Frases de Autoria das Mulheres
Mas de mim depende eu vir livremente a ser o que fatalmente sou. Sou dona de minha fatalidade e, se eu decidir não cumpri-la, ficarei fora de minha natureza especificamente viva. Mas se eu cumprir meu núcleo neutro e vivo, então, dentro de minha espécie, estarei sendo especificamente humana.
Sofrimento é privilégio dos que sentem.
Carnaval era meu, meu. No entanto, na realidade, eu dele pouco participava.
Nota: Trecho do conto Restos do Carnaval.
...MaisTudo o que mais valia exatamente ela não podia contar. Só falava tolices com as pessoas.
E coca-cola. Como disse Cláudio Brito, tenho mania de coca-cola e de café. Meu cachorro está coçando a orelha e com tanto gosto que chega a gemer. Sou mãe dele. E preciso de dinheiro. Mas que o "Danúbio Azul" é lindo, é mesmo.
Nota: Trecho do conto Dia após dia.
...MaisTudo acaba, mas o que te escrevo continua. (...) O melhor está nas entrelinhas.
Ficar sem fazer nada é a nudez final.
Sinto que viver é inevitável.
Nota: Trecho da crônica Eu sei o que é primavera.
...MaisMas a nostalgia do presente. O aprendizado da paciência, o juramento da espera. Do qual talvez não soubesse jamais se livrar.
Tudo o que não sou não pode me interessar, há impossibilidade de ser além do que se é.
Sei o que é o absoluto porque existo e sou relativa. Minha ignorância é realmente a minha esperança: não sei adjetivar. (...) Olhando para o céu, fico tonta de mim mesma.
Nota: Trecho da crônica Divagando sobre tolices.
...MaisSe era inteligente, não sabia. Ser ou não inteligente dependia da instabilidade dos outros.
Nota: Trecho do conto Miopia regressiva.
...MaisEu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse.
Um aperto de mão comovido foi o nosso adeus no aeroporto. Sabíamos que não nos veríamos mais, senão por acaso. Mais que isso: que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros.
Nota: Trecho do conto Amizade sincera.
...MaisMinha coragem foi a de um sonâmbulo que simplesmente vai.
Eu também queria escrever, e seriam duas ou três linhas, sobre quando uma dor física passa. De como o corpo agradecido, ainda arfando, vê a que ponto a alma é também o corpo.
Nota: Trecho da crônica Temas que morrem.
...MaisEscrevendo, pelo menos eu pertencia um pouco a mim mesma.
Eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade.
E quando notou que aceitava em pleno o amor, sua alegria foi tão grande que o coração lhe batia por todo o corpo, parecia-lhe que mil corações batiam-lhe nas profundezas de sua pessoa.
Ela sabia o que era o desejo – embora não soubesse que sabia. Era assim: ficava faminta mas não de comida, era um gosto meio doloroso que subia do baixo-ventre e arrepiava o bico dos seios e os braços vazios sem abraço. Tornava-se toda dramática e viver doía.
