Frases Racionais
A filosofia erige no íntimo da alma do ser racional um santuário de sabedoria, colunas de virtudes que sustentam o homem no bem e na verdade.
O sujeito fragmenta-se por dentro para sustentar, por fora, a aparência de coerência. Essa é a matemática silenciosa da modernidade: negocia-se a interioridade para exibir uma superfície sem fissuras. Quanto mais íntegra parece a imagem, mais repartido está o íntimo. E o preço dessa unidade aparente não é pequeno — é a perda gradual daquilo que, longe dos olhos, deixava de ser encenação para ser vida.
Lealdade não é permanência cega nem fidelidade ao erro; é coerência silenciosa entre palavra, gesto e ausência. Revela-se quando o interesse não vigia, quando não há plateia nem recompensa. O desleal abandona ao primeiro custo; o leal permanece até onde a dignidade permite — e nunca além de si.
Ser poeta não precisa
escrever tudo o que sente,
mas, por coerência, precisa
sentir tudo que escreve.
O livramento ignorante
Vivemos sob a lógica do livramento ignorante: diante de cada ruptura, apressamo-nos em dizer que fomos salvos de alguém antes de perguntar o que aquela experiência tentou revelar sobre nós.
Vestimos o sofrimento com frases prontas, repetidas como sabedoria, mas raramente compreendidas em tudo o que também exigem de quem as pronuncia.
Uma delas é:
“Escolha bem quem estará ao seu lado.”
Todos falam sobre escolher bem quem estará ao nosso lado. Poucos falam sobre a responsabilidade de sustentar o lugar que pedimos para ocupar na vida de alguém.
Aprendemos a avaliar quem merece permanecer conosco, mas raramente examinamos se possuímos maturidade para permanecer com quem escolhemos. Mais difícil ainda é reconhecer que podemos ter escolhido bem e, mesmo assim, não estarmos preparados para ser uma boa escolha para o outro.
Encontrar a pessoa certa não nos transforma automaticamente na pessoa certa para ela. Podemos reconhecer o amor que desejamos e ainda não saber oferecer a presença, a verdade, o cuidado e a constância que esse amor exige.
Há, evidentemente, relações das quais partir é preservação. Nenhum compromisso exige tolerar abuso, desrespeito ou apagamento de si. Mas nem toda perda é livramento. Algumas são consequência daquilo que não soubemos nomear, cuidar, reparar ou sustentar.
Talvez a maturidade afetiva comece quando deixamos de perguntar apenas:
“Escolhi a pessoa certa?”
E encontramos coragem para perguntar:
“Eu estava preparado para honrar essa escolha?”
“Tornei-me alguém capaz de também ser uma boa escolha para ela?”
Porque amar não é apenas encontrar. É aprender a habitar o vínculo sem ferir, permanecer sem se apagar, cuidar sem possuir e, quando partir for necessário, não falsificar a história apenas para escapar de si.
Nem toda pessoa que perdemos era errada. Às vezes, era a nossa forma de amar que ainda não sabia permanecer.
Humanos não agem por lógica. A gente acha que sim, e até quer, mas, no final, nós somos só guiados por instinto e emoção. E depois nos justificamos para nós mesmos.
O que seria de nossas vidas sem nossos impulsos?
Seria algo previsível e racional.
A vida é imprevisível! E aí está todo seu mistério e sua graça… no descobrir… em toda sua intriga e curiosidade…
Impulsos...
Nos fazem viver verdadeiramente aprendendo uma lição, ou várias, a cada experiência…
Um lugar minado, onde muitas emoções podem explodir! Um lugar onde de repente caímos e ilesos podemos não sair…
Algo a se pensar… algo a refletir…
NO LIMITE DO CALVÁRIO, A [FILOSOFIA] DESCOBRE A FALÊNCIA DA LÓGICA DIANTE DE UM DEUS QUE ESCOLHE A FRAGILIDADE DA CARNE. A [PSICOLOGIA] TESTEMUNHA O ÁPICE DA ANGÚSTIA HUMANA NO SUOR DE SANGUE DO GETSÉMANI, ONDE O HOMEM ENFRENTA O SEU MAIOR MEDO. MAS [O DESFECHO TEOLÓGICO] REDEFINE A PRÓPRIA EXISTÊNCIA: O SOFRIMENTO HUMANO NÃO É ANULADO, MAS É DIVINIZADO, PROVANDO QUE SUPORTAR A DOR COMO HOMEM FOI O ATO SUPREMO QUE TRANSFORMOU A NOSSA MAIOR FRAQUEZA NO PORTAL PARA A ETERNIDADE.
O Direito Ambiental, quando coerente, não protege apenas o ecossistema — protege também a dignidade dos corpos que nele respiram sem voz.
