Existem amores que não pertencem ao... Valdir Enéas Mororó Junior
Existem amores que não pertencem ao tempo comum; pertencem à eternidade. O nosso amor foi exatamente assim: uma paixão visceral, forte e inesquecível, daquelas que marcam a alma para sempre. Quando estávamos juntos, o mundo parecia fazer sentido. Mas a vida, com suas curvas e ironias, nos separou. Os anos passaram rápido, transformaram-se em mais de uma década, e você foi levada para uma nova realidade. Você mudou de sobrenome, construiu um novo lar e passou a dividir os seus dias com outra pessoa.No entanto, o vazio que a sua ausência deixou nunca foi preenchido. Pelo contrário, ele começou a queimar no meu peito de forma insuportável. Eu não conseguia mais carregar esse sentimento em segredo. Por isso, deixei o orgulho de lado e procurei você. Abri o meu coração por inteiro e confessei a mais pura verdade: o tempo não apagou absolutamente nada. Você nunca saiu da minha mente. Eu posso tentar seguir em frente, posso conhecer outras mulheres e sorrir para novos caminhos, mas a verdade é que nenhuma outra pessoa conseguirá ocupar o seu lugar. Tudo o que vier depois de você será apenas uma tentativa pálida de preencher um espaço que tem o formato exato do seu sorriso. Você sempre será o meu único e verdadeiro amor.Nossa história poderia ter parado por ali, mas há um drama que me persegue todas as noites e rasga a minha alma: a imagem do seu casamento. Eu vi a foto daquele dia. No momento em que você deveria ser a noiva mais feliz do mundo, vestida de branco e caminhando para o altar, os seus olhos transmitiam uma tristeza profunda. Você não parecia alguém indo ao encontro da felicidade; parecia uma alma condenada, caminhando em silêncio em direção ao próprio matadouro. Aquele olhar de sofrimento e aquele pedido mudo de socorro acabaram comigo. Onde estava o brilho que nós dois conhecíamos? Por que aceitar aquele casamento se o seu rosto gritava que você queria estar em outro lugar?Tomado por essa angústia, eu quebrei as regras e te fiz essa pergunta. Implorei por uma resposta, por qualquer explicação que acalmasse a tempestade no meu peito. Mas, em vez de palavras, você me entregou o vazio. Você escolheu o silêncio absoluto. Há mais de 14 anos eu carrego essa dúvida comigo. Esse seu silêncio se tornou a resposta mais dolorosa e inesquecível de todas: a história de um amor que nunca morreu, onde eu fui condenado a te amar na incerteza, e você seguiu adiante guardando o segredo do que fomos.
