencial. Somos diamantes feitos de pressão e escuridão, brilhando apenas para quem tem a coragem de olhar para o abismo.
Não confio em quem não tem cicatrizes, pois quem passou pela vida sem ser ferido ou não viveu de verdade ou é mestre na arte de fugir de si mesmo. As feridas são as aberturas por onde a luz consegue, enfim, entrar em nosso interior sombrio.
Chopin tocava o piano como quem acaricia uma ferida aberta, buscando a nota exata que fizesse a dor se transformar em beleza sonora. Eu tento fazer o mesmo com as letras, buscando a palavra que faça o meu peito parar de arder por alguns segundos de leitura silenciosa.
A espera pelo primeiro amor não foi apenas tempo, foi vida doada. Foi a paciência de quem cultiva uma flor em solo estéril, acreditando que o amor, por si só, teria o poder de fazer brotar a reciprocidade.
Deus se revela
em mãos limpas,
em um coração puro,
em quem não guarda maldade
e vive o amor.
Fora disso, é só religião criada por homens.
Dois amores em pleno Alarão,
não posso mais ficar assim,
tenho que escolher quem vai realmente ser bom para mim,
e me honrar com amor no coração.
Os meus Versos Intimistas
trazem a lenda do Calafate
e o sabor de quem prova
pela primeira vez sempre
retorna à Patagônia,
Assim inabalável estarei
contigo a minha volta.
