Frases de Maria
Existe um momento silencioso na vida em que percebemos que muitas das escolhas que chamávamos de nossas eram apenas caminhos que seguimos para não decepcionar os outros. É nesse instante que a liberdade começa — e também a angústia.
Algumas verdades não nos libertam imediatamente. Primeiro elas nos desorganizam, desmontam nossas certezas e nos deixam sem chão. Só depois entendemos que aquilo que parecia perda era, na verdade, o início de uma consciência mais honesta.
Às vezes a maior transformação de uma pessoa não acontece quando ela muda de caminho, mas quando finalmente percebe que o caminho que estava seguindo nunca foi realmente dela.
Existe uma diferença silenciosa entre viver e apenas continuar existindo. A primeira exige consciência; a segunda exige apenas tempo.
O perigo das certezas absolutas não está apenas no erro que elas podem carregar, mas na tranquilidade que oferecem — porque a tranquilidade muitas vezes é o que nos impede de continuar pensando.
Há uma diferença silenciosa entre mudar de opinião e amadurecer: mudar de opinião é substituir uma ideia por outra; amadurecer é perceber que algumas certezas só existiam porque nunca tivemos coragem suficiente de examiná-las profundamente.
Pensar profundamente não significa encontrar respostas mais rápidas, mas suportar por mais tempo a presença de perguntas que desmontam aquilo que antes parecia óbvio.
Há dias em que a saudade do passado aperta o peito como se quisesse me arrancar do presente; e tudo o que eu mais desejo é voltar para algum lugar no tempo em que eu ainda era verdadeiramente feliz, quando sorrir parecia natural e a vida não pesava tanto sobre os meus ombros.
É estranho como a vida, que deveria ser vivida, pode se transformar em uma sequência de expectativas; até que o peso de corresponder a todas elas vai apagando, pouco a pouco, a vontade que um dia tivemos de apenas viver.
Às vezes, falar sozinha parece mais fácil do que falar com os outros. Comigo, não preciso medir palavras, ensaiar sentimentos ou temer ser interrompida. Talvez seja estranho conversar comigo mesma, mas é mais confortável do que falar e sentir que ninguém realmente me escuta.
Às vezes, sinto que o mundo deixou de ser meu lugar. Caminho por ele, vejo tudo acontecendo, mas existe em mim a sensação de estar apenas de passagem, como se todos tivessem encontrado seu lugar no mundo, menos eu.
Às vezes, já não sei quem sou nem para onde deveria ir. Procuro um propósito, mas continuo parada no mesmo lugar, como se todos estivessem caminhando enquanto eu apenas observo o tempo passar, tentando descobrir quem deveria me tornar e por que ainda não consegui sair de onde estou.
Conhecer a si mesmo é descobrir que, por trás de tudo aquilo que somos, existem versões que tivemos medo de ser.
Olho para o espelho e não me reconheço. Tento falar, mas o medo me cala… porque, no fundo, não tenho medo de alguém responder. Tenho medo de descobrir que quem está do outro lado nunca fui eu.
Talvez a beleza da vida esteja justamente em sua crueldade: tudo é passageiro, e ainda assim encontramos razões para amar.
O amanhã ainda guarda coisas que podem nos fazer felizes, só não sabe que, para encontrá-las, precisaremos deixar para trás quem somos hoje.
Um dia você vai sentir saudade do instante que está vivendo agora, e não vai saber que era a última vez.
