Frases de Salomão
A dúvida metódica investiga as próprias razões; a suspeita indiscriminada apenas troca uma cegueira por outra.
A natureza não precisa de nossa compreensão para obedecer às suas regularidades, nem de nossa admiração para existir.
A ciência não precisa explicar tudo para distinguir uma explicação fundamentada de uma afirmação sem evidências suficientes.
Nos portais do Amanhecer, o flautista faz a luz florescer em melodia, mas é a ausência de quem desejava ter ao lado que transforma cada nota em saudade e o silêncio em eternidade.
Reconhecer os limites da ciência é um exercício de lucidez; ignorar suas conquistas em nome desses limites é um exercício de conveniência.
Uma conclusão provisória, sustentada por razões, pode ser mais digna do que uma certeza definitiva sustentada pelo medo.
Uma experiência religiosa pode ser absolutamente real para quem a vive sem que sua interpretação sobrenatural se torne universalmente demonstrada.
A religião pode revelar as necessidades mais profundas da humanidade sem que essa revelação resolva a existência daquilo que ela anuncia.
A sinceridade de uma testemunha revela sua convicção, não elimina a possibilidade de erro, memória falha ou interpretação equivocada.
Uma revelação pode reorganizar uma existência inteira sem, por isso, adquirir validade probatória para todas as outras.
Compreender a necessidade de alguém acreditar é conhecer parte de sua humanidade, não demonstrar a verdade daquilo em que acredita.
O consolo não prova a verdade de uma crença, assim como o desconforto que ela provoca não prova sua falsidade.
A diversidade religiosa revela a extraordinária capacidade humana de produzir sentidos e a dificuldade de transformar convicções incompatíveis em conhecimento universal.
Explicar psicologicamente uma crença não basta para refutá-la; é preciso examinar também as razões que pretendem justificá-la.
Quando crenças mutuamente excludentes são defendidas com igual sinceridade, a sinceridade deixa de ser critério suficiente para decidir entre elas.
O sagrado pode ser objeto de devoção e, simultaneamente, fenômeno histórico, psicológico e cultural sujeito à investigação.
Sentir a presença do sagrado é um acontecimento da experiência; determinar a natureza dessa presença é uma questão ainda distinta.
A fé pode preencher o vazio existencial sem demonstrar que o universo reservou, para cada vazio humano, uma resposta transcendente.
O agnosticismo não precisa humilhar a fé; basta recusar que a fé seja confundida com uma demonstração que não apresentou.
