José Biermann: Feliz Fim Naturalmente, em compasso vou...

Feliz Fim

Naturalmente, em compasso vou para o além como gás, dissipado em moléculas e ao relento. Sem agrado, jogo fora as redundâncias e me apego fácil, eu ainda preciso aprender, mas a vida professora disse: procure dentro de ti, e eu só quis fugir de mim… Ir para longe onde tudo é fugaz, sem perguntas erradas vou ter de debochar da modesta sanidade, mesmo que para isso tenha que chorar ao reler cartas que, outrora, falavam de amor paz e compaixão. Acreditei na vida, maravilha doce, um mosaico de confetes e paixões desenfreadas, tempestades em campos de girassóis, ilusão, cheiro sublime que cerra os olhos, um suspiro de saudade e tudo mais que poderia ser e foi. Assim, começo a me perder aos poucos e conto os degraus, vou ao encontro da psicopatia que já está a minha espera. Lá eu terei um trono e uma companheira para delirar, rir sem causa e nunca chorar. Talvez, o sabor seja outro e o arco-íris enganará seus tons, a música será da alma… Cantaremos juntos versos insanos e dançaremos Pink Floyd… Beberemos vinho antes de contemplar noites de luar boiando em águas calmas. Lentamente descobrirei os segredos abissais da minha companheira.

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Inserida por josebiermann