Amanda Oliveira: Erros e Acertos Eu me arrependo...

Erros e Acertos
Eu me arrependo sinceramente do que não fiz. De tudo que deveria ter dito e não disse e principalmente do que deveria ter aprendido e não aprendi. Um desses arrependimentos foi não aprender a mentir, não aprender a mentir para mim mesma. Encarar o espelho e dizer: Ei, você não é pra mim, eu não te amo. Não sei se adiantaria muita coisa, pois de tanto teimosa que sou não iria acreditar em minhas próprias mentiras. Seria a burra que acreditou, ou a sínica que mentiu?
Eu me arrependo sinceramente do que fiz. De tudo que não deveria ter feito como ter crises de choro na frente de pessoas que não precisavam me ver naquele estado. Como chorar na sua frente e deixar você me ver como eu sou de cara lavada, e sem pose. Eu não queria que acontecesse desse modo. Arrependo-me de ter quebrado pratos, copos e vasos valiosos ou meras quinquilharias de raiva, por ódio de mim e do mundo. Arrependo-me de sair por ai sem ter o que fazer e do nada aparecer em meus pensamentos a sua imagem, de deixá-la entrar e não expulsá-la, de fingir ser o que não sou para agradar você e mais outros, só por medo.
Eu me orgulho de saber mentir para os outros. Mentir quando eles mais precisam e contar piadas sem graças copiadas de um programa humorístico sem audiência, e rir delas sem a menor vergonha. Mentir para você quando eu estava destruída por dentro e por fora uma máscara me cobria. Mentir que eu não estava apaixonada só para curiosos não perguntarem o nome do sujeito: Você.
Eu tenho vergonha de não saber expressar meus sentimentos para o mundo. Sentimentos que estão tão sufocados que a qualquer minuto poderiam sair pela minha boca sem eu perceber. Vergonha de não admitir acreditar em amor perfeito, de sorrir de tristeza, vergonha de ser tão cruel a ponto de machucar profundamente uma pessoa que amo só para me sentir melhor. Vergonha de gritar a sua falta, mas calar. E vergonha de ter expulsado pessoas amadas da minha vida, por não saber amar.
O problema é que só sei amar sofrendo, sorrir chorando e falar gritando. É que eu não sou sempre eu mesma e às vezes me afasto de mim e levo minha tolerância junto. E rótulos serão sempre rótulos, existem sentimentos que não precisam de nomes, só de alguém para senti-los. O que eu sinto, ainda não tem no dicionário.

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Inserida por SuspirosEntrelinhas