Frases Dequem sou de Menino
Sou o único sobrevivente das minhas próprias emboscadas mentais, e o cansaço dessa vigília é o que me define.
Sou um mosaico de tentativas imperfeitas. Nenhuma foi o bastante, mas todas foram entregues com a honestidade de quem tentou.
Sou confidente da madrugada, ela é a única que aceita minhas versões sem filtros, meus colapsos e minhas confissões inconfessáveis.
Não sou um objeto quebrado, sou uma obra em reforma perpétua, tentando alinhar as peças enquanto o chão ainda treme.
Sou um colecionador de perguntas sem respostas. Continuo indagando porque o silêncio total seria o início da minha rendição.
Sou um pedido de socorro que se transmutou em literatura para não ser um fardo e, assim, garantir sua própria sobrevivência.
Sou o resultado de mil falhas honestas, nenhuma foi covardia, todas foram passos em falso de quem buscava a luz.
A folha de papel é o único tribunal onde sou inocente, onde posso desabar sem julgamentos e ser fraco sem ser corrigido.
Nas madrugadas, as máscaras descansam. Sou apenas eu, meu cansaço e a verdade crua que o dia não suportaria ver.
Sou vítima de cenários hipotéticos, sofro por tragédias que minha mente cria com a perfeição de quem já viveu o pior.
Sou a exaustão com verniz de eloquência. Posso falar bonito, mas o cansaço continua sendo a base de cada palavra.
Sou um caos que encontrou na poesia sua única forma de ordem. Sem os versos, eu seria apenas estilhaços.
Sou o somatório de insônias, esperanças remendadas e a vontade absurda de continuar, apesar de todos os prognósticos.
Sou o resultado de todas as vezes que eu disse "está tudo bem" enquanto meu mundo interno estava sendo devastado por um tsunami de incertezas. A resiliência é uma forma de exaustão que aprendeu a usar maquiagem, uma força que nasce da total falta de opção.
Sou feito de insônias e cafés frios, de orações sussurradas para um teto que nem sempre responde, mas que serve de anteparo para os meus medos. A fé é esse diálogo com o silêncio, onde a resposta não é uma voz, mas a força para aguentar mais um dia.
Sinto que minha vida é um filme em preto e branco passando em uma sala de cinema vazia, onde eu sou o único espectador que não consegue ir embora antes dos créditos finais. A beleza está no contraste, na forma como a sombra define a luz e a ausência define o que restou.
O destino é um tabuleiro de xadrez onde eu sou apenas um peão que sonha em ser rei, mas que sabe que acabará sendo sacrificado para que o jogo continue sem mim. Aceito meu papel com a dignidade de quem sabe que, na caixa, todas as peças voltam a ser do mesmo material.
Eu não sou forte, eu sou persistente, e existe uma diferença tênue entre os dois, porque a força se esgota, mas a persistência se arrasta, e, mesmo aos pedaços, eu continuo.
Eu não sou o que me fizeram, sou o que sobrou depois do impacto, o que sangrou, caiu… e ainda assim se levantou.
