Frases de Mim

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Há um livro dentro de mim que não cabe em prateleiras. Ele tem páginas em branco e algumas escritas em lágrima. Às vezes releio a parte que traz consolo. Outras, treino as palavras que ainda não sei dizer. Escrever é aprender a traduzir a própria pele.

A vida me ensinou a escrever cartas para mim mesmo. Nelas encontro conselhos antigos e ternos. Algumas servem de manual para dias de crise. Outras são lembretes para celebrar pequenas vitórias. E reler é gesto de autocompaixão bem praticado.

Há manhãs em que não desejo o fim, apenas uma pausa na consciência, um repouso de mim mesmo e do barulho da minha mente.

O raso me causa vertigem. Tudo em mim é abissal: se amo, me perco, se sofro, me afogo, se escrevo, transbordo.

A escrita não é para o mundo, é para mim. Se eu não colocar no papel, o que sinto acaba por me implodir.

Sou o adulto que tenta ser o abrigo para o menino que ainda chora em mim, esperando por uma justiça que o tempo não traz.

Não estou quebrado, estou apenas saturado: excesso de ontem, excesso de nós e excesso de mim mesmo.

Luto diariamente para não me tornar um fantasma de mim mesmo, um corpo que ocupa espaço, mas que já não habita o presente.

O sono, para mim, é apenas um campo de batalha onde os monstros do dia trocam de roupa para continuar o cerco sob o véu da noite.

A fé, para mim, é o suspiro de quem, no escuro absoluto, ainda estende a mão esperando tocar a orla de algo sagrado. É saber que Deus me vê mesmo quando eu mesmo me tornei invisível para o espelho.

Carrego dentro de mim um cemitério inteiro de versões que precisei enterrar para continuar, e mesmo assim, insisto em florescer como quem desafia a lógica da própria destruição.

Eu sobrevivi a mim mesmo nos meus dias mais sombrios, e isso é uma vitória invisível que nenhum aplauso seria capaz de traduzir.

Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, mas hoje eu o abraço, porque finalmente aprendi que ele também merece amor.

O sofrimento me atravessou como uma lâmina, mas não encontrou em mim um lugar definitivo para morar.

O silêncio que hoje habita em mim já foi um grito desesperado que ninguém quis ouvir.

Carrego em mim a estranha mutação que nasceu no instante em que percebi que, mesmo em ruínas, ainda havia algo que se recusava a ceder, um pulso teimoso, quase indomável, insistindo em existir contra o próprio vazio.

Há um silêncio dentro de mim que não é ausência, mas excesso de tudo que nunca pôde ser dito.

Eu permaneci não porque havia esperança, mas porque algo em mim se recusou a obedecer ao fim.

A vida não me moldou com cuidado, ela me atravessou até que eu descobrisse o que em mim era inquebrável.

Existe uma parte de mim que nunca será leve e foi ela que me manteve vivo.