Frases Conhecidas
Fui até onde pude, mas como é que não compreendi que aquilo que não alcanço em mim... já são os outros?
O mundo me parece uma coisa vasta demais e sem síntese possível.
Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?
Não sou pretensiosa. Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando...
Nota: Trecho de carta para Tania Kaufmann, escrita em 23 de fevereiro de 1944.
...MaisNão telefono para mais ninguém. Quem quiser que me procure. E vou me fazer de rogada. Agora acabou-se a brincadeira.
E eu impávida finjo que não tenho dono. Pontas de cigarro apagadas eu recebo. Um dia vou pegar fogo. De noite fico sozinha no escuro, vazia, pousada num canto do chão. Meu silêncio fede. Ai de mim, que sou o receptáculo da morte das coisas.
Eu sonho acordada, mesmo como uma mocinha de quinze anos. É o que se chama de sonho estéril. Imagino conversas, imagino situações e cenas – pareço nunca ter tido nenhuma experiência.
Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença.
Todo caso de loucura é que alguma coisa voltou. Os possessos, eles não são possuídos pelo que vem, mas pelo que volta.
Já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.
(Para não esquecer)
O melhor ainda não foi escrito. O melhor está nas entrelinhas.
(Água viva)
Amor é não ter. Inclusive amor é a desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece.
Nota: Trecho da crônica Atualidade do ovo e da galinha (II).
...MaisVou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos.
Não gosto do que acabo de escrever – mas sou obrigada a aceitar o trecho todo porque ele me aconteceu. E respeito muito o que eu me aconteço. Minha essência é inconsciente de si própria e é por isso que cegamente me obedeço.
Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise.
Nota: Trecho da crônica A lucidez perigosa.
...MaisMas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo.
Quando estou sozinha procuro não pensar porque tenho medo de de repente pensar uma coisa nova demais para mim mesma.
A pior cegueira é a dos que não sabem que estão cegos.
Que o Deus me ajude a conseguir o impossível, só o impossível me importa.
Em vida, observo muito, sou ativa nas observações, tenho o senso do ridículo, do bom humor, da ironia, e tomo um partido.
O esquecimento das coisas é minha válvula de escape. Esqueço muito por necessidade.
