Frase de Tristeza no Amor
Muitas vezes, o que os outros julgam é apenas o sobrevivente de uma dor que ninguém tentou compreender.
A dor me ensinou verdades que a felicidade jamais revelaria. Mostrou-me profundidades que eu preferia não conhecer. Ainda assim, foi ali que aprendi a enxergar o invisível. Talvez por isso eu veja beleza onde antes só havia superfície e distração.
Tornei-me especialista em esconder tempestades. Aprendi a transformar caos em silêncio e dor em um sorriso suficientemente discreto. Talvez por isso tantos me vejam inteiro. Mal sabem o quanto já naufragou por dentro aquilo que aparenta firmeza.
Nem toda dor precisa ser resolvida de imediato. Algumas só precisam ser sentidas até o fundo. Como o inverno que parece interminável, mas que prepara a terra em silêncio para tudo aquilo que ainda pode nascer.
Não temo mais a dor como antes. O que me assusta é o vazio que ela deixa. Esse lugar sem cor, sem eco, sem direção. Um espaço onde até a saudade parece distante. Como se eu tivesse me desligado de mim mesmo por um instante.
Algumas pessoas carregam tanta dor dentro do peito que acabam desenvolvendo uma delicadeza quase sobrenatural ao tratar o sofrimento alheio.
Nem toda lágrima nasce da dor. Algumas escorrem pelo excesso de consciência acumulada dentro do coração.
Existe um ponto da dor em que as palavras deixam de servir, e tudo o que resta é o silêncio contemplando as próprias ruínas.
A dor não me visitou para me quebrar, veio para me ensinar a reconhecer, no que sangra, a única verdade que não sabe mentir.
Aprendi que a dor não pede licença para existir; ela entra, rearranja a casa e, se eu sobreviver, ainda me obriga a agradecer pela mobília que restou.
O tempo não cicatriza, ele apenas sofistica o abismo. Sua função não é curar a dor, mas domesticar o grito, transformando o sofrimento crônico na melodia de fundo que a nossa normalidade exige para continuar fingindo que avança.
Esquece-se que a dor purifica. Falta, à cultura da curtição, a possibilidade da catarse. Assim, sufocamo-la com os resíduos [Schlacken] da positividade, que se acumulam sob a superfície da cultura de curtição.
Deixa eu morrer…
só por um instante de silêncio,
onde o mundo não me cobre,
onde a dor não grite meu nome.
