Existem muitas dores que devoram a alma
Mas, de todas, provavelmente a mais dolorosa
É a dor de fome dum infante que, silenciosa,
Noite a dentro consome-nos em tristeza e revolta.
Acontece de sul a norte
sugam até o último passo
abusam dele até a morte
não respeitam seu cansaço
serve até como transporte
porque o jumento é forte
mas não foi feito de aço.
Sabe por que eu gosto de escrever? Pois posso criar um conto fantasioso cheio de dor e você não saberá que é como me sinto mas tenho medo de lhe contar
Em 2017 que não economizemos afeto,
que não baixemos os olhos e nem cruzemos os braços
para a dor do próximo, que em nenhum momento esqueçamos
da nossa condição de humanos e que não apontemos falhas
alheias mas, tentemos corrigir as nossas.
Cika Parolin