Coleção pessoal de milegodon
Querido, querido!
A perfuração mundana.
Você deu permissão a eles
Para que deixassem a armadura da ingenuidade quebrar.
Minha fé se abalou.
Seguro na dignidade que resta da inocência.
Não prometa e não proteja.
Eles me colocaram aqui e me deixaram.
Você também não anda conseguindo segurar a própria cabeça.
Foi sincero, mas o destino quebrou nossos planos.
Nos jogaram no inferno de areia,
Agora com extrema força e agonia talvez nos reuniremos de novo.
- Ramile Godon
Você estava no céu aluado mas era um astro vazio.
Perfurado... Perfurado...
Luz ofuscante.
Querido, está caindo?
- Ramile Godon
Exílio Sem Pátria
Tijolo por tijolo, erguemos o castelo das ilusões.
Navegamos no mar das relações, acreditando que ali está o sentido de nossas vidas.
E chamamos de laço o nó que aperta o pescoço.
Quem enxerga a fratura da ponte que é cruzada
Caminha sozinho, exilado de toda a ilusão que sofria.
O pertencimento é o mito que a maioria sustenta.
Odiamos o igual, esquecendo o real endereço,
Do sistema que nos adoece e depois nos alimenta.
Mas no fim da jornada, quando a obra terminar,
Voltaremos ao pó, despidos de toda a vaidade.
Não haverá mais o ego de nem um de nós.
O que nos resta, enquanto o tempo não vem nos buscar,
É a teimosia de fazer o bem, pela própria dignidade.
- Ramile Godon
Tateie esse milagre, mesmo que enfraquecido.
Estou aqui para segurar a sua mão no escuro,
respeitando o seu agora, sem cobrar pelo futuro.
Continue respirando, no seu tempo, devagar,
pois até o fim da rota, eu vou te acompanhar.
Talvez eu me arrependa de não ter acabado com tudo agora aos 27 anos.
Talvez esse bixo que eu alimento, Esperança, se torne um ser lindo.
Não é o futuro, me orgulho do agora, e do passado, mas lateja a dor da minha mente que se corrói e o corpo avisa dos traumas.
"Pense nas coisas positivas e nas conquistas" eu digo a mim mesma. "Pense no agora" Eu faço isso meu bem, mas não tenho o direito de expressar o que me incomoda também? Eu ter vivido aventuras mil e intensidades não impede de eu ver o que deve ser visto de incomodo também."Você tem muita coisa a viver, que jovem". Ai vem o veneno alheio e fere meu bichinho que pela doença já está fragilizado. O amor e os momentos bons é o que nos mantém aqui. Mas também foi o egoismo dos nossos progenitores. O mundo tenta nos destruir todos os dias. Não vou negar as trevas e luz. O dia e a noite. O calor e o frio. Mas estou sendo destruída a cada dia como todos nós. O amor está ficando valioso, só os piratas e trapaceiros espertos estão co seguindo encontra-lo. Mas alimento meu bicho de estimação. É melhor esperar e tatear o milagre do caos do fôlego de vida e continuar sentindo esta geoide até onde a jornada decidir terminar por si só.
Para quem compartilha este instante comigo,
Veja bem, eu só queria que você se sentisse bem. Onde estão os que saem também pensando nisso?
Todos conhecemos a dor, então porque não explorar o amor em vez do ódio?
Não sugira que isto que digo é algo hipócrita e nem útopico.
De qualquer forma o que custa ter esperança e sonhar?
Eu falo isso porque te amo, porque me amo, e quero compartilhar esta ternura.
Peço que não me machuque, não me dirijo a ninguém com essa intenção e não vou lhe cobrar a entregar o mesmo. Mas queria prevenir pois a recuperação das feridas da alma é demorada.
Não me tenha por boba ou indefesa.
Mas estou dizendo estas palavras porque na minha juventude eu tenho conciência que a vida e curta. E mais proveitosa ela é no compartilhamento amoroso.
Eu sei que o outro lado também é inevitável. Mas auto-treinamentos para exprimir o afeto também deveriam ser valiosos.
Entenda, eu amo e amarei você e é isso que compartilho.
- Ramile Godon
Querida eu do futuro,
Escrevo isso logo após um ano duro, mas cheio. Um ano de muitos feitos e muitas experiências. Se hoje alguém estiver te cobrando, te desmotivando, tentando te machucar ou você estiver se cobrando demais ou tentando se encaixar no ritmo de outra pessoa, lembre-se de quem você era quando escreveu estas linhas.
Lembre-se de que você aprendeu a ter orgulho de olhar para trás. Lembre-se de que a vida é caótica e ambígua, mas que você se transformou através disso. Acima de tudo, nunca se esqueça: você é incrível para si mesma. Volte para o seu ritmo!
- Ramile Godon
Eu tive um ano difícil vai...
Um ano cheio, fiz muito.
Estou orgulhosa olhando para trás.
A vida não é linear pra todo mundo.
Talvez não seja pra ninguém.
Estou aprendendo que a minha jornada tem o seu próprio ritmo.
Muitos feitos.
Muitas experiências.
Estou tentando não me abalar pela projeção alheia.
Acredito que todos deveriam tentar aprender a fazer isso.
Estou me transformando, tudo se transforma.
Eu sou uma pessoa incrível para mim mesma.
Os anos são duros, mas eu sinto toda a vida em sua ambiguidade caótica e confusa.
- Ramile Godon
Os dois seladores patronos,
Eu desejei a ausência deles.
Meus piores inimigos.
Meus inimigos mais mortais!
Puxando meu tornozelo para baixo,
Colocando uma corrente.
Destruo a corrente,
Colocam a corrente na mente.
Destruo a corrente,
Colocam a corrente na mente deles.
Meus piores inimigos.
Jamais amarei vocês de novo!
- Ramile Godon
Milagre, a vida!
Nós não podemos vencer o sistema.
Nós não podemos vencer a morte.
Não temos escolhas a não ser duas.
Somos todos iguais.
Até quando vai mentir e repassar a mentira?
Mentiras, todo dia.
Todo dia a mentira.
O folêgo aparente é a única verdade.
O único milagre.
- Ramile Godon
Folhas Laranjas Da Centelha
Descarga de raiva.
Olhos doloridos.
Alheios impõem a Incompreensão.
Queda da sustentação.
Barreiras envenenadas de carne e sangue.
Desconexão imposta.
Alheios impõem a condenação.
Punitividade social.
Marginalização dos filhos de alma.
Doenças dos robôs de carne.
Disturbios do metal de carne consciente.
O Miasma e o poder do ostracismo.
Corrupção espiritual,
Sofrem os filhos de alma.
Espirito elevado, escudo dos cansados.
Resistência.
No abismo a morte solitária.
Na elevação, nasce a vida da árvore.
As raizes sugam a água e o sangue.
A casca vazia desmorona,
A centelha resurge,
As folhas laranjas caem como sinal.
- Ramile Godon
Luminárias De Cachos Verdes
Encontro pela manhã a relva nas folhas do jardim,
Caem frias as águas e o vapor,
E há um passaro em tons de dourado, roxo e preto bebendo na fonte central.
Vi ali parada em um banco uma dama com um broche dourado que segurava sua túnica branca.
Ela escrevia em um pergaminho com uma pena.
A tinta para meu espanto era de sangue de passarinho e alcatrão.
Haviam penas e sangue em volta do pote encostado aos seus pés.
Ela em nem um momento olhou na minha direção quando me aproximei.
Haviam espécies de estrofes de poesia e rúnicas feitas com a tinta,
Ela deslizava com a mão hábil e aparentemente costumeira.
Quando voltei a noite ela ainda estava ali.
Uma taça de vinho ao seu lado e ela ainda escrevia.
Tomei de um pomar de luz um cacho de uva luminária.
Espremi o sumo e a luz no seu copo.
Ela finalmente olhou pra mim com seus olhos de lanterna.
Quando fui puxada em redemoinho para dentro deles.
- Ramile Godon
Almas De Vapor
Grangrena seca
Tudo ficou marrom e bege
As engrenagens se movendo.
Luz no seu pulso, relógio enfurecido de fumaça.
Botas de couro, cartola negra.
Você me deu um beijo no laboratório da cúpula.
Sai com sua carta na bolsa.
A mensageira conduzindo um dirigível.
O monstro de tentáculos do céu a seguindo.
Mapas com símbolos indicando o caminho.
Pergaminhos que mostram a morte.
Acelere os motores, erga as velas!
O monstro ficou para trás.
Agora vejo a cidade velha.
- Ramile Godon
Juramentos De Fogo
Eu sinto a sua falta,
Vamos bailar.
Queria a sua calma ao lado da minha,
A tranquilidade ao pôr do sol.
Lembro-me de você por completo.
Eu sinto a sua falta.
Não demore pra voltar ou pra ir.
Só há um fantasma de você aqui,
Uma memória antiga me perturbando.
Não espero que volte,
Mas você ainda me acompanha por algum motivo.
Você decidiu ir e eu passei pelo deserto de fogo sozinha.
Juramentos quebrados do escudeiro.
Nunca mais será o mesmo, não se agarre a isto e vai embora.
Eu sinto sua falta.
- Ramile Godon
Explosão de Sangue Solar
Não há mais saída. Colapsou.
O alerta da porta de saída pisca em vermelho.
Correr é inútil; ficar é inútil.
Assista ao pôr do sol como quiser,
como e onde quiser,
com o que estiver fazendo.
Minhas artérias explodirão com o grito do sol.
Seus olhos choram sangue.
Minha alma grita, agonizando.
Meu espírito se debate.
Eu peço perdão.
Eu me reconcilio com a vida.
Ela acaba aqui, finalmente.
- Ramile Godon
Fortaleza das Ilusões
Todos esses princípios eram ilusões.
O que restou de mim segura os escombros do meu ser.
Toda ilusão e tudo que era conectado foi derrubado.
No final o que de fato existe para manter?
O que de fato valeu a pena ser construído?
Pensava eu que o amor, era o que mais valia a pena cativar e manter.
Os laços, as memórias.
Era o que parecia valer a pena para a existência humana.
Mas eles destruíram.
Me seguro em meia corda rompida vinda das nuvens.
No esgotamente esperei refugio e apoio, mas eles atiraram em mim deitada na cama.
Eles pisaram e me chutaram.
Me expulsaram e me desprezaram.
Abandonaram aquela que ensinaram as ilusões para suportar o peso da existência.
Então eu vi a verdade e a plenitude da dor.
Entendi do que era feita a carne humana.
Compreendi a existência e o que a mantém.
Jovem demais, a carne exigiu demais sem eu pedir.
Naquele dia a terra e a água entrarão pela boca de todos nós.
E os espiritos voarão desnorteados,
E haverá reconstrução da matéria pura.
- Ramile Godon
Fenda de Concreto e Cinzas
Sem mantos divinos, no relento,
Frio e calafrios, febre emocional.
Minha barriga está descoberta, minha visão embaçada no beco coberto de névoa.
Fumaça subindo em algum lugar a frente, liquido preto escorrendo nas paredes.
Grafites e grude, cheiro de carne e sangue.
Estou deitada em uma poça de água suja no beco.
Sem mantos, sem lençois.
Escuto latidos de cachorro, alguém roubou seu osso ou alguém o ameaçou.
Escuto o barulho dos automóveis ao longe, indiferentes.
Aqui parece estar afastado da vida, do resto do mundo, não ligam para a existência ou o que acontece no beco.
É solitário e frequentado ao mesmo tempo, breve alguém aparecerá, inimigo, amigo ou transeunte indiferente.
O beco é sempre usado, mas não rota de fato.
Meus olhos estão arregalados, olhando para o céu cerrado pelos dois prédios.
Tento levantar e toda alma e espirito se contorcem,
Vejo ratos, cachorros e gatos andando pelo beco,
Me levanto,
Ainda há vida.
- Ramile Godon
Reino do Desalento
Já percebi a tática dos predadores,
Mas não vejo a coragem dos caçadores.
Os contrutores não fortalecem a muralha, ela está cheia de buracos e falhas.
Os cadetes estão cheios de vaidade e orgulho, mas com atitudes fracas.
Os predadores sempre tomam algo, e os soldados e o povo se culpam entre si.
Matam e fazem escárnio daqueles se levantam, os rebeldes, os líderes de espírito elevado, os revolucionários.
Os inimigos sempre dominam e os aliados só levam esse título sem prática.
Divididos, vaidosos e orgulhosos no povoado de ruínas.
Um povo que se comporta e tem instintos de fera canina.
Que tem orgulho da glória e inteligência dos outros povos.
Mas odeia o seu próprio povo e fica inerte na destruição.
Nação que veste as túnicas da contradição,
Aquela que diz venerar a entidade divina da criação, mas adora a destruição.
- Ramile Godon
Relato Da Névoa
Era uma madrugada enevoada.
Meus olhos se abriram, tentando dissipá-la e reconhecer a luz entrando pelas frestas das janelas cobertas por cortinas.
Poucos segundos... a dor não espera. Logo em segundos, ela aponta a arma e atira em turbilhões.
Meu cérebro não quer pertencer a mim.
Minha alma e espírito estão se contorcendo, também querem se separar de mim.
Querem um ser fragmentado, moribunda para a morte.
Alguém nas trevas pode me ouvir?
Não há lugar nem nas trevas desse túnel escuro e úmido, onde caem pingos do teto e há poças de água no chão irregular e perigoso que sinto com meus pés.
Vejo uma luz da abertura lá a muitos metros; sendo a entrada ou saída, eu não sei bem ao certo.
Alcanço-a, e a mão de um gigante me puxa para fora.
A luz forte faz doer a vista.
O gigante me segura com as mãos fechadas, me obrigando a sair.
Eu não sei se é homem ou mulher, mas me joga para um lugar, um portal em redemoinho.
Me protejo com os braços enquanto sou jogada.
Me vejo em um lugar todo branco.
Não há nada: nem saída, nem entrada.
Mas não há desespero, não há dor, não há alegria eufórica. Só calma... paz? Conforto?
Eu não sei ao certo.
Nunca senti o sentimento que estou sentindo nesse lugar.
Não sei o que é, mas não estou preocupada.
- Ramile Godon
